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O avô de Trump, Friedrich Trump, tinha um restaurante, bar e bordel em British Columbia

Enterradas em uma cidade fantasma no sub-ártico do Canadá estão as raízes da fortuna da família que pavimentou o caminho de Donald Trump à proeminência.

01/11/2016 18:10

Ben Nelms/Bloomberg

Créditos da foto: Ben Nelms/Bloomberg

Enterradas em uma cidade fantasma no sub-ártico do Canadá estão as raízes da fortuna da família que pavimentou o caminho de Donald Trump à proeminência.

Somente cacos de garrafas de vidro permanecem na margem do rio em Bennett, British Columbia – remanescentes do que talvez era o estabelecimento operado pelo avô de Trump, que era conhecido por ter boa comida, bebidas e mulheres propensas a tudo. Uma igreja se encontra acima na encosta, com seu pináculo solitário aparecendo em meio os pinheiros.

Bennett já foi um ponto de tráfego importante para garimpeiros na corrida do outro de Klondike no século 20, e Friedrich Trump fez a vida dirigindo um restaurante e bar. O ninho que ele gerou em apenas dois anos cresceu na fortuna que apoiou a candidatura de seu neto para a presidência dos EUA.

“Quem mais pode dizer que alguém concorrendo à presidência dos EUA deve sua fortuna à sua cidade natal?”, disse Scott Etches, 55, um dono de loja vendendo camisas do Trump em Whitehorse, Yukon, cerca de 100 km ao norte de Bennett. “Não importa se você o apóia ou não. É um ótima história.”

Mais de um século depois de o avô de Trump ter deixado Yukon, empreiteiros canadenses e empresários estão divididos sobre se devem explorar a conexão com um dos sobrenomes mais reconhecidos do planeta. Um luxuoso resort selvagem está sendo planejado para Bennett, completo com uma pousada.

“Aqui tem tanta história – Trump não é só uma delas”, disse Nelson Lepine, que coordena o braço de desenvolvimento de grupo indígena que lidera o projeto.

A história da corrida do ouro da família Trump começou quando Fred, como era conhecido, deixou a Alemanha aos 16 anos com nada menos que uma maleta. Ele foi para Nova Iorque para trabalhar como barbeiro antes de se aventurar ao oeste em busca de riqueza. A corrida do ouro o levou para Bennett, onde ele e seu parceiro, Ernest Levin, construíram o Restaurante Ártico, que se forjou como o mais bem equipado da cidade.

Ficava aberto 24 horas com “cabines privativas para mulheres e festas”, de acordo com uma propagando da edição de 9 de dezembro de 1899 do jornal Bennett Sun. As cabines incluíam uma cama e uma balança para pesar o ouro usado para pagar pelos “serviços”, de acordo com uma biografia feita por Gwenda Blair, que traçou as origens da riqueza da família Trump. É claro, nas cidades fronteiriças da era, o modelo de negócio do Ártico de comida, bebida e sexo era comum.

O Ártico foi uma ótima jogada no Lago Bennett no coração da cidade, entre uma gama de estabelecimentos similares e um mar de tendas de lençol branco armadas por garimpeiros. Foi construído com madeira serrilhada e ostras frescas, luxuosas extravagâncias em um lugar onde os fornecimentos eram trazidos em rotas terrestres árduas.



“Eu aconselharia com todo o respeito às mulheres viajando sozinhas, ou com um acompanhante, que tenham cuidado ao selecionarem hotéis em Bennett”, de acordo com uma carta feita pelo “The Pirate” no Yukon Sun em 17 de abril de 1990. Para os homens solteiros, o Ártico oferecia acomodações excelentes mas as mulheres deveriam evitá-las “pois estariam sujeitas a ouvir o que seriam coisas repugnantes pela depravação do seu próprio sexo”.

Trump rapidamente viu onde estavam os verdadeiros lucros entre o frenesi da corrida do ouro. Estimados 100.000 garimpeiros tentaram Klondike, desses somente um terço realmente conseguiu, e meros 4% conseguiram ouro. Dada essa situação, a escolha de Trump foi um movimento inteligente, de acordo com Blair. “Ele estava minando os mineiros.”

