Leituras

Intervencionismo e guerra integral: primeira aproximação teórica

 

28/09/2020 11:46

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Com prefácio de Atilio Borón, foi lançado o livro “Intervencionismo e guerra integral. Primeira aproximação teórica”, escrito por Pascualino Angiolillo Fernández (general do Exército Bolivariano da Venezuela) e por Astolfo Sangronis Godoy (diretor do Centro de Pesquisas e Estudos Políticos e Estratégicos de Caracas – Ciepes), e publicado pela Editora Acercándonos, da Argentina.

Na introdução, Borón afirma que este é “um texto muito importante, porque, à sua completude, acrescenta-se a sua clareza didática e sua brevidade conveniente”. Com efeito, em apenas 104 páginas, os autores abordam uma ampla gama de tópicos que, juntos, constituem um verdadeiro corpo de estudos para compreender o fenômeno da guerra como uma “continuação da política” na modernidade mais recente.

Ao estabelecer um vínculo entre guerra e intervenção, nas condições de desenvolvimento capitalista atual, o livro traça uma explicação precisa das formas e conteúdos que as intervenções imperiais adquirem como instrumento de imposição de modelos próprios, cuja aceitação se assume como objetivo estratégico a ser alcançado pelos protagonistas do impulso imperialista que os autores identificam nas ações da União Europeia, do Japão e, obviamente, dos Estados Unidos.

É de extrema importância apreender do texto a síntese detalhada que ele faz sobre as características que a guerra contemporânea adota. Essa análise vai muito além das definições teóricas que interessam apenas a acadêmicos ou estudiosos do assunto. A sua compreensão fornece os pontos de vista necessários para que os que tomam as decisões tenham um vasto volume de elementos que, metodologicamente ordenados e sistematizados neste livro, ajudam a estudar a situação num quadro transcendental, além de proporcionar bases para atuar simultaneamente a curto, médio ou longo prazo. Ao mesmo tempo, permite adotar medidas para responder corretamente aos desafios colocados pelos cenários tático e estratégico.

Da mesma forma, este livro dá uma contribuição fundamental para qualquer cidadão construir os alertas necessários para viver e prosseguir, resistir e lutar, nas condições que o imperialismo norte-americano e europeu – e também no caso da direita fascista latino-americana – pretende impor como um “novo normal”, sob a proteção de sua perigosa decadência, na qual a lei é manipulada e a ameaçada, através da chantagem, da agressão e da guerra, que se estabelecem como instrumentos de política externa.

Ao explicar o fenômeno atual da guerra, os autores consideram que o uso de termos como “golpe brando”, ou o “direito à intervenção humanitária” nos permitem explicar a realidade com maior certeza, mas alertam que “o uso aparentemente indistinto de termos como “híbrido”, “assimétrico”, “não convencional”, “multiforme”, “multidimensional”, “guerra irrestrita”, entre outras variedades de conceitos para dar conta ao mesmo fenômeno com suas respectivas variantes de formas, são evidências de uma fragilidade epistemológica.

Na parte final da obra, Angiolillo e Sangronis explicam brevemente, mas com plena convicção, a certeza do desenho e da execução – desde que o comandante Hugo Chávez chegou ao poder –, de um modelo bem sucedido de defesa integral, implementado na Venezuela, inspirado no pensamento do libertador Simón Bolívar, que se enquadra em três linhas estratégicas: o fortalecimento do componente militar, a união civil-militar e a massiva participação popular na defesa, configurando um método autenticamente venezuelano de enfrentar uma provável guerra, em qualquer das formas que adota no marco da doutrina da intervenção imperialista.

Este livro deve ser conhecido e lido por todos aqueles que, com sentido patriótico, se preparam para manejar qualquer tipo de arma (bélica ou não) em defesa da soberania nacional e da autodeterminação do modelo político e do sistema democrático e estabelecidos nas páginas da Constituição Nacional.

*Publicado originalmente em 'Últimas Notícias' | Tradução de Victor Farinelli



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