Leituras

Poesia da periferia baiana para o mundo

Livro com 'cem poetas das quebradas' será lançado em Salvador

30/05/2018 16:18

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Créditos da foto: Divulgação

 
Livro com cem poetas das quebradas será lançado em Salvador. "Vai ter sarau, venda de artesanato, brincos, turbantes, livretos e apresentação musical durante o evento", promete, com muito bom humor, a organização da importante apresentação.

 A obra Poéticas Periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana reúne textos de poetas e poetisas da periferia de Salvador, Bahia e será lançada no próximo 08 de junho.

O texto da orelha do volume é de Maíra Azevedo, a Tia Má, jornalista, atriz e digital influencer, e as apresentações são de Geilson dos Reis, pedagogo e professor, e de Dhay Borges, do Coletivo de Entidades Negras – CEN. A capa é do poeta Marcos Paulo da Silva e a contracapa é de Allison Chaplin.

O financiamento do trabalho foi feito através da 1ª Chamada do edital Calendário das Artes 2017, da Fundação Cultural do Estado da Bahia, entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado.

Participam do livro poetas dos coletivos Sarau da Onça, Slam da Soronha, Sarau do Gheto, Sarau do Jaca, Sarau do Cabrito, Coletivo Cabeça, Sarau do Gato Preto, A Tu Ar, Sarau da Laje, Zeferinas, Sarau Arte Livre, Slam da Quadra, Sarau Urbano, Coletivo Boca Quente, Coletivo Pé Descalço, Coletivo G13, Resistência Poética, Poeta com P de Preto, Slam das Minas, Coletivo Nosso Palco, Coletivo Pega Visão, Cine Sindicato, A Currute Poesias, CEPA Jovem, A Pombagem, Sarau Enegrescência, dentre outros.

Os poetas participantes do livro são Vinícius Araújo, Gisele Soares, Marcos Paulo Silva, Cairo Costa, Riick Stiller, Camila Ceuta, Alex Bruno, Milica San, Mateus Skyjin, Taíssa Cazumbá, Preto Jhoy, Samuel Lima, Breno Silva, Isadora Nascimento, Kelvin Santos, Thi Zion, Dricca Silva, Negreiros Souza, Rilton Junior, Lislia Ludmila, Amanda Quésia, Preto Disgraça, José Cláudio Onofre, Danilo Lisboa, Josue Ramiro Ramalho, Ray Santana, Giovanni Cavalcanti, Conceição Ferreira, Lázaro da Paz, Marivaldo Gomes Gonçalves, Victória Alcântara, Tiago Oliveira Nascimento, David Alves, Gonesa Gonçalves, Lidiane Ferreira, Jennifer Santana, Iago Santana, Ian Santana, Amanda Denis, Ayala Santana, Jenifer Oliveira, Rool Cerqueira, Vanessa Coelho, Jaqueline Ferreira, Mariana Oxente Gente, Kuma França, Lucas Silva, Guy Falcão, Heder Novaes, Pareta Calderasch, Niel Souza, Jackeline Pinto Amor Divino, Pedro Zaki, Pedro Maia, Allison Chaplin, Pedro Lucas, Anajara Tavares, Alan Felix, Andrei Williams, Geilson dos Reis, Udimila Santos, Marina Lima, Gamp, Igi Emi, Indemar Nascimento, Carlos Leleco, Carlos Meneses, Renildo Santos, Celeste Costa, Fabricio Britto e Patric Adler, Davi Mariston, Chirley Pereira, Manuela Ribeiro, Poeta Noite e Mano Jack, Gleide Davis, Zenon Santos, Fabrícia de Jesus, Bia Santana, Júlia Victória Tavares dos Anjos, Evanilson Alves, Diana Manson, Larissa Barros, Ayran Búfalo Reis Yaiá, Adriana Gatto, Michelle Saimon, Zezé Olukemi, Lucas Barbosa, Luan Victor, Luz Marques, Edson Junior, Rafael Pugas, Fabiana Lima, Ludmila Singa, Iaiá Vilanueva, Sandro Sussuarana, Jamile Santana, Yuna Vitória, Adriele do Carmo e Damiana Sá.

Na festa de lançamento dessa coletânea de poemas os mestres de cerimônia Valdeck Almeida e Renata Rimet vão apresentar a Banda Zimoblack. Entre 18h e 20h30m o microfone estará aberto para os poetas e a partir de então será iniciada a sessão de autógrafos.

