Pelo Mundo

Venezuela sob o fogo midiático

Enquanto o governo de Nicolás Maduro empreende esforços para estabilizar a situação interna venezuelana, intensifica-se o bombardeio midiático externo.

21/02/2014 00:00

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Créditos da foto: Arquivo


Enquanto o governo liderado por Nicolás Maduro empreende esforços para estabilizar a situação interna venezuelana, intensifica-se o bombardeio midiático externo com o apoio explícito de ninguém menos que o presidente norte-americano Barack Obama. Na última quarta-feira (19/02), sem nenhum comedimento, nem sentido das proporções, ele comparou a situação do país sul-americano com a que a Ucrânia vive, onde os confrontos entre autoridades e oposicionistas deixaram mais de cem mortos em um passar de segundos na quinta-feira (20/02).
 
Sem afã de minimizar a gravidade da escalada da oposição na Venezuela, nem os descontentamentos políticos, econômicos e sociais que lhe servem de combustível, a circunstância desse país é infinitamente menos grave do que a da ex-república soviética. Desde 14 de fevereiro, no contexto dos protestos antigovernamentais, morreram cinco pessoas no país sul-americano, uma delas atropelada por um motorista em crise nervosa.
 
O caso mais recente é o da modelo de 22 anos Génesis Carmona, morta depois de receber um tiro na cabeça na terça-feira passada, quando participava de uma manifestação oposicionista em Valencia, capital do estado de Carabobo. Os veículos afins da liderança antigovernamental e dos ativistas anti-Maduro já se adiantaram em culpar o governo pelo assassinato e silenciaram as advertências do governador do estado, o oficialista Francisco Ameliach. Havia quatro dias que ele alertava sobre membros da oposição local que estavam fazendo provocações por meio de grupos armados com a finalidade de causar uma morte. “Querem um estudante morto”, afirmou em declarações na mídia e em sua conta do Twitter.
 
Outro episódio que reflete fielmente o alinhamento da imprensa opositora e da maior parte dos veículos internacionais é a entrega do dirigente oposicionista Leopoldo López às autoridades. No passado, foi processado por desfalque, proibido de exercer cargos públicos, preso depois da tentativa de golpe em 2002 contra Hugo Chávez e agora é acusado de associação criminosa.

O governo informou a família do agora preso que estava um curso um complô para assassiná-lo a fim de dar um mártir ao movimento da oposição. O próprio López compreendeu que estaria mais seguro preso do que se ficasse na clandestinidade e acordou sua entrega às autoridades, o que aconteceu em um comício convocado por ele mesmo, onde o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, compareceu para garantir sua integridade física. Foi assim que a própria esposa de López, Lillian Tintori, reconheceu em entrevista à CNN. No entanto, esse episódio se refletiu na maior parte dos veículos como um novo ato repressivo do governo de Maduro.
 
Comprova-se, em suma, que os descontentamentos sociais no país sul-americano são atiçados do exterior e dos círculos oposicionistas locais, e que a operação conta com aprovação da Casa Branca. Em tais circunstâncias, a conduta de Obama obriga a recordar a de um de seus antecessores, Richard Nixon, cujo governo orquestrou e consumou uma campanha de desestabilização contra um outro governo latino-americano eleito democraticamente: o de Salvador Allende, no Chile.


Tradução: Daniella Cambaúva



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