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Barragem no Brumadinho: PSOL exige nacionalização da empresa

Na sequência da rutura da barragem que causou um número não determinado de mortes, a Executiva Nacional do Partido Socialismo e Liberdade do Brasil exigiu a nacionalização da Vale, mais investimento na fiscalização das barragens e indemnizações às famílias

29/01/2019 11:54

Zona da barragem de Brumadinho (Jeso Carneiro/Flickr)

Créditos da foto: Zona da barragem de Brumadinho (Jeso Carneiro/Flickr)

 

“Um mar de dor, mortes e lágrimas”. O título da resolução do PSOL dá conta do estado de espírito do partido que “manifesta sua profunda indignação e dor diante do rompimento de três barragens da mineradora Vale e do risco de mais um rompimento, em Brumadinho”.

A direção partidária não hesita em classificar o sucedido como “um crime de proporções inestimáveis em termos de vidas humanas” e em apontar “como responsável direto a empresa Vale” devido à sua política “ de contínua redução de despesas em suas operações”.

Mas não ficam por aqui. Responsabilizam igualmente “o governo e a Assembleia de Minas Gerais, pelo déficit de fiscalização e ausência de leis mais rígidas no controle e monitoramento de barragens” e o “governo federal, que ao invés de sinalizar por regras ambientais mais responsáveis sobre as atividades de mineração, aponta para uma maior flexibilização.”

O PSOL lamenta ainda os “danos ao meio ambiente” e analisa como o “modelo primário exportador”, que estaria sob comando das multinacionais, implementaria um “vale tudo”. Consideram assim que “a mineração, em todo o Brasil, representa um verdadeiro saque aos nossos recursos e os prejuízos recaem sobre o povo brasileiro”. Por isso, querem “dar um basta neste modelo predatório”.

Este partido da esquerda brasileira lembra que a empresa Vale, que responsabilizam principalmente pela derrocada da barragem, viu a sua privatização, em 1997, contestada na justiça e por “quase 2 milhões de assinaturas”. Os contestatários suspeitavam de fraude na venda de uma empresa que estava avaliada em mais de 100 bilhões de reais mas foi vendida apenas por 3,3.

Por tudo isto, propõem um pacote de medidas que inclui a re-nacionalização da empresa, o fim da flexibilização das leis ambientais empreendido por Bolsonaro, o reforço do investimento em fiscalização de barragens, indemnizações para as famílias e o congelamento dos bens dos membros da sua direção para assegurar o pagamento dessas indemnizações, um aumento dos impostos sobre as empresas de mineração que têm tido lucros milionários (por exemplo, a Vale, em 2017 teve lucros de 17,6 bilhões de reais) e um plano de emergência para minimizar os prejuízos ambientais.

*Publicado originalmente em esquerda.net

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