Agamben dialoga com Foucault e Benjamin

'Signatura rerum', de 2008 tem o papel de levar o leitor ao pensamento do filósofo italiano

29/05/2019 14:17

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Acaba de ser lançado nas livrarias, esta semana, um novo título do filosofo italiano Giorgio Agamben, Signatura rerum: sobre o método. Na obra, o autor discute os seus métodos teóricos, e dialoga com grandes nomes como Michel Foucault e Walter Benjamin.

Apesar de sua densidade, o trabalho funciona como uma introdução ao pensamento de Agamben onde ele destrincha os procedimentos formais e as escolhas metodológicas que fundamentam seu percurso filosófico ao abordar três figuras conceituais: o paradigma, a assinatura e a arqueologia.

O lançamento do livro neste momento ganha uma dimensão mais ampla que o seu próprio conteúdo em razão dos tempos que o Brasil vive atualmente com a universidade pública, a pesquisa científica em geral e as ciências humanas em particular tão ameaçadas. Originalmente, o livro foi publicado na Itália em 2008 e significa um alento e um alerta.

Ou, como escreve o psicanalista Christian Dunker no texto de orelha: “Uma desagradável notícia. O livro mostra como a prática dos procedimentos envolve sempre o risco e a lembrança de que em todo e qualquer dito ou enunciado há sempre um dizer que o anima”.

Signatura rerum vem organizado em três ensaios. O primeiro - O que é um paradigma? -, reconstrói a teoria do exemplo e da analogia, verdadeira lacuna na história da lógica ocidental. O segundo ensaio, Teoria das assinaturas, faz uma genealogia sobre o papel do pesquisador e sua habilidade de rastrear e usar assinaturas. O terceiro e último ensaio, Arqueologia filosófica, segue a tradição foucaultiana de análise das relações entre história e arqueologia, remontando a um conceito de origem que não permanece isolado no passado; continua agindo no presente.

O entrelace dessas três figuras define o espaço de um breve tratado sobre o método.

Revivendo a trajetória de Giorgio Agamben: nasceu em Roma, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942 e é um dos principais intelectuais de sua geração. Ministrou cursos em várias universidades europeias e norte-americanas, mas se recusou a prosseguir lecionando na New York University em protesto à política de segurança dos Estados Unidos.

Afastou-se da carreira docente no final de 2009 e sua obra, influenciada por Walter Benjamin, Michel Foucault e Hannah Arendt, está centrada nas relações entre filosofia, literatura, poesia e, fundamentalmente, política.

Outros títulos de Agamben publicados pela Editora Boitempo: Estado de exceção - Homo Sacer, II, I (2004), Profanações (2007), O que resta de Auschwitz: o arquivo e a testemunha. Homo Sacer, III (2008), O reino e a glória: uma genealogia teológica da economia e do governo. Homo Sacer, II, 2 (2011), Opus Dei: arqueologia do ofício. Homo Sacer, II, 5 (2013), Altíssima pobreza: regras monásticas e forma de vida. Homo Sacer, IV, 1 (2014), Pilatos e Jesus (em co-edição com a Ed. UFSC, 2014), O mistério do mal: Bento XVI e o fim dos tempos (em co-edição com a Ed. UFSC, 2015), O uso dos corpos. Homo Sacer, IV, 2 (2017) e o mais recente, do ano passado, O fogo e o relato: ensaios sobre criação, escrita, arte e livros.

* Com informações da Editora Boitempo




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