Leituras

Mike Davis: A peste do capitalismo - coronavírus e a luta de classes

Para o autor americano apenas os grandes movimentos sociais têm chance de mudar a cruel representação da desigualdade atual escancarada pela covid-19 no mundo

21/08/2020 16:21

 

 
Trata-se de leitura que vem a propósito, num momento em que se escancara, com o desastre da pandemia da corona-19 no mundo inteiro, porém em especial nos países em desenvolvimento e nos mais pobres, a escandalosa desigualdade de classes sociais/econômicas praticada e reforçada pelo sistema capitalista.

Esta é a décima obra da coleção Pandemia Capital, A peste do capitalismo, do escritor americano Mike Davis, (Ed.Boitempo) que traz ao leitor um inédito e inflamado ensaio sobre os impactos do coronavírus sobre as populações do mundo.

Davis faz uma breve introdução abordando algumas das doenças mortais que assolaram o mundo desde o começo do século XX como a gripe espanhola, ebola e influenzas: “Essa história – especialmente as consequências desconhecidas das interações com subnutrição e infecções pré-existentes – deveria nos alertar para o fato de que a covid-19 pode tomar um caminho diferente e mais letal nas favelas densas e insalubres da África e do Sul Asiático”.

Em um trecho do livro ele escreve:

''Os republicanos vêm rechaçando todos os esforços para reconstruir as redes de segurança destruídas pelos cortes orçamentários da recessão de 2008. Os departamentos municipais e estaduais de saúde – a primeira (e vital) linha de defesa – dispõem hoje de equipes 25% menores que doze anos atrás, quando ocorreu a crise financeira.

Além disso, ao longo da última década, o orçamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças caiu 10% em termos reais.

Desde a coroação de Trump, as insuficiências fiscais só se exacerbaram.

O jornal The New York Times noticiou recentemente que “21% dos departamentos municipais de saúde registraram reduções em seus orçamentos para o ano fiscal referente a 2017”. Trump também fechou o escritório de pandemia da Casa Branca, uma diretoria instituída por Obama depois do surto de ebola em 2014 e criada para garantir uma resposta nacional rápida e bem-coordenada contra novas epidemias.”

Nascido na Califórnia, Davis tem 74 anos, quando jovem trabalhou como açougueiro para ajudar a família, e também como motorista de caminhão. Militou no Partido Comunista do sul californiano, é formado pela UCLA em Economia e História. Vive e trabalha em San Diego, é professor da Universidade da Califórnia e integra o Conselho Editorial da New Left Review. É autor de vários livros, inclusive Planeta favela, da Boitempo.

O atual livro propõe um diagnóstico e um prognóstico da evolução da crise sanitária e social que se desdobra neste instante. Com especial atenção ao descontrole da pandemia nos Estados Unidos, Davis escancara a fragilidade do acesso à saúde no país, que não conta com sistema universal de atendimento.

Quarenta e cinco por cento da força de trabalho estadunidense não tem acesso a ausências remuneradas por motivos de saúde. “Essas pessoas são, portanto, virtualmente compelidas a optar entre transmitir a infecção ou abrir mão de suas rendas mensais”, ele escreve.

Para o autor, apenas os grandes movimentos sociais terão alguma chance de quebrar o poder das grandes corporações farmacêuticas e criar um sistema de atendimento à saúde organizado não em função do lucro, mas com prioridade à vida.

Pandemia Capital é uma série especial de obras digitais curtas, objetivas e com preços acessíveis, que aborda a crise atual, agravada pelo novo coronavírus e suas implicações na sociedade, na psicologia e na economia.

Os direitos autorais das obras são revertidos para movimentos sociais e organizações dedicadas a oferecer apoio humanitário a populações em situação de emergência no Brasil e no mundo.

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