Luta no Campo

"Vamos construir o MST nos centros urbanos", anuncia o líder Gilmar Mauro

O líder do MST é o primeiro entrevistado de uma série que Carta Maior publicará regularmente. Em breve, estarão disponíveis arquivos em vídeo desta entrevista

28/11/2001 00:00

(Reprodução/MST)

Créditos da foto: (Reprodução/MST)

 

Um dos principais líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), em entrevista exclusiva para a Carta Maior, revela: “Vamos construir o MST nos centros urbanos”.

A idéia do Movimento é organizar núcleos urbanos, novos tipos de assentamento e novas formas de luta. “Economicamente, os assentamentos próximos aos grandes centros, com a utilização de mais tecnologia e investimento em plantações orgânicas, são mais viáveis. Do ponto de vista social, eles ajudariam a resolver o problema do desemprego, da pobreza e da miséria”, esclarece Mauro, que entrou contrariado por seus pais para o MST com apenas 18 anos, em 1985.

Um dos 24 membros da direção nacional do MST, ele tem apenas o 1º grau completo. “O MST foi a minha grande escola”. Para ele, “o movimento já entrou para a história do país, mas nós queremos mais: uma transformação social que faça a massa popular ser sujeito na história”.

Confira a seguir um resumo da entrevista realizada pela equipe da Carta Maior

Como é que se articula o componente de democracia com o ideal revolucionário das invasões de terra?

É impossível pensar em uma verdadeira reforma agrária sem mudanças na estrutura de poder. O governo não faz e nunca fez reforma agrária no nosso modo de entender. A questão agrária, para a elite brasileira, foi resolvida nos anos 60, quando se pensou o modelo de agricultura a partir de estruturas de propriedade do período colonial. O que se tem hoje são políticas de assentamento.

Quantas famílias já foram assentadas no Brasil? E quanto desses assentamentos foram feitos pelo governo FHC?

Foram assentadas em torno de 450 mil famílias no Brasil em toda a história. Em torno de 250 a 300 mil famílias na gestão Fernando Henrique. Mas os assentamentos são frutos da mobilização das ocupações de terra. Recentemente, eu fui a um lançamento de uma pesquisa do Nead (Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural) que comprova isso. Na maioria dos assentamentos, as desapropriações se deram por causa de conflitos da ocupação de movimentos sociais. O Estado brasileiro não tem uma política de reforma agrária, sempre agiu em função desses conflitos, em reação. Nos últimos dez anos, um milhão de pequenos agricultores deixaram o campo por causa da abertura econômica e das políticas agrícolas implementadas no Brasil. Se, em toda nossa história, conseguimos assentar 450 mil famílias e, em apenas dez anos, perdemos um milhão de famílias do campo, é a mesma coisa que se estivéssemos tirando de colher e eles colocando de pá.

Mas, voltando à primeira questão, como é que fica a questão revolucionária com a democracia?

