Leituras

Marx, gênero e feminismo

 

01/04/2021 11:49

(Divulgação/Boitempo)

Créditos da foto: (Divulgação/Boitempo)

 
Foi lançado há menos de um mês, o livro 'O patriarcado do salário', da filósofa italiana Silvia Federici, que traz ao leitor uma série de artigos abordando a relação entre marxismo e feminismo do ponto de vista da reprodução social.

Retomando diversas discussões presentes nas obras de Karl Marx e Friedrich Engels, a autora aponta como a exploração de trabalhos como o doméstico e o de cuidados, exercido sem remuneração pelas mulheres, teve e tem papel central na consolidação e na sustentação do sistema capitalista.

Revisitando a crítica feminista ao marxismo e trazendo para o debate perspectivas contemporâneas sobre gênero, ecologia, política dos comuns, tecnologia e inovação, Federici reafirma a importância da linguagem, dos conceitos e do caráter emancipador do marxismo.

Ao mesmo tempo, esclarece porque é preciso ir além de Marx e repensar práticas, perspectivas e ativismo a fim de superar a lógica social baseada na propriedade privada e desenvolver novas práticas de cooperação social.

Um trecho do livro para degustação:

“Depois que a esquerda aceitou o salário como a linha divisória entre trabalho e não trabalho, produção e parasitismo, uma enorme parcela do trabalho não assalariado que as mulheres realizam dentro de casa para o capital passou despercebida das análises e estratégias de esquerda''.

''De Lênin a Gramsci, toda a tradição da esquerda concordou com a ‘marginalidade’ do trabalho doméstico para a reprodução do capital e com a marginalidade da dona de casa para a luta revolucionária. Para a esquerda, na condição de donas de casa, as mulheres não sofrem por causa da evolução capitalista, mas pela ausência dela. Nosso problema, ao que parece, é que o capital não organizou nossas cozinhas e nossos quartos, o que gera uma dupla consequência: a de que nós aparentemente trabalhamos em um estágio pré-capitalista e a de que qualquer coisa que fazemos nesses espaços é irrelevante para a transformação social''.

''Pela lógica, se o trabalho doméstico é externo ao capital, nossa luta nunca causará sua derrocada.”

O título original do presente volume é Patriarchy of the Wage: Notes on Marx, Gender, and Feminism. A tradução é de Heci Regina Candiani, e a orelha do volume é de Bruna Della Torre. A autora nasceu na Itália, em 1942, e, além de escritora é professora e militante feminista.

No fim da década de 1960, mudou-se para os Estados Unidos; lá, em 1972, ajudou a fundar o International Feminist Collective - Coletivo Internacional Feminista - e, então, lançou uma campanha por salários para o trabalho doméstico. Pela Editora Boitempo ela também publicou Mulheres e caça às bruxas, em 2019.

*Com informações da Boitempo Editorial



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