Arte/Humor

Diário do Bolso, 8 de dezembro de 2020

 

08/12/2020 10:53

 

 
Diário, fundei o “edaísmo”. É uma mistura de filosofia, religião, teoria econômica, política de governo e comportamento social.

Ele consiste em não ligar para as coisas ruins. Só para as boas.

1-) Por exemplo, o meu governo optou pela menor cobertura possível na aliança mundial de vacinas, a Covax. Cada país podia pedir vacinas que pudessem atender de 10% a 50% da população. Nós escolhemos a menor opção. Só 10%. Ou seja, vai morrer mais gente por causa disso. Mas e daí?

2-) Outra: o Ministe%u001rio da Sau%u001de parou de fazer exame de genotipagem no SUS em pessoas com Aids. A gente deixou vencer o contrato com a empresa. E o teste serve para definir o tratamento mais adequado para cada um. Ou seja, vai morrer mais gente por causa disso. Mas aí eu pergunto: e daí?

3-) Vinte e duas crianças foram mortas por balas perdidas este ano. A maior parte em operações policiais. Mas e daí?

4-) Hoje faz mil dias da morte da Marielle. Até prenderam um vizinho meu. Mas ainda não se sabe quem mandou matar a esquerdista. E daí?

5-) Estamos preparando um “revogaço” de umas 100 portarias sobre saúde mental. Vamos acabar com umas bobagens, tipo o Serviço Residencial Terapêutico e a Comissão de Acompanhamento do Programa de Volta para Casa. E daí?

6-) Tem país que já começou a vacinação contra a covid, mas aqui a gente tá em passo de tartaruga. E assim vai morrer mais gente. E daí?

E daí que, com todas essas coisas acontecendo, ontem eu inaugurei uma exposição com as roupas que eu e a Micheque, digo Michelle usamos no dia da minha possessão como presidente. E isso foi manchete em tudo quanto é lugar.

O edaísmo faz a gente se concentrar no que realmente interessa. Não vamos perder tempo com doente, louco, criança, aidético e Marielles. Vamos pensar em roupas bonitas, pô!

Viva a Cloroquina Fashion Week!

#diariodobolso

PS: https://www.catarse.me/diariodobolso4



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