Idades da Vida

Tarso Genro e Marta Suplicy comparecem à abertura

26/03/2004 00:00

Bia Barbosa

Créditos da foto: Bia Barbosa

São Paulo – A prova de que a educação é transformadora e pode ser um dos instrumentos mais eficazes para se fazer a inclusão social foi dada na noite desta quinta-feira (1) na abertura do Fórum Mundial de Educação – São Paulo. Numa cerimômia que reuniu mais de dez mil pessoas no Pólo Cultural Grande Otelo (Sambódromo), centenas de crianças da rede municipal de ensino, coreografadas pela equipe do Ballet Stagium, construíram com folhas coloridas e papel cartão a imagem de uma cidade educadora.

O conceito, que ganha adeptos em países de todo o mundo, é aplicado a municípios onde o ensino e a formação das crianças e jovens deixou de ser responsabilidade exclusiva da escola e foi acolhido por toda a sociedade, passando a acontecer em todos os espaços e não apenas na sala de aula. Na abertura do Fórum, a prefeita Marta Suplicy assinou o acordo que inclui São Paulo na Rede de Cidades Educadoras, ao lado de 280 municípios como Barcelona e Rosario, na Argentina.

“Uma cidade educadora acolhe e que abre espaço para assuntos que mobilizam o ser humano e o mundo, como o FME. São Paulo entra agora num novo ritmo”, disse Marta. “Colocamos a Educação como prioridade absoluta e instalamos um novo conceito de ensino. Nosso projeto educacional agora quer transformar o município numa escola de cidadania”, afirmou.

Segundo a prefeitura, a inversão de prioridades com a construção de 21 CEUs (Centros Educacionais Unificados) nas regiões mais excluídas do município, além da inauguração de 134 novas escolas e da valorização do profissional de educação, foi essencial para que São Paulo entrasse na rede. Atualmente, 1200 unidades escolares funcionam na capital, atendendo um milhão e 60 mil alunos e empregando 73 mil profissionais.

“A cidade educadora é uma opção política. Isso permitirá que todos se apropriem melhor de seu município e assim construam cotidianamente uma vida mais democrática, por meio de políticas alternativas, como já faz São Paulo”, disse Alicia Cabezudo, representante da Rede de Cidades Educadoras.

A aventura do Fórum Mundial de Educação
Discutir a construção de uma cidade educadora é apenas um dos objetivos do Fórum de Educação. Até o próximo domingo (4), mais de 100 especialistas da área e cerca de 200 entidades governamentais e não governamentais trocarão experiências para fortalecer a luta pelo direito à educação. Com um público de 40 mil pessoas e delegações de sete países, o FME-SP é um evento temático, preparatório para a terceira edição do Fórum Mundial de Educação, que acontece de 28 a 31 de julho em Porto Alegre. O encontro de São Paulo contará com dez conferências temáticas, 20 painéis de aprofundamento, mais de 400 atividades auto-gestionadas, 700 pôsteres e uma rica programação cultural. Em paralelo, acontecem ainda o Fórum Criança e a II Conferência Municipal de Mulheres.

“Estamos aqui para debater os rumos da educação na construção de um outro mundo possível. São Paulo 2004 é fruto de uma trajetória que se inicia com o Fórum Social Mundial de Porto Alegre em 2001”, explica Pablo Gentili, do Comitê Organizador do Fórum. “Mas o FME é muito mais do que vai acontecer aqui nesses três dias. Ele está no trabalho cotidiano de educadores e educadoras, de pais e mães, dos estudantes, de trabalhadores que sonham por uma sociedade mais justa, com uma nova escola para a construção desse novo mundo possível”, acredita.

Para Maria José Ferez, coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, esta nova educação permitirá, a partir de uma visão pluralista, a discussão de alternativas ao processo neoliberal. “Isso se dará com a busca de uma educação de qualidade para todos, que garanta o acesso ao conhecimento, à formação e à cidadania. Este Fórum vai ajudar a abrir novos horizontes para consolidar o ensino como uma prioridade nacional e mundial, como instrumento de liberdade, igualdade e justiça social”, disse Maria José.

Na manhã do dia 4, será apresentada a Carta do FME-SP, que será a contribuição do encontro para a Plataforma Mundial de Educação, a ser construída durante o Fórum em Porto Alegre. O evento termina com a Caminhada pela Educação como Direito Universal. Conduzidos pela Companhia Teatral Nau de Ícaro, os participantes marcharão em direção à Praça dos Heróis da FEB, encerrando oficialmente o encontro.

Para saber mais sobre o FME-SP, visite a página http://fmet.terra.com.br/.





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