Leituras

Notas de Leitura 4: Hasta la victoria, Che!

Em comemoração aos 93 anos de Ernesto Che Guevara, completos neste 14 de junho, nós dedicamos as Notas de Leitura desta semana ao livro ''Guevara, uma biografia'' do jornalista Jon Lee Anderson

14/06/2021 12:53

(Reprodução/Cultura Colectiva/bit.ly/2SpyLo1)

Créditos da foto: (Reprodução/Cultura Colectiva/bit.ly/2SpyLo1)

 
Che Guevara não nasceu em 14 de junho como se comemora hoje, em todos os cantos do mundo. Che nasceu em 14 de maio de 1928, e a mentira foi o meio encontrado por seus pais de ocultar, da então tradicional sociedade argentina, que Celia de la Serna, “de imaculada linhagem da nobreza espanhola”, estava grávida de três meses quando se casou com Ernesto Guevara Lynch, bisneto, sem rendas, de um dos “homens mais ricos da América do Sul” (p.16).

É com este episódio que Jon Lee Anderson inicia Guevara: uma biografia (Objetiva, 2012), tradução de M.H.C.Côrtes do original Che Guevara: a revolutionary live de 1997. Jornalista, escritor da revista The New Yorker e correspondente de guerra com passagem pelo Oriente Médio, África e América Latina, Anderson é autor de vários livros e com esta biografia, viveu um daqueles casos em que o biógrafo acaba interferindo na história do biografado. Suas investigações acabaram levando à descoberta dos restos mortais de Che Guevara que estavam desaparecidos há trinta anos.

Após a execução de Che na Bolívia, “sob ordens do alto-comando militar boliviano e na presença da CIA” (p.16), em 9 de outubro de 1967, seu corpo foi exibido como um troféu dos ianques aos jornalistas do mundo inteiro, mas logo depois desaparecido pelos militares bolivianos. “Seus inimigos pretendiam negar-lhe um local de enterro, onde admiradores poderiam prestar homenagens”, aponta. Sabe-se hoje que ele foi sepultado nas primeiras horas da manhã, em 11 de outubro de 1967.

A verdade veio à tona em novembro de 1995, quando o jornalista entrevistou Vargas Salinas, general aposentado que havia liderado a emboscada no rio Masicuri, que eliminou a segunda coluna de Che. Em dado momento da conversa, ele confessou o que sabia sobre o paradeiro do corpo naquele dia em Vallegrande.

Em 21 de novembro, Anderson publicava Where Is Che Guevara Buried? A Bolivian Tells no New York Times. “O efeito na Bolívia foi dramático e imediato”, conta. Mesmo assim, e apesar de toda pressão, a identificação das ossadas só aconteceria em julho de 1997. Três meses depois, em 10 de outubro, Cuba decretava uma semana de luto oficial. Fidel e Raúl Castro, finalmente, puderam se despedir do amigo. “Os caixões de Che e de seus camaradas ficaram expostos com toda a pompa no monumento José Martí, um obelisco no centro de Plaza de la Revolución, em Havana” (p.12). Em 17 de outubro, os restos mortais de Che chegavam a Santa Clara (Cuba), por ele conquistada em uma das mais decisivas vitórias da Revolução Cubana.

Foi naquele ano, também, que a biografia de Anderson foi publicada. Buscando evitar tanto a hagiografia em torno do “personagem Che”, quanto sua demonização, ele conta ter procurado pelo “homem” por trás da personagem.

“Quem foi esse homem que abriu mão de tudo o que estimava para lutar e morrer em um campo de batalha estrangeiro? Aos 36 anos deixou para trás esposa e cinco filhos, um cargo ministerial e uma posição de comandante para iniciar novas revoluções. E em primeiro lugar, o que impeliu um intelectual argentino bem-nascido, com um diploma de médico, a tentar mudar o mundo?” (p.9)

Para responder essas questões, o livro apresenta as fases da vida de Che em três momentos (capítulos): os anos de formação que abrangem o contexto familiar e as viagens de Che pela América Latina, até a véspera de sua chegada à Cuba, em 1956; um segundo capítulo inteiramente dedicado à luta revolucionária, que começa detalhando o trágico desembarque dos revolucionários na Ilha; e um terceiro momento, entre 1959 e 1967, cobrindo sua presença e atuação no governo cubano, a projeção internacional e o retorno à luta revolucionária, com foco em suas ações no Congo (1965) e na Bolívia (1967).