O modelo de agricultura brasileiro é baseado em quatro grandes objetivos: produzir para a exportação, produzir matérias-primas para as indústrias, produzir para o mercado e, nos anos 60, liberar mão-de-obra do campo para a cidade. É diferente de outros países que desenvolveram reformas agrárias para desenvolver o capitalismo nas suas agriculturas como os Estados Unidos, Itália, França, Japão etc. No Brasil, aproveitou-se a tecnologia da chamada “revolução verde” e da concentração fundiária para se desenvolver o capitalismo na agricultura sem a necessidade de um reparte de terras. Agora, a situação se agrava ainda mais. Com a introdução da biotecnologia como modelo ou continuidade do programa da “revolução verde”, há menos necessidade de reparte de terras no sistema capitalista. A luta pela reforma agrária, nesse sentido, passa a ter um caráter político cada vez maior. É impossível pensar em reforma agrária dentro de um projeto neoliberal. É preciso alterar a estrutura de poder para se fazer reforma agrária. Nós não vamos esperar alguém tomar o poder no Brasil com uma visão progressista para que a reforma agrária seja feita. Desde os primórdios, ficou estabelecido que a luta principal do MST é pela terra, pela reforma agrária e por transformação social. E essas duas últimas só acontecem com a luta das massas. Na nossa lógica, as conquistas econômicas -mesmo corporativas e parciais-, vêm da luta, e não do resultado de negociações. Para nós, a negociação é a assinatura de uma súmula de um jogo já realizado. Se você não tem força política, você não vai negociar absolutamente nada. Na perspectiva política, a luta forma, desenvolve consciência política e desenvolve no ser humano a capacidade de entender que ele pode ser o sujeito de sua história. Então, a maior formação político-ideológica do MST, embora as pessoas não entendam assim, são os nossos acampamentos e enfrentamentos diretos com o latifúndio. Aparecem várias contradições. É o latifundiário -que aciona o Poder Judiciário-, a polícia, os meios de comunicação, a própria sociedade... Enfim, você tem uma aula de como funciona a sociedade a partir de uma ação. A partir das conquistas, você desenvolve um processo de acúmulos de forças que nós chamamos de organicidade. Um assentamento só tem sentido ao projeto de reforma agrária se houver uma continuidade da luta pela reforma agrária. O acúmulo de forças através dos assentamentos, da militância e dos quadros que você constrói é que dão essa dimensão política para fazer a luta imediata.

Dá para levar um grande contingente da população para viver no campo? Elas querem viver no campo? Isso tem viabilidade econômica?

É verdade que existe uma certa recusa da população em relação a ir para o campo porque existe uma propaganda ideológica muito grande contra o MST. Há uma piada famosa em que padre, depois de um discurso muito bonito sobre o céu, faz a pergunta aos fiéis: "Quem quer ir para o céu?". Foi unanimidade, todo mundo levantou a mão. Prosseguiu o padre: "E quem quer ir amanhã?" Aí já não houve unanimidade. A maioria queria ficar mais um tempo aqui na Terra, pois para ir para o céu é preciso morrer. O mesmo acontece hoje na luta pela terra. Se você pergunta "quem quer terra?", a resposta positiva será unânime. Agora quando a pergunta é "quem quer ir para a ocupação?", o negócio muda de figura. Esse dado de que as pessoas querem ir para o campo é verificado pela campanha de cadastramento dos Correios do governo: 860 mil famílias se cadastraram até agora. E o governo parou de fazer a propaganda porque imaginou que não ia dar muita gente. Fizeram aquela propaganda da porteira aberta: "não pule a cerca, cadastre-se nos Correios".

Estamos fazendo assembléias com o povo cadastrado em Campinas. É uma metodologia que nós criamos a partir do cadastro dos Correios. Muita gente chegou a criticar, mas eu defendi dentro do MST -e hoje é unanimidade- que nós deveríamos estimular as pessoas a se cadastrarem nos Correios. Isso pode se transformar num abaixo-assinado pela reforma agrária. Em Campinas, as assembléias chegaram a ter mil pessoas. Eles são camponeses, vieram da roça dos anos 70, dos anos 80. A migração para as cidades é muito recente. Por isso, eu tenho absoluta certeza que tem muita gente interessada em trabalhar na terra hoje.

Mas os assentamentos não estão economicamente falidos?

Uma parte, sim, como toda a agricultura em geral. A mesma pesquisa do Nead que eu já citei constatou que, nas regiões pesquisadas (DF, sul da BA, sul do PA, zona canavieira do NE e oeste catarinense), mesmo com o problema de créditos, da falta de assistência técnica, 52% dos assentamentos estão na média ou acima da média de produção regional. Do ponto de vista econômico, o assentamento é viável. Mas são mais viáveis, os assentamentos próximos aos grandes centros, às cidades, diminuindo o módulo de terra e permitindo acesso de uma certa tecnologia, investindo em plantações orgânicas etc. Do ponto de vista social, isso teria um impacto enorme porque vai ajudar a resolver o problema dos "inempregáveis", que sabem trabalhar a terra. E você pode também conjugar terra com outras coisas. A família tira um sustento, tem uma casa para morar, uma qualidade de vida melhor e o filho pode trabalhar na indústria, ou por meio período na terra e meio período na indústria.

