Mãe Terra

Agricultoras ocupam supermercado no RS e cobram rotulagem

10/03/2004 00:00

Porto Alegre - Centenas de agricultoras, que participavam do IV Acampamento Estadual das mulheres trabalhadoras rurais, ocuparam na tarde desta quarta-feira (dia 10) o prédio de um supermercado, na região central da capital gaúcha, em protesto contra a venda, sem rotulagem, de produtos que possuem transgênicos em sua composição. Adesivos com o a letra "T", dentro de um triângulo amarelo, regulamentado pelo governo federal como símbolo obrigatório para identificar produtos que contenham organismos geneticamente modificados, foram colados em embalagens de óleo de soja, margarina, chocolates, biscoitos, cereais, massas para bolos, entre outros, que estavam nas prateleiras do supermercado. As agricultoras também fizeram uma caminhada pelo centro de Porto Alegre, onde distribuíram materiais explicativos, alertando a população sobre o risco do consumo de alimentos que contenham transgênicos.

No supermercado, os produtos que receberam adesivos contêm ingredientes feitos a partir de soja transgênica e não estavam rotulados, conforme prevê a lei. Segundo Nina Tonin, da coordenação do acampamento, as mulheres agricultoras pretendem chamar a atenção da sociedade para o fato de produtos transgênicos que compõem a alimentação diária da população estarem sendo vendidos sem rotulagem. Elas também cobraram providências das autoridades, em especial da Justiça e da vigilância sanitária, para que fiscalizem e punam os estabelecimentos que não estão cumprindo a lei.

As trabalhadoras rurais estão acampadas no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, onde promoveram debates e oficinas para marcar a passagem do Dia Internacional da Mulher. O acampamento, que já está na sua quarta edição, reúne cerca de mil mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Pastoral da Juventude Rural (PJR). A mobilização das agricultoras começou na segunda-feira, com a ocupação de uma área pertencente à empresa Souza Cruz, localizada no município de Pântano Grande. O objetivo da ocupação foi denunciar a existência de grandes áreas de terras, mantidas improdutivas por empresas multinacionais. Nesta quinta-feira (dia 11), as trabalhadoras rurais participam do Tribunal Popular Internacional sobre os Transgênicos, que será realizado no auditório Araújo Viana, em Porto Alegre.

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