Idades da Vida

Mais de 2 mil menores atravessam México sozinhos em busca da fronteira americana

Cerca de 36 mil pessoas atravessaram o México no ano passado, quase todas em busca da fronteira americana. 2240 eram menores e viajavam sem adulto a acompanhá-las, segundo relatório de organizações de apoio a migrantes no México

05/09/2019 17:02

O muro entre San Diego (esquerda) e Tijuana (direita), 2007. A fronteira entre os EUA e o México é das mais vigiadas do mundo. (Gordon Hyde/US Army/Wikimedia Commons)

Créditos da foto: O muro entre San Diego (esquerda) e Tijuana (direita), 2007. A fronteira entre os EUA e o México é das mais vigiadas do mundo. (Gordon Hyde/US Army/Wikimedia Commons)

 
Cerca de 2240 menores, a maior parte mulheres (83%), atravessaram o México sozinhas no ano passado, informa um relatório da Rede de Documentação das Organizações de Defesa dos Migrantes (REDODEM), que agrega mais de 20 organizações de apoio a migrantes em trânsito pelo México.

O relatório "Processos migratórios no México. Novas faces, mesma dinâmica", faz um retrato detalhado dos migrantes que todos os anos atravessam o México, rumo quase sempre à fronteira com os EUA, uma das mais vigiadas do mundo. O ano passado, em números aproximados, terão sido 36 mil, um aumento em relação aos cerca de 27 mil em 2017. A vasta maioria é homem (91,7%) e muito jovem de idade. Os números de migrantes aumentam a partir dos 14 anos e são mais fortes entre os 18 e os 28 anos. 83% dos migrantes têm menos de 44 anos. A grande maioria afirma que deixou o seu país de origem por motivos económicos (86%). 32% tinham a educação primária, mas entre os menores de 14 anos, 40% não tinham estudos.

Destes 36 mil migrantes em trânsito pelo México, 3881 eram menores e 2239 (58%) viajavam não acompanhados por adultos. Neste subgrupo, a maioria é feminina: 83% eram meninas ou mulheres adolescentes.

O relatório assinala um aumento do número de crianças não acompanhadas, mulheres grávidas e idosos entre aqueles que empreendem a difícil viagem pelo México. Regista também um aumento de agressões e violações dos direitos humanos dos migrantes por parte de seguranças privados, grupos de crime organizado, e das autoridades públicas.

O relatório endereça ao governo do presidente Andrés Manuel López Obrador uma série de recomendações para uma política migratória que proteja melhor os direitos dos migrantes, como a criação de uma Secretaria de Estado para as migrações, formação das autoridades com enfoque nos direitos humanos e nas questões de género, ou mecanismos de dialogo e mediação entre as pessoas deportadas, autoridades, e a sociedade civil.

Na apresentação pública do relatório, membros da REDODEM consideram a política migratória do novo governo de Lopez Obrador insuficiente e "mais do mesmo", com detenções em massa, arbitrárias, e expulsões sem um processo devido. Reconheceram porém que a principal raiz do problema está mais a Norte, com as políticas anti-imigração de Donald Trump a forçarem amiúde a mão do governo mexicano. No final de maio, por exemplo, Trump aumentou as taxas alfandegárias a produtos mexicanos, por considerar que o país não fazia o suficiente para travar a imigração. A 7 de junho, os dois países estabeleceram um acordo para evitar as novas taxas. A contrapartida exigida pelos EUA foi o México colocar milhares de novos efetivos da Guarda Nacional nas suas fronteiras a sul e norte.

*Publicado originalmente no Esquerda.net



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