Mas a obsessão de vocês não é agredir o latifúndio?

O latifúndio é uma simbologia muito grande. É a estrutura que sustenta o poder político em várias regiões no país. Embora hoje seja muito difícil você ter o latifúndio "puro" e o capital agrário "puro". Há uma mistura entre o capital industrial, comercial e agrário. Os grandes proprietários de terra estão aqui na Avenida Paulista, em seus escritórios. Então, a ocupação do latifúndio tem um sentido político, de enfrentamento à propriedade privada da terra. Mas esse novo tipo de assentamento vai ajudar a solucionar problemas sociais enormes. Inclusive, já estamos discutindo uma parceria com o Incra e a prefeitura de Campinas.

Vocês estão criando uma opção menos conflituosa?

Na minha opinião, os conflitos vão ser ainda maiores nessas nossas novas investidas. Os donos de terra nas regiões metropolitanas são geralmente as grandes corporações. Exemplo disso é uma área enorme, que liga Porto Feliz quase até Campinas, pertencente à União, que produz o açúcar União. São 29 mil hectares onde só se produz cana. Em 29 mil hectares você pode assentar mais de mil famílias. Isto provocaria um grande impacto na região. A grande maioria do setor sucro-alcooleiro no Brasil passa hoje por uma profunda crise econômica, mesmo com enormes subsídios. Aqui em São Paulo, há empresas aí que devem R$ 1 bilhão. Do ponto de vista sócio-econômico, eu aposto com quem quiser que é muito mais viável você assentar mil famílias em 2 hectares produzindo hórti-fruti, tendo uma qualidade de vida, do que um mar verde de cana.

É uma forma de superar o desinteresse dos desempregados em relação aos assentamentos mais distantes?

Nós temos hoje no Brasil cinco milhões de produtores agrícolas. Destes, 800 mil são grandes. E entre os grandes, 200 mil estão viabilizados economicamente e os outros 600 mil estão em crise. São esses que estão renegociando as dívidas agora no montante de R$ 32 bilhões e já conseguiram. A abertura comercial brasileira, o câmbio etc., somado aos grandes subsídios dos Estados Unidos -onde 66% da renda dos agricultores advêm de subsídios- prejudicaram enormemente a agricultura. Dos 4,2 milhões de pequenas e médias propriedades agrícolas no Brasil, 700 mil estão viabilizados economicamente. É o setor de alta tecnologia, integrada a algumas agroindústrias. O restante está em profunda crise. E há uma perspectiva de que nos próximos cinco anos, pelo menos 13 milhões de brasileiros deixarão o campo rumo às cidades. Nos anos 70, o cara tinha perspectiva de virar metalúrgico, trabalhar na construção civil, qualquer coisa. Hoje, não existe essa possibilidade nem para os que estão aqui. É preciso repensar a agricultura e a reforma agrária como forma de conter esse êxodo, depois reverter o quadro permitir que uma parte dos desempregados que vieram nessa migração dos anos 70 voltem para a terra para garantir o seu sustento. De novo, vem a idéia de assentamentos que vinculem produção agrícola com indústria e outras atividades. É a perspectiva de resolver um grave problema social e, do ponto de vista econômico, acabar com a fome e a miséria neste país.

As ocupações não permitem que a mídia trabalhe isso contra vocês? E em que se inspira isso historicamente? É desobediência civil?

Nós andamos na linha da legalidade. Vamos um pouquinho lá fora, mas voltamos para a legalidade. Se você pegar a Constituição e analisar toda a parte dos direitos sociais e individuais que estão contidos lá e sobre própria reforma agrária, mesmo com todas limitações, eu diria que nós estamos reivindicando o cumprimento da Constituição a respeito das questões sociais e individuais no nosso país. A desobediência civil é um direito que as pessoas têm quando não são asseguradas as condições mínimas de sobrevivência. Eu acho que não é um ato radical você romper a cerca de um latifúndio enquanto existem seres humanos morrendo de fome. Muito pelo contrário, é um ato justo. Em um país em que 50 milhões de pessoas passam fome, ocupar um latifúndio para fazê-lo produtivo e tirar a sua própria sobrevivência é um ato em defesa do ser humano, mais do que tudo.

