Idades da Vida

Evento busca interface entre artistas e professores

30/03/2004 00:00

São Paulo – Há tempos os educadores descobriram na cultura algo mais do que uma forma diferente de ensinar a seus alunos o programa previsto na grade curricular. Hoje, dentro da sala da aula, a cultura não é só instrumento de trabalho. É disciplina. Criar um espaço para que o caminho contrário também se efetive, ou seja, para que os artistas se apropriem da educação assim como os professores se apropriaram da cultura, é um dos objetivos do Fórum Mundial de Educação-São Paulo, que começa na próxima quinta-feira (1) na capital paulista. Com uma programação sócio-cultural especialmente planejada para isso, o Fórum quer ser um espaço de interface e comunicação entre as duas áreas e fortalecer uma política de educação baseada nestes princípios.

“Em algum momento houve um hiato e essa separação aconteceu. Mas agora é impossível pensar a educação desvinculada da cultura”, acredita Iara Brasil, responsável pela programação sócio-cultural do FME. “Por isso vamos distribuir um questionário para os artistas que se apresentarão no evento e assim garantir que as múltiplas linguagens da cultura estejam presentes na Plataforma Mundial de Educação, que será definida em julho, em Porto Alegre”, explica. O documento final que será apresentado pelo Fórum de São Paulo deve trazer diversas propostas neste sentido.

Portanto, além de contar com as tradicionais apresentações musicais, teatrais, de artes plásticas e cênicas, a programação sócio-cultural do evento será propositiva. Na UniSantana, por exemplo, um dos locais que abrigará as centenas de atividades do Fórum (além do Anhembi e do Estádio da Portuguesa), acontecerá um ciclo de debates sobre a produção audiovisual no país. Temas como o avanço nas políticas públicas para o setor e a formação de público brasileiro para o audiovisual serão discutidos por profissionais da Associação Brasileira de Documentaristas e de projetos comunitários como o Kino Fórum, voltado para a produção de filmes por adolescentes.

“A idéia de Glauber Rocha – uma idéia na cabeça e uma câmera na mão – está mais presente do que nunca”, acredita Iara. “O Fórum será um espaço para mostrar as produções que tem saído daí”, completa. 


No dia 1, a mesa "Avanços e Desafios das Políticas Públicas do Audiovisual na Educação" conta com a presença de Guilherme Lisboa da Cinemateca Brasileira; Matias Vieira, do projeto Vida, da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo; Celso Frateschi,da Secretaria Municipal de Cultura e Antônio Reis Júnior, da  ONG Ação Educativa. 

No dia 4 de abril, será a vez do debate " Formação de Público para o Audiovisual numa Interface Cultura e Educação", com Patrícia Durães, do Espaço Unibanco; Antonio Claudino de Jesus, da Coordenação Nacional de Cineclubes do Espírito Santo; Alexandre Kishimoto, da Ação Educativa; Alicia Ferreira, do Cinema BR em Movimento, e Francisco César Filho, cineasta e organizador da Mostra do Audiovisual Paulista.

 

A proposta sócio-cultural também pretende envolver a cidade de São Paulo no Fórum Mundial de Educação. Para acolher os inscritos no FME, foram feitas parcerias com organizações como o Centro Cultural Banco do Brasil e o Cine Belas-Artes, que devem garantir descontos para os participantes do evento em outros centros de cultura do município. Segundo a comissão organizadora, esta integração acontece dentro da perspectiva de que São Paulo vai ser incluída, durante o Fórum, na Rede de Cidades Educadoras, e que o acesso à cultura é essencial neste sentido.


A comunidade se comunica
Outro aspecto que deve garantir um maior envolvimento da população com o Fórum Mundial de Educação passará pela divulgação das atividades do evento. Acreditando que outra comunicação também é possível, um grupo de 20 moradores da periferia de São Paulo produzirá relatos sobre as diversas palestras e seminário do Fórum. A idéia é que cada um parta de suas vivências e experiências com educação, lance um olhar sobre os debates e registre suas impressões. Mais do que isso, esses comunicadores devem levar as discussões que presenciaram naquele espaço para suas próprias comunidades.

O grupo é composto de usuários de telecentros públicos das quatro regiões da cidade. A idade dos participantes varia entre 10 e 48 anos, mas predominam os jovens. Eles não são profissionais de comunicação, apesar de alguns já terem passado por experiências em fanzines ou rádios comunitárias, e a maior parte deles nunca participou de um fórum mundial. Para se prepararem para a cobertura, o grupo participou de cinco encontros sobre Educação e Comunicação, baseados na metodologia das oficinas de comunicação comunitária e pesquisa na rede já desenvolvidas nos telecentros da prefeitura de São Paulo.

Os textos produzidos por esses moradores estarão disponíveis no site www.agentenarede.org, que será lançado durante o Fórum, e também na página especial sobre o FME da Agência Carta Maior, que vai ao ar na próxima sexta-feira (2).


Conteúdo Relacionado