Mãe Terra

Ativistas pedem vigilância para novos debates sobre Código Florestal no Congresso

17/06/2012 00:00

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Créditos da foto: Arquivo
Rio de Janeiro - A Cúpula dos Povos foi palco para que artistas, representantes da igreja, políticos e ambientalistas dessem prosseguimento a campanha contra o novo Código Florestal. Com o anúncio, pela presidenta Dilma Roussef, de vetos parciais ao projeto aprovado pela Câmara dos Deputados, a campanha que pregava o “Veta Tudo Dilma” tentará seguir mobilizando a sociedade através da consigna virtual “#oJogoNãoAcabou”.

Durante as diversas falas feitas no ato, os ambientalistas destacaram a importância de manter a sociedade vigilante para que a comissão mista que analisa a medida provisória do Código Florestal, enviada pela presidenta Dilma ao Congresso Nacional, não deteriore ainda mais o texto. Eles alertaram que as mudanças no Código são só o prenúncio de uma série de ataques que a bancada ruralista pretende fazer à legislação ambiental brasileira. O consultor jurídico da ONG SOS Mata Atlântica, André Lima, afirmou que a pauta já anunciada pelos ruralistas incluiu a flexibilização da Lei de Crimes e Infrações contra o Meio Ambiente e a criação de entraves legais para decretação de assentamentos da reforma agrária, reservas de conservação ambiental e terras indígenas e quilombolas.

Durante o ato também falaram personalidades como Dom Guilherme Werlang, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), os deputados Ivan Valente (PSOL-SP) e Alessandro Molon (PT-RJ), o ex-embaixador da Bolívia na ONU, Pablo Solon, representantes das ONGs Greenpeace e WWF Brasil, os atores Marcos Palmeira e Vitor Fazano e a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, recebida pelo público com a palavra de ordem “Brasil, urgente, Marina presidente”.

Em discurso que encerrou o ato, Marina ressaltou que a manifestação não era de oposição ou situação, mas de posição pela defesa do meio ambiente. Entretanto, cutucou o governo ao dizer que o Brasil não deve liderar a luta ambiental mundial através de marketing, mas através de exemplos. Segundo a líder dos verdes, é um paradoxo o fato do Brasil celebrar, às vésperas da Rio+20, a redução da taxa de desmatamento em mais de 83% ao mesmo tempo em que mina as bases da legislação que permitiram essa redução. Marina afirmou que está disposta a apoiar o governo Dilma caso ele assuma de fato na Rio+20 a defesa do desenvolvimento sustentável, mas ressaltou que não se pode ser complacente. Ela terminou seu discurso alertando a plateia que a palavra de ordem correta para o momento seria “Brasil, urgente, a floresta da gente”.



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