E quando vocês invadem uma área e, à noite, uns jagunços matam lideranças e nada acontece?

Historicamente, as mortes no campo diminuíram. E não é porque o governo foi bonzinho e coibiu a ação dos latifundiários. É porque a ação organizada das famílias evita em grande medida a ação dos pistoleiros. Na medida em que se tem 500 famílias em um acampamento, fica difícil três pistoleiros chegarem lá e darem tiros. Agora, quando está o posseiro sozinho na sua terra, é óbvio: chegam dois lá e matam o cara. Há um processo de assassinato seletivos, com listas de lideranças. Aí é uma questão política mesmo. No Pará, quatro militantes nossos estão marcados para morrer. No Mato Grosso do Sul, eles estão indo dentro dos assentamentos já conquistados e liberados para matar as nossas lideranças. Não é uma ação contra uma ocupação de terra, é contra as pessoas, os indivíduos.

Mas e a relação de vocês com a mídia?

Primeiro, a mídia não bate no MST porque nós ocupamos terra. A mídia bate no MST porque povo organizado dentro neste país é um perigo. A elite brasileira tem ojeriza a povo organizado. Quando a revolta de Canudos foi derrotada, criou-se o estigma de que era um grupo que defendia a monarquia. E pela primeira vez na história do Brasil se utilizou um instrumento novo para combater os revoltosos: o canhão. No Contestado, em Santa Catarina, utilizou-se o avião para combater o movimento. E hoje se usa a imprensa para combater o MST. Se você pegar o jornal “Estado de São Paulo” de 1883, eu fui ver, quais eram as notícias que eles publicavam? “Escravos fugitivos da fazenda tal assaltam fazenda do interior paulista, levam pânico à região e a polícia está ao encalço deles” A carga preconceituosa desse jornal ao tratar os escravos, os sem-terra e todos aqueles que desafiarem o poder nesse Brasil vai ser a mesma. O dia que o Estadão fizer um editorial elogiando o MST, nós temos que reavaliar o movimento. A mídia é parte do poder econômico. Nós não vamos combater a grande mídia só com informações ou grande ações de impacto, mas organizando gente, militantes nas cidades, núcleos... Nada substitui o contato direto. Pode fazer a propaganda que quiser, mas fazer propaganda não é organizar. O trabalho de base é muito mais eficiente.

Quais são as novas propostas, teses e táticas, do MST?

Nós vamos fazer uma reavaliação da questão da reforma agrária, nesse sentido de trabalharmos para organizar o público urbano. Começar a construir o MST nas cidades. O MST tem que ver a cidade como um grande acampamento. Organizar núcleos urbanos, novos tipos de assentamento e novas formas de luta. Nós estamos aqui em São Paulo com 50 militantes no ABC, em Mauá. Fazendo aliança com o operariado, desenvolvendo esse trabalho do cadastro nos Correios, trabalhando em reuniões de grupo em igrejas etc. Nós temos um trabalho fantástico aqui com o povo de rua e ninguém vê. E com um povo portador de HIV, que ninguém vê também. Nós já levamos 19 ônibus com o povo de Campinas para visitar acampamentos. Eles podem até não ir para a ocupação, mas viram propagandistas do MST.

Está faltando comida nos acampamentos. Muita gente chega e muita gente vai embora. Como é que vocês vão conseguir resolver esse problema? É parte da reação do governo de FH contra o MST?