Ao longo de 900 páginas, a narração fluida e direta do jornalista é alternada por citações extraídas de farta documentação – cadernos e diários de Che (até aquele momento inéditos), correspondências, entrevistas, discursos etc. – aproximando-nos dos valores, das paixões, da “humanidade” do biografado. Já o correspondente de guerra, com imensa habilidade, descreve as batalhas que Che participou, e traz um amplo panorama geopolítico do continente americano durante a Guerra Fria.

Uma leitura que nos ajuda a enxergar o revolucionário à luz da Revolução.

O Revolucionário

Ernesto Guevara de la Sierna cresceu em um ambiente seguro financeiramente, com afeto e em liberdade. Seus pais “podiam não ter dinheiro, mas pertenciam à classe social certa, e tinham a pose e os sobrenomes corretos. Os Guevara tinham ´classe´. Foram abençoados com a confiança inata dos que nascem em meio à opulência. As coisas corriam bem no final. Quando algo saía errado, os amigos e a família os salvavam” (p.29).

A casa dos Guevara era conhecida por sua “atmosfera livre e aberta”. “A mobília mal podia ser vista por causa dos livros e revistas empilhados por toda parte, e não havia horários fixos para as refeições, comiam apenas quando alguém sentia fome. As crianças podiam entrar em casa de bicicleta, atravessar a sala de estar e sair no quintal dos fundos”. Socialmente, eles adotavam uma “política de portas abertas”, mas “quando percebiam qualquer pomposidade, pedantismo ou pose em um visitante, o provocavam de modo impiedoso” (p.44).

Neste ambiente, Che fará as estripulias de qualquer criança, porém desde os dois anos de idade, ele precisou lidar com a asma crônica que o acompanharia por toda a vida. Até os nove, aliás, ele nunca tinha ido à escola. Coube a sua mãe ensiná-lo a ler e a escrever. A asma, porém, não foi impeditiva de sua entrada, já aos 14 anos, no time de rúgbi do colégio. Tampouco que, em 1º. de janeiro de 1950, quando completou 22 anos de idade, Che se embrenhasse pelo interior argentino em uma bicicleta motorizada, visitando doze províncias ao longo de seis semanas.

Da aventura, dois hábitos o acompanhariam pela vida afora: “viajar e escrever diários”, conta Anderson. “Pela primeira vez na vida adulta, Ernesto testemunhou a severa dualidade de seu país. Deixou a transposta cultura europeia, que também era a dele, e mergulhou no ignorado e atrasado interior indígena. A injustiça da vida das pessoas marginalizadas socialmente com quem fizera amizade ao longo de sua viagem – leprosos, vagabundos, detentos, pacientes de hospitais – dava prova da “turbulência” submersa da região que ficava “sob” o “rio Grande” (p.84).

Dois anos depois, em 4 de janeiro de 1952, o então jovem estudante de Medicina, interessado em alergias, e seu amigo Alberto Granado, recém-formado na área, decidiram desbravar o Chile, o Peru, a Colômbia, a Venezuela e Miami, a bordo de La Poderosa, uma Norton de 500 cilindradas. Salpicada de momentos hilários, a viagem foi norteadora para a formação do jovem estudante de Medicina, um voraz leitor de Bertrand Russell, Freud, Camus, Sartre, Kafka, Lorca, Machado, Alberti, mais adiante Mariátegui, Marx e tantas outras referências que surgem ao longo da biografia.