Bennett foi um centro importantes para os garimpeiros, que vieram do Alasca cruzando montanhas congeladas pelas correntes do Rio Yukon até Dawson City em busca de ouro. A cidade perdeu seu brilho com a construção de uma ferrovia ligando Skagway no Alasca até Whitehorse, permitindo que os mineiros evitassem Bennett.

Em resposta, Trump desmontou seu restaurante e o reconstruiu em Whitehorse. Uma foto no livro de Blair mostra um Fred Trump bigodudo em um avental branco. Ele está no bar perto de uma parede de cortinas que, por trás, cada mulher, conhecidas como “moças de acompanhamento”, entretia os mineiros em privacidade.

Trump era um homem rico quando deixou Whitehorse em 1901 para voltar para sua cidade natal Kallstadt na Alemanha, onde depois ele depositou uma poupança de 80.000 marcos no cofre da vila, remonta Blair. Incapaz de reconquistar cidadania alemã, ele retornou para Nova Iorque com sua riqueza. Aquela quantia – equivalente a cerca de meio milhão de euros em 2014 – acabou financiando o primeiro investimento em imóvel residencial da família Trump na área de Nova Iorque, que depois foi tocado pelo seu filho Fred e seu neto Donald.

Trump, que alega em sua biografia, que seu avô era sueco, disse ao The New York Times em agosto que o perfil dos negócios de Friedrich feito por Blair era “totalmente falso”. A porta-voz de Trump, Hope Hicks, não respondeu a duas mensagens e um email pedindo comentários sobre isso.

As colinas de Yukon, com suas auroras tem sido há tempos imãs de viajantes intrépidos, canoistas e caçadores de expedições suntuosas. Capitalizar sua história indígena e ligações com um furacão dos negócios como Trump poderia forjar uma meca do turismo, de acordo com um plano de 2014, desenhado pela Carcross Tagish Management Corporation, junto com a agência de governo Parks Canada.

Justin Ferbey, chefe executivo do grupo Carcross que agora é ministro adjunto de Desenvolvimento Econômico de Yukon, disse que tentou levar a proposta de um resort para as mãos de Donald. Os planos eram de um campo selvagem luxuoso em Bennett, incluindo uma réplica do restaurante Ártico para servir como hospedagem central de visitas.

Trump ou não gostou ou nunca viu, mesmo o projeto tendo prosseguido sem ele. Quatro plataformas de madeira olhando para o lago estão quase completas e serão completadas com tendas luxuosas e móveis antigos, colchões grandes e camas de ferro. Os convidados, com limite de oito por vez, irão jantar em uma hospedagem central de visitantes com uma cozinha moderna feita de pinheiro de uma mina de Klondike. Um pacote de quatro dias, com tudo incluso – incluindo um deslocamento de avião – fica em $1,250 por pessoa. A inauguração está prevista para o próximo verão com operação total em 2018.

“Serão servidos vinhos e jantares; teremos comida da melhor qualidade. Mas ainda assim teremos a conexão com a natureza – haverá apenas um pedaço de tenda entre as pessoas e os ursos”, disse Lepine, CEO da Carcross Tagish. “É o tipo de experiência que as pessoas procuram.”

A pousada central com sua fachada em arco lembra levemente as fotos do restaurante de Trump. Prochazka da Parks Canada diz que não é uma réplica do Ártico, mais um arquétipo dos designs comuns da época.

Enquanto isso em Whitehorse, Etches tem uma opinião diferente sobre a conexão em potencial com Trump. Em um shopping no local do ex-restaurante, ele alugou uma loja pequena chamada “O Ártico”. Uma placa do lado de fora nota o local de origem da fortuna da família de Trump. Dentro, ele vende blusas, imagens, e posters como “O Ártico sob nova direção. Sem liquores, prostitutas ou Jogos até próximo aviso”.

Enquanto Etches reconhece que as vendas não conseguiram cobrir o aluguel mensal de C$200, ele ainda acredita que a história de Trump pode ser um potencial boom para a região.

“Podemos ter cada um dos turistas da rodovia do Alasca passando por aqui somente par ver onde a fortuna foi feita”, ele disse. “Não importa se gostem dele ou não. Ainda viriam aqui para gastar dinheiro.”







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