Pelo Mundo

Bush assina lei para construção do muro na fronteira com o México

06/10/2006 00:00

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WASHINGTON - O presidente norte-americano, George W. Bush, assinou no dia 4 de outubro a lei que autoriza a construção de um muro de 1.200 quilômetros na fronteira com o México, durante um giro de campanha no Arizona, o estado com maior ingresso de imigrantes ilegais aos Estados Unidos.

"Vou assinar uma importante peça legislativa que refletirá nossa mais alta responsabilidade como governo, e isto é proteger o povo norte-americano", disse Bush antes de fazer a assinatura, a um mês das eleições legislativas.

A lei "atende aspectos centrais para todos os estados, que no caso particular do Arizona é a imigração ilegal", acrescentou Bush, que estava acompanhado da governadora democrata do Arizona, Janet Napolitano, além de dois deputados republicanos.

Bush sustentou que a medida responde "ao que o povo norte-americano quer, isto é, saber que modernizamos a fronteira para protegê-la melhor".
Nesse sentido, destacou que os fundos permitirão à Patrulha Fronteiriça dispor de equipamentos de última geração como "radares de terra, câmeras infravermelhas e sensores com tecnologia avançada, que ajudarão na prevenção de cruzamentos ilegais".

A lei autoriza o Departamento de Segurança Interna a gastar em 2007 um total de US$ 33,8 bilhões e inclui o desembolso de US$ 1,2 bilhão para a construção do muro.

"Esta lei nos dará melhores ferramentas para aplicar nossas leis de imigração e assegurar nossa fronteira sul", assegurou.

"A imigração ilegal lota escolas e hospitais públicos, abusa dos orçamentos dos governos locais e estatais, e em algumas comunidades provoca aumento nos crimes", afirmou Bush, que faz campanha em alguns estados do oeste dos Estados Unidos para as eleições legislativas de 7 de novembro.

O muro será construído em diferentes trechos dos 3.200 quilômetros de fronteira que separa os Estados Unidos do México, vigiada hoje por um contingente de 6 mil soldados da Guarda Nacional e outros 12 mil da Patrulha Fronteiriça.

Segundo Bush, "a aplicação das medidas de segurança não vai funcionar sozinha. Precisamos de uma reforma ampla que forneça um caminho legal para as pessoas que vêm aqui trabalhar temporariamente".

O presidente tentou sem sucesso que a Câmara dos Representantes apoiasse uma lei de reforma migratória, aprovada em maio pelo Senado, que regularizava a maioria dos 12 milhões de imigrantes ilegais que moram nos Estados Unidos, mas a proposta foi negada pela maioria dos deputados de seu partido. (saiba mais)

A construção do muro foi recebida com mal-estar pelo outro lado da fronteira, onde o governo mexicano expressou sua oposição, ao qualificar a iniciativa como "inútil" e "desnecessária".

A Chancelaria mexicana enviou uma carta ao Departamento de Estado para manifestar seu incômodo e um porta-voz do presidente Vicente Fox disse na terça-feira que a solução para o problema migratório deve passar por um acordo entre os dois países.

O chefe da minoria democrata no Senado, Harry Reid, expressou na terça-feira suas dúvidas sobre a construção do muro e disse que a medida faz parte de um "espetáculo" montado pelos republicanos para as eleições de 7 de novembro.

Reid sustentou que o muro terá um custo total de US$ 8 bilhões, enquanto outros analistas acreditam que o custo será de US$ 6 bilhões.

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Leia o especial LATINAUTAS, com a íntegra dos relatos e comentários sobre a expedição "Da América para as Américas. (Leia aqui)




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