Alberto e Che, no rio Amazonas, em junho de 1952. Museo Che Guevara (Centro de Estudios Che Guevara en La Habana, Cuba)

Nessa viagem, Che exerceria Medicina na prática, e se sensibilizaria frente ao desespero da população desassistida no continente. Em seu diário, ele escreve:

“Ali nos momentos finais de pessoas cujos horizonte mais distante é sempre o dia seguinte, vê-se a tragédia que envolve as vidas do proletariado no mundo inteiro. Naqueles olhos moribundos, há uma apologia submissa e também, frequentemente, um apelo desesperado por consolo que se perde no vazio, como seu corpo logo se perderá na magnitude da miséria que nos rodeia. Não tenho meios para dizer por quanto tempo perdurará esse estado de coisas, baseado em uma concepção absurda de castas, mas já é hora de aqueles que governam dedicarem menos tempo a fazer propaganda da compaixão de seus governos e aplicarem mais dinheiro, muito mais dinheiro, patrocinando obras de cunho social” (p.99).

Em junho de 1953, Che se forma médico pela Universidade de Buenos Ayres. Estava com 25 anos quando recusou uma excelente oferta de emprego para poder se dedicar ao seu projeto de voltar para a estrada. O que aconteceria ao lado de seu velho amigo Calica Ferrer, que conta “a nossa meta era chegar à Venezuela, trabalhar um pouco, o mínimo possível, e então ir para a Europa” (p.121).

A Revolução, porém, chacoalharia tudo.

E como é impossível compreender o “homem Che” sem os embates daquele período, em particular as revoluções do continente, cada avanço dos jovens viajantes pelo mapa é acompanhado por um panorama político e social, o que nos permite um vislumbre das regiões dessa América insubmissa ante à ingerência dos Estados Unidos e de suas corporações, que promovem tanta miséria e sofrimento, golpes e demais violências institucionais, além da degradação ambiental.

Daí o anti-imperialismo expresso por Che em suas anotações.

Nesta viagem, ele passou pelo Peru, Bolívia, Equador, Guatemala e México, de onde partiria, com mais 81 cubanos, em um iate, o Gramna. Observando os países por onde ele passou e o impacto dos processos revolucionários nessas regiões, é notório o impacto das experiências da Bolívia e da Guatemala. Na Bolívia, exultante (“La Paz é a Xangai das Américas”), ele pode presenciar a nacionalização das minas e a lei da reforma agrária, uma semana após a sua chegada naquele país. Na Guatemala sob Jacobo Arbenz, “um coronel guatemalteco de tendências esquerdistas”, que um ano antes, nacionalizara as terras da poderosa United Fruit Company, e que atraia revolucionários de todo mundo, acenando como um oásis de liberdade na região.

Entre eles estava o grupo dos “moncadistas” cubanos, exilados e sob proteção do governo da Guatemala, após o levante no Quartel Moncada, em Santigo de Cuba, contra a ditadura de Fulgêncio Batista iniciada por um golpe de Estado, em 1952. Esperando pelas ordens de Fidel, naquele momento condenado a 15 anos de prisão, e preso em uma solitária na Ilha de Pinos, os cubanos eram tratados como “celebridades, convidados obrigatórios nos jantares e piqueniques” (p.156). E não demorou para que Che se aproximasse deles, em particular, de Raúl Castro.

Dois dias depois de completar 26 anos, Che presenciou o bombardeio da Guatemala pelos Estados Unidos. Depois de tudo o que tinha visto em suas andanças pela América, ele estava convicto de que a “intervenção norte-americana na Guatemala fora apenas o primeiro combate do que seria uma confrontação global entre os Estados Unidos e o comunismo”. Dali, como vários revolucionários, ele partiria para o México.

Naquele país, Che iria se casar e seria pai dez dias antes de embarcar no Gramna. Aventura que começa em junho de 1955, quando acontece o seu encontro com Fidel Castro, que chegaria ao México, após ser anistiado pelo governo Batista, em 7 de julho de 1955. Na prática, ele e outros combatentes foram soltos devido à forte pressão popular pela anistia dos moncadistas, e porque naquele momento de eleições presidenciais, Batista estava empenhado em oferecer uma imagem mais positiva diante da população.

Ao relatar o encontro com Fidel, Che escreve:

“Um acontecimento político foi ter conhecido Fidel Castro, o revolucionário cubano, um homem jovem, inteligente, muito seguro de si e de uma audácia extraordinária. Acho que há uma simpatia mútua entre nós” (p.206).