Com cerca de 100 poemas, o livro é resultado do trabalho coletivo de vários protagonistas de saraus, slams, grupos e coletivos de artistas da palavra, que representam quase três milhões de vozes da capital baiana.

Nele, o registro de parte da produção literária de Salvador traz denúncias contra o genocídio da juventude negra e periférica, racismo, homofobia, racismo religioso, machismo e todas as opressões. E também há poemas de amor, sonhos e alegria.

A publicação pretende dar visibilidade a esses grupos, proporcionar a compilação de poemas para fontes de pesquisas, além de valorizar o movimento de leitura e escrita e fortalecer políticas de formação de leitores facilitando o acesso à produção poética da periferia. O projeto é instrumento importante de estímulo à criação poética para fortalecer o trabalho em grupo que já vem sendo realizado pelos diversos coletivos.

Adriele do Carmo, da Sarau Arte-Livre, diz: "Ter um poema  publicado em um livro que conta com nomes tão importantes e respeitados na literatura periférica de Salvador é confirmação da importância do meu trabalho".

Já Milica San observa: " Dou sincero e alto valor a esta reunião de poesia. Um sarau em papel impresso. Nossas idéias juntas, nossos traços, nossos versos." Fabrício Britto é outro que declara: ‘’Feliz de participar de uma obra tão representativa para a periferia porque essa experiência propicia a publicação de uma poesia que tem dez anos."

Amanda Quésia comenta que ‘’ é de extrema importância participar desse livro, onde pretas e pretos relatam suas experiências e escrevem sobre a nossa realidade, cada vez mais desafiadora no nosso dia a dia. Mostramos, a partir desse livro, que temos voz, sim, e não vamos nos deixar calar diante de tantas desigualdades."

Thi Zion por sua vez: "Numa época de subtração de direitos arduamente adquiridos por organização e luta de vários movimentos e entidades sociais, a arte grita seu repúdio contra a tirania e exploração hegemônica, contra toda forma de violência expressa num biopoder que se acha no direito de paralisar determinadas camadas sociorraciais." E continua: "A poesia não pode ser apenas perfume - na rosa ela também é espinho e fura, sangra, e às vezes, é nosso próprio sangue banhado nela."

Danilo Lisboa vê essa obra literária como ‘’um marco para a poesia periférica soteropolitana. Ela propõe algo que supera o conceito de antologia.  É uma unificação das ideologias se revelando como um grito de desabafo perante as injustiças, mostrando que, embora haja poetas e poetisas deste trabalho que ainda não se conheçam, as nossas indignações se assemelham."

Para Zezé Olukemi, ‘’ a poesia ainda é um dos principais veículos que transportam a opinião da periferia para o mundo. A manifestação do pensamento falado ou escrito não tem fronteira e nem barreiras. Fazer parte de uma obra como esta só fortalece os laços com a minha comunidade; e mesmo me dando asas para voar, me dá base, sustento e raiz."

Colaboradora do projeto, Renata Rimet sustenta que ‘’a arte nos aproxima, nos integra, nos torna sociedade de fato. A poesia da periferia mostra sua cara. É importante descrever mazelas e destruir a grande farsa; é com inteligência, sabedoria e uma caneta nas mãos que essa turma contra-ataca. ’’ E prossegue: ‘’É a voz da periferia, palavra de ordem, desordem, agonia, em busca do seu espaço, respeito e verdadeira cidadania."

Na visão do jornalista e poeta Valdeck Almeida de Jesus, "as políticas públicas relativas à cultura são, na sua gênese e nas bases legais, acessíveis a todas e todos, de forma democrática e universal. Entretanto, o financiamento, nem sempre consegue chegar aos poetas de rua, das periferias. ’’

Atualmente, o grupo está procurando participar da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em agosto, com uma tarde de autógrafos. Parte dos exemplares será entregue à Secretaria de Cultura do Estado para doação a bibliotecas públicas e comunitárias e outra parte será distribuída entre os poetas como pagamento dos direitos autorais e geração de renda para a manutenção dos coletivos.

Boa sorte e muito sucesso a todos!

* A entrada é gratuita. Sala King da Funceb, Rua Saldanha da Gama, 14, Pelourinho, na antiga sede do Liceu de Artes e Ofícios.

Preço do livro: R$ 30,00. Contato com autores pelo telefone 71 99345 5255 ou pelo email poeta.baiano@gmail.com



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