Arte/Humor

Diário do Bolso, 7 de novembro de 2020

 

08/11/2020 11:15

 

 
Diário, agora, em frente à bandeira americana, eu sentei e chorei.

Lágrimas caem sobre ela e fazem plec, plec...

Ainda não fecharam o caixão de vez, mas a verdade é que..., ah, que tristeza..., ele perdeu..., o meu Big Orange perdeu...

Maldita Pensilvânia! O Dudu me explicou que “pênsil” quer dizer lápis, e então Pensilvânia significa “terra dos escritores”. Só podia. Escritor é tudo comunista!

A derrota também foi por causa do estado da Geórgia, que é o nome da minha neta. Daqui pra frente só vou chamar a menina de Dakota.

Diário, eu sei que o Donald já está dando uma de Aécio, dizendo que foi roubado, pedindo recontagem, espalhando feiquenius, aquela balbúrdia toda. Só que não vai adiantar nada. O Loirão foi despejado da Casa Branca. Se bem que eu aposto que, antes de sair, ele vai fazer xixi num cantinho da Sala Oval.

Mas, no fim das contas, o que me interessa mesmo é: como é que eu fico nessa história?

Quem vai cuidar de mim? Quem vai dizer o que eu tenho que fazer? Quem vai me dizer que a cloroquina é boa, que o vírus é chinês, que não é para fazer quarentena? Quem vai ser meu guia, meu farol, meu Waze?

Quem, quem? O cara lá da Hungria? Pô, a Hungria cabe em Niterói. O cara da Bielorrússia? Nem sei falar o nome dele.

Ah, Diário, eu me sinto como um cão sem dono... Não tenho mais quem me atire os restos da mesa, quem passe a mão na minha cabeça, quem me dê chutinho carinhoso de vez em quando...

Se não tivesse vindo essa pandemia, Diário, o Loirão ganhava fácil, sem despentear o topete. Só porque morreram uns 230 mil, o pessoal fez essa injustiça com ele... Deve ser culpa dos latinos. Esse povo não presta.

O meu medo é que a moda pegue. Será que em 2022 vão me dar um chute na bunda também? Depois de tudo o que eu fiz por esse país? Depois de todas as camisas de futebol que eu usei? É capaz, Diário, é capaz...

A ingratidão é capim nessa terra...

#diariodobolso

PS: Será que o Donald aceita um emprego aqui no meu governo? Pode ser um ministeriozinho, um trabalho de apresentador na TV Brasil ou até uma vaga de barbeiro presidencial. Qualquer coisa. Só para ter ele por perto. Bom, não custa nada perguntar. Vou mandar um zap-zap.



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