“Depois de conversarem durante algum tempo, Ernesto, Fidel e Raúl foram jantar em um restaurante no mesmo quarteirão. Após várias horas, Fidel convidou Ernesto para se juntar ao seu movimento de guerrilha. Ernesto aceitou na mesma hora. “Che”, como os cubanos começaram a chamá-lo, seria seu médico” (p. 206).

Além de recrutar homens no México, Fidel também viajou para os Estados Unidos, onde buscou recursos para financiar a Revolução. Durante dois meses, ele ministrou palestras e convenceu possíveis doadores a investirem na libertação de Cuba. Em agosto de 1956, Fidel organizou o lançamento do Manifesto 1 do “Movimento 26 de Julho (M-26)”, apresentado como uma “organização revolucionária que buscava a restauração da democracia e da justiça em Cuba”. Os exemplares, um total de dois mil manifestos, foram distribuídos no túmulo de Eduardo Chibás, fundador do Partido Ortodoxo, de oposição, e mentor do jovem Fidel.

Como explica Anderson, Fidel e a grande maioria dos moncadistas nunca foram comunistas, mas sim nacionalistas e fortemente anti-imperialistas. Aliás, a apreensão de Fidel em relação ao marxismo de Che e suas declarações abertamente pró-comunismo, parece óbvia: à luz da repressão ocorrida na Guatemala, com bombardeio dos Estados Unidos, tudo o que ele não queria era outro bombardeio. Mesmo assim, a interferência acontecia. Após ser eleito, Batista recebeu a visita de Richard Nixon, então vice-presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 1955; e do diretor da CIA, Allem Dulles, em abril. Eles queriam criar um Buró de Represión a las Actividades Comunistas (Brac) em Havana.

No México, inclusive, a vigilância estava acirrada, e dias antes de Che completar seus 28 anos, Fidel e seus homens foram presos e convidados a saírem do país, o que os levaria à clandestinidade pelo menos até embarcarem para Cuba. Na véspera do embarque, Che escreveria à sua mãe:

“E agora vem a parte difícil, velha, da qual nunca fugi e sempre gostei. Os céus não ficaram negros, as constelações não saíram de suas órbitas, nem houve enchentes ou furacões demasiado insolentes. Os sinais são bons. Eles indicam a vitória. Porém, se estiverem errados, afinal, até os deuses cometem erros, então eu acho que pode dizer como um poeta que você não conhece: ´Eu só levarei para o túmulo/ o pesadelo de uma canção inacabada´. Beijo-a novamente, com todo amor de um adeus que resiste a ser completo. Seu filho.” (p.248).

A REVOLUÇÃO

“Em meados dos anos 1950, Cuba ganhara a reputação infame de ser ´o prostíbulo do Caribe´, onde os norte-americanos iam passar fins de semana jogando, bebendo, farreando com as muitas prostitutas de Havana. Um personagem notório chamado Schwartzmann tinha um empedernido cinema onde eram exibidos filmes pornográficos e apresentações de sexo ao vivo, e as quadrilhas do crime organizado norte-americano estavam penetrando na área, abrindo casas noturnas e cassinos” (p.200), conta Anderson.

Reagindo ao cenário acima, Fidel e seus homens entraram no Gramna, em 25 de novembro de 1956, rumo à Ilha. A ideia era desembarcar em Sierra Maestra no dia e hora em que estariam ocorrendo também um ataque ao Quartel Moncada e um levante em Santiago, o que desviaria o foco da repressão, porém, eles atrasaram dois dias para chegar, e quando apontaram na praia Las Coloradas, em Oriente, os fuzis os aguardavam. Dos 82 homens que embarcaram, apenas 15 conseguiram se reencontrar em terra firme, após dias vagando – Che gastaria dez –, em estado de exaustão e fome. Muitos foram presos.