Não tem solução se nós não resolvermos um problema maior aqui no Brasil. É preciso redistribuir renda, riqueza. Esse problema da falta de comida não se resolve, se ameniza. Nós procuramos amenizar com a solidariedade. No Nordeste, nós fizemos saques para poder resolver o problema de imediato. Aqui em São Paulo também. Eu defendo o saque. O povo está passando fome e pode saquear que vai contar com o apoio do MST. No Nordeste brasileiro, isso é histórico. Nós estamos vendo muita gente que veio embora e que agora está voltando de novo porque aqui nas cidades as condições são piores. É muito relativo. A reação do governo se dá em três campos diferentes. O primeiro é a mídia. Eles começaram atacando a questão política. "O MST está trazendo arma, está treinando guerrilha". Mas nunca ninguém provou coisa nenhuma. Agora eles pegaram a questão moral. Afetam o nosso brio, quando nos chamam de corruptos e de violentos. São dois problemas que a sociedade enfrenta e obviamente cria o estigma para tentar nos isolar da sociedade. Isso diminuiu o apoio da classe média ao MST. O segundo cerco é do ponto de vista das próprias ações do governo. Quem ocupar, não vai ser assentado. Área ocupada, por dois anos não pode ser vistoriada. Terceiro, corta os créditos. Cortou o Procera. Hoje é um outro crédito, o Pronaf, com enormes dificuldades para liberar. Corta cesta básica dos acampamentos. É parte da estratégia do "Arte da Guerra" de você derrotar o inimigo. Até 1998-1999, nós fizemos as ações e o governo corria atrás das ações do MST. A elite brasileira percebeu, com o descenso dos movimentos sindical e populares, que o MST tomou a frente e começou a elaborar uma estratégia muito mais refinada contra nós. A nossa alternativa é ir para o meio do povo. Massificar a luta e nós vamos massificar. Pode escrever.

E as ocupações ficam em segundo plano?

As ocupações vão continuar. Mas nós não fazemos trabalho de base objetivando a ocupação. O trabalho de base é feito para o desenvolvimento de uma consciência a respeito da reforma agrária. A ocupação já é o próprio reconhecimento do indivíduo de que não tem outra alternativa a não ser a reforma agrária. Nós queremos recolocar a reforma agrária no debate político. E como é que se recoloca? Indo para o meio urbano, organizando mais gente, fazendo ações de massa. Eu acho que nós vamos entrar em uma nova fase no próximo ano, em um novo ascenso na luta pela terra e pela reforma agrária. Espero que o crescimento não seja só nosso, mas dos movimentos operário e popular em geral.

Qual é a posição que o MST vai tomar para as eleições de 2002? E qual é o panorama que vocês estão enxergando para as próximas eleições?

O MST não descarta a luta eleitoral. Nós sempre apoiamos candidaturas, elegemos o melhor que a gente puder. Para a gente, quanto melhor, melhor. Nós não somos da teoria que quanto pior, melhor para fazer luta. Essa é a teoria de quem não está na luta de massas. "Elege um pior que aí desgraça tudo e o povo se revolta". Mas não ele que apanha! Se tiver um governo que não bate em nós já está bom. Se contribuir, melhor ainda. Eu acho que os militantes do MST não devem ser candidatos. Nossa tarefa política é organizar o povo. A construção do poder popular não passa somente pelas vias eleitorais, democráticas, formais. Passa pela construção de uma nova consciência e por uma nova organização. Essa nossa tarefa é muito mais importante do que estimular o Gilmar a disputar um cargo de deputado federal, por exemplo. E geralmente quem vai para lá, dificilmente volta para a luta de massas. É preciso conjugar as duas coisas. Eu acho que o PT é um partido importante, a luta eleitoral tem que ser feita. Mas não se fará transformações profundas nesse Brasil se nós não construirmos um poder popular. E o poder popular não se constrói em períodos eleitorais. Nós não temos muita opção. Acredito que até o PT se aproveita dessa situação. Quem nós vamos apoiar se não for o Lula? Eles estão muito tranqüilos porque não precisam negociar nada. Apoiarmos o Lula explicitamente com esse programinha do Instituto da Cidadania é bravo, né! Dá para dar um apoio crítico? É uma situação difícil porque eu não concordo com o programa do PT. Mas nós não temos outra opção. Nós vamos ter que apoiar o Lula. Eu vejo que se o Lula ganhar, vai ser um governo de muitas contradições, com muitos problemas. Eu espero que nós possamos avançar, construir, nos fortalecer. Não só o MST, mas todos os movimentos populares.




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