Mãe Terra

Acelerada extinção de espécies alarma cientistas ingleses

22/03/2004 00:00

Porto Alegre - O temor de que a Terra está atravessando um processo massivo de extinção de espécies, similar ao que destruiu os dinossauros há 65 milhões de anos, ganhou terreno com a publicação, dia 18 de março, de dois estudos na Inglaterra, financiados pelo Conselho Britânico de Investigação Natural. Publicados pela revista Science, eles apontam que o índice de desaparecimento de espécies de insetos e plantas na Inglaterra vem crescendo em um ritmo alarmante. Segundo o editor da publicação, Andrew Sugden, o mundo está seriamente ameaçado de sofrer uma nova extinção massiva. Nos últimos 600 milhões de anos, a Terra já sofreu cinco extinções massivas e pode estar prestes a enfrentar a sexta, advertiu Sugden.

Nos casos anteriores, a recuperação da biodiversidade levou de 5 a 10 milhões de anos. Alguns dos processos de extinção foram tão dramáticos que acabaram com mais de 90% de todas as formas de vida. A última teria acontecido, segundo estimam os cientistas, há cerca de 63 milhões de anos, causando o desaparecimento dos dinossauros. Uma das hipóteses mais conhecidas sobre o fenômeno diz que a extinção foi provocada pela queda de um asteróide na Terra. As causas das outras extinções ainda são desconhecidas pela Ciência. Segundo o que se sabe até agora, a maior delas ocorreu há cerca de 250 milhões de anos, aniquilando 96% das espécies existentes no planeta.

Modelo econômico é o responsável
A diferença é que, desta vez, o responsável pelo fenômeno não é nenhum meteoro, praga ou cataclismo - que, segundo avaliam os cientistas, seriam os causadores das extinções anteriores -, mas sim o próprio homem e um modelo econômico que destrói progressivamente o meio ambiente e promove desequilíbrios de toda ordem. A hipótese de uma "sexta extinção" baseava-se até agora em dados que cobriam zonas geográficas reduzidas e havia pouca informação sobre a situação populacional dos insetos, que constituem metade das espécies conhecidas no planeta. Agora, os cientistas obtiveram informações sobre a evolução desse fenômeno em todo o território inglês e não gostaram nada do que descobriram.

Os índices de redução da biodiversidade na Inglaterra alarmaram os responsáveis pela pesquisa. Os dois estudos sobre a extinção de mariposas britânicas, aves e espécies de plantas foram escritos por Jeremy Thomas, do Centro de Hidrologia e Ecologia no sudoeste da Inglaterra, e por Carly Stevens, da Open University. Thomas concluiu que os índices de extinção dos últimos séculos são centenas de vezes mais altos do que a média histórica do planeta, aproximando-se perigosamente dos índices de desaparição de espécies verificados nas últimas cinco extinções massivas.

Borboletas e aves, espécies ameaçadas
Em sua pesquisa, Thomas descobriu que 71% das espécies de borboletas e 54% das espécies de aves britânicas experimentaram perdas significativas ou extinções drásticas. Carly Stevens, por sua vez, constatou que numerosas espécies de plantas desapareceram completamente ou tiveram expressiva redução. "Até onde sabemos, este processo de extinção está sendo provocado por um único organismo animal, o homem", declarou Thomas.

Os pesquisadores examinaram todas as populações de plantas, aves e borboletas da Inglaterra nos últimos 40 anos, chegando à conclusão de que todos os grupos destas espécies estão sofrendo declínio populacional. As borboletas são as mais afetadas, com uma redução de 13%. Nos últimos 20 anos, cerca de 70% das espécies de borboletas sofreram redução do número de suas populações, concluíram os pesquisadores. Este dado alarmou os cientistas, pois, até então, pensava-se que os insetos fossem mais resistentes à degradação ambiental.

A destruição, degradação e contaminação do habitat dessas espécies é a responsável pela progressiva diminuição de sua população ou total desaparecimento. Os desequilíbrios populacionais também estão relacionados ao processo de aquecimento global, provocado pela emissão de gases poluentes. Em alguns casos, constataram os cientistas ingleses, espécies animais e vegetais registraram crescimento populacional porque o aquecimento global aumentou seu território em direção ao norte da Inglaterra, normalmente mais frio. Isso também não chega a ser uma boa notícia, advertiram os pesquisadores, pois evidencia o surgimento de desequilíbrios de outra ordem. E mesmo o crescimento populacional de algumas espécies não fez diminuir a taxa geral de extinção. Se a temperatura global não estivesse aumentando, a taxa de extinção de espécies na Inglaterra seria ainda maior. Por outro lado, a elevação das temperaturas está provocando o degelo de calotas polares, ameaçando a sobrevivência de outras espécies e o equilíbrio ambiental do planeta como um todo.

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