Idades da Vida

Evento aborda relação entre escola e movimentos sociais

03/04/2004 00:00

São Paulo - Os movimentos sociais se relacionam com a educação de três maneiras diferentes: nas suas bandeiras, no aprendizado da luta, e utilizando-a como uma estratégia para atingir seus objetivos. É o que pensa a pesquisadora Maria da Glória Gohn, coordenadora do Grupo de Estudos de Movimentos Sociais, Demandas Educativas e Cidadania (Gemdec) da Unicamp. Durante a conferência “Movimentos Sociais e Educação”, no Fórum Mundial de Educação-São Paulo, a pesquisadora, na ausência dos outros dois convidados, fez um panorama das relações entre os dois elementos e do cenário atual dos movimentos.

O primeiro tipo de relação é o mais óbvio, que diz respeito aos movimentos sociais que lutam por melhorias na educação. Eles agem de forma direta, procurando modificar as políticas públicas ligadas à área.

O segundo tipo, de acordo com a pesquisadora, é o dos movimentos que têm a aprendizagem como elemento central no seu cotidiano e valorizam o caráter pedagógico da luta. Esse aprendizado não-formal acontece em diversos níveis, como o prático, teórico, político, cultural, simbólico e ético. O processo educativo das ONGs nesse sentido é diferente do dos movimentos sociais, pelo fato delas trabalharem por projetos, com prazos fixos, movidas por causas genéricas ou valores humanitários. Já nos movimentos, o que move é a militância por uma causa específica.

Ela destaca ainda um terceiro tipo de relação, daqueles que lutam por uma transformação social, mas têm a educação como fundamental na construção de suas estratégias. Ou seja, buscam educar a população para conseguir mudanças por meio de participação popular e bem informada. Segundo Maria da Glória, a educação é um conceito muito amplo que ultrapassa a questão da escola, pois envolve a luta por direitos em geral. “Os movimentos sociais já perceberam que é necessário formar cidadãos conscientes para conseguir alterar as políticas públicas a favor da população”, afirma.

Para a pesquisadora, as relações entre os movimentos sociais e a educação mudam na medida em que o Estado muda sua relação com a sociedade. O cenário brasileiro atual apresenta uma conjuntura econômica, política e social bastante contraditória, em constante tensão. No entanto, é inegável o avanço dos movimentos sociais, por conta do avanço no processo democrático. Atores que historicamente pertenceram a movimentos sociais hoje estão no governo, e isso permite um diálogo direto na formulação de políticas públicas. 

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