Pelo Mundo

Um 'cenário egípcio' na Tunísia

10/08/2013 00:00

Jacob Chamberlain - Common Dreams

A Tunísia atingiu um novo nível de agitação política a partir da última terça-feira (6), seguida do fechamento da Assembleia Nacional e do maior protesto de rua desde que a crise no país se reiniciou, há duas semanas, por ocasião do assassinato de um líder da esquerda.

A Reuters relatou que a suspensão da Assembleia Constituinte da Tunísia na terça, anunciada pelo seu chefe - Mustafa Ben Jaffar, secretário-geral do partido de centro-esquerda "Ettakatol" - poderia aproximar o país de um "cenário egípcio", no qual a oposição secular derrubou um governo islâmico.

Dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Túnis clamando pela destituição do partido governante "Ennahda", o qual eles dizem ser culpado pelo assassinato do político de esquerda Mohamed Brahmi no dia 25 de julho. O assassinato de Brahmi deflagrou os protestos recentes, assim como o do líder de esquerda Chokri Belaid, há exatamente 6 meses, resultou em uma revolta similar.

Mais de 70 membros da Assembleia Constituinte se retiraram há duas semanas em protesto pelas duas mortes. Em resposta aos protestos que aconteciam, eles sentaram-se do lado de fora da Assembleia e lideraram sua inteira suspensão.

A suspensão acontece faltando algumas semanas para a data que o grupo de transição tinha agendado "para finalizar um rascunho da constituição e das leis eleitorais que permitiriam à Tunísia sustentar novas eleições ao fim do ano," informou a Reuters.

De acordo com a Al Jazeera, essas agitações representam a pior crise política desde a destituição do líder autocrático Zine el-Abidine Ben Ali, em 2011, que levou às insurreições da Primavera Árabe pelo mundo.

Como a analista política Sofian Ben Farha contou à Reuters, "o cenário egípcio não está tão distante e parece bem razoável que a crise continue."

"A mobilização de massa e a decisão de Ben Jaafar [de suspender a Assembleia] vão trazer o mesmo que aconteceu no Egito," declarou Sofian Chouarbi, uma ativista de oposição que ganhou destaque na revolta de 2011.

Além disso, como no Egito, grande parte da população apoia o partido Ennahda. Na semana passada dezenas de milhares de manifestantes pró-Ennahda foram à ruas apoiar o governo cantando "não aos golpes, sim às eleições."

Tradução de Roberto Brilhante


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