Apesar das hercúleas dificuldades, Fidel, Che, Raúl e Camilo Cinfuegos conseguiram reorganizar as forças do Movimento, recrutando entre os camponeses 250 combatentes distribuídos em quatro colunas guerrilheiras. A ideia era descer a Serra e ir conquistando as cidades mais importantes. Neste livro, Anderson elenca batalha por batalha, trazendo o cotidiano que as envolvem e, também, o contexto desses embates, muitos deles inacreditáveis, como a batalha em Santa Clara, comandada por Che, que contava com apenas 350 homens contra 3.500 de Batista (p.346). Uma batalha decisiva na conquista de Havana.

Ernesto Guevara en Santa Clara, em dezembro de 1958. Fonte: Revista Verde Oliva 1959.

Também fica evidente a capacidade deles em dialogar com a mídia. Em 17 de fevereiro de 1957, Fidel marcou uma entrevista ao The New York Times, para Herbert Mattews, jornalista veterano da Guerra Civil Espanhola, da campanha de Mussolini na Abissínia e da Segunda Guerra Mundial. Foram três horas de conversa e, em dado momento, um combatente irrompia, coberto de suor, trazendo uma "mensagem da Segunda Coluna". Pura encenação inventada por Fidel para que o jornalista acreditasse que ele possuía um número considerável de combatentes, em momento da guerra, quando Exército Rebelde contava com menos de vinte homens armados (p.56).

Eles também assistiam aos camponeses, Che, por exemplo, fazia o que podia com seus conhecimentos médicos e os recursos precários. No trato com o povo, os revolucionários souberam o que era necessário. E aos poucos eles foram ganhando a confiança da população. Pelo país afora, vilarejos e cidades eram ocupados pelos rebeldes, aclamados por civis entusiasmados, muitos dos quais, seguidores genuínos ou não, usavam a braçadeira vermelha e preta do 26 de Julho” (p.425). E assim, ao longo de dois anos, eles conseguiram minar as forças de Batista, que fugiria de Cuba, com milhões no bolso, às três horas da manhã de 1º. de Janeiro de 1959.

No dia 8, Fidel faria a sua entrada triunfal em Havana.

Che, por sua vez, estava encarregado do tribunal revolucionário, em La Cabaña.

Sua contribuição no governo cubano é incomensurável. Che foi o idealizador da reforma agrária em Cuba, estabelecendo mil acres como o limite máximo permitido às fazendas cubanas, posteriormente ele seria nomeado diretor do novo Departamento de Industrialização no Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA). Na área da Educação, atuaria no combate ao analfabetismo, impulsionando as “brigadas de alfabetização” que elevariam a taxa nacional para 96%. Defensor do ensino superior universal, ele também introduziu a política de cotas afirmativas, abrindo as portas do ensino universitário aos jovens cubanos. Che foi ainda ministro da Fazenda, das Indústrias e presidente do Banco Nacional, onde pode acompanhar de perto o processo de estatização no país.

No contexto da invasão à Baia dos Porcos, entre 17 e 20 de abril de 1961, lá estava ele treinando a força militar cubana. Em 1962, quando surgiram os misseis balísticos soviéticos em Cuba, não pairavam dúvidas quanto ao seu envolvimento. Em 1965, no entanto, Che pediria demissão para seguir adiante promovendo a revolução em outros países, primeiramente no Congo (1965) e, depois na Bolívia (1967), onde seria assassinado.

Dois de seus discursos nos permitem vislumbrar o que lhe passava pela cabeça naquele momento. Um em 11 de dezembro de 1964, quando ele compareceu à 19ª. Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para “proclamar a morte do colonialismo, para condenar o intervencionismo norte-americano e para aplaudir “as guerras de libertação” que estavam se desenvolvendo na América Latina, na África e na Ásia. O outro é o discurso proferido durante o Segundo Seminário Econômico de Solidariedade Afro-Asiática, em Argel, em 24 de fevereiro de 1965.

Abaixo a eterna canção de Silvio Rodriguez, Comandante Che Guevara:



Tati Carlotti escreve para as editorias de Arte-Literatura / Arte-Leituras de Carta Maior. É graduada em história, mestre em crítica literária e doutora em linguística. tcarlotti@gmail.com

Leia também as Notas de Leitura 3: As Mulheres de Tijucopapo de Marilene Felinto 










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