Mãe Terra

Benefícios de proteger o planeta superam custos em 5 vezes

Novo relatório descobre que benefícios econômicos da proteção de 30% da terra e do oceano do planeta superam os custos de 5 para 1

10/07/2020 17:19

As sequoias de segundo crescimento são vistas em um bosque no Joaquin Miller Park em Oakland, Califórnia, em 29 de abril de 2020. A Save the Redwoods League agora se concentra em preservar e restaurar florestas que foram derrubadas nos últimos 100 anos, depois que estudos mostraram que essas florestas capturam mais carbono, mais rápido do que qualquer outra floresta no mundo. (Carlos Avila Gonzalez/The San Francisco Chronicle via Getty Images)

Créditos da foto: As sequoias de segundo crescimento são vistas em um bosque no Joaquin Miller Park em Oakland, Califórnia, em 29 de abril de 2020. A Save the Redwoods League agora se concentra em preservar e restaurar florestas que foram derrubadas nos últimos 100 anos, depois que estudos mostraram que essas florestas capturam mais carbono, mais rápido do que qualquer outra floresta no mundo. (Carlos Avila Gonzalez/The San Francisco Chronicle via Getty Images)

 

"Este relatório nos diz inequivocamente que o tempo para financiar a natureza - para as pessoas e para o planeta - é agora".

Foi assim que Jamison Ervin, gerente do Programa Global de Natureza para o Desenvolvimento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), resumiu um novo estudo encomendado pela Campaign for Nature (CFN), uma coalizão de mais de 100 grupos de conservação e cientistas que apoiam a proteção de pelo menos 30% da terra e do oceano do planeta até 2030.

O relatório “Protegendo 30% do Planeta para a Natureza: custos, benefícios, implicações econômicas” (pdf)” foi divulgado na quarta-feira (8/7) e "é a primeira análise de impactos de áreas protegidas em vários setores econômicos, incluindo agricultura, pesca e silvicultura, além do setor de conservação da natureza", de acordo com a CFN.

Um rastreador on-line gerenciado por um centro do Programa Ambiental da ONU, com o apoio da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), mostra que cerca de 15% da terra e 7% do oceano em todo o mundo atualmente possuem algum nível de proteção. Os mais de 100 cientistas e economistas responsáveis pelo relatório da CFN descobriram que os benefícios econômicos da proteção de 30% da terra e do oceano do mundo superam os custos em pelo menos 5 para 1.

Os autores do relatório da CFN conduziram uma análise financeira que descobriu que a expansão de áreas protegidas para atingir ou superar a meta de 30% poderia gerar uma receita geral de US$ 64 bilhões a US$ 454 bilhões por ano até 2050, dependendo da implementação. Considerando os efeitos multiplicadores, diz o relatório, o impulso final à produção econômica global pode ser superior a US$ 1 trilhão por ano.

Eles também conduziram uma análise econômica parcial, focada em florestas e manguezais, e descobriram que "apenas nesses biomas, a meta de 30% tinha um valor de perda evitada de US$ 170 a US$ 534 bilhões por ano até 2050, refletindo amplamente o benefício de se evitar o inundações, mudanças climáticas, perda de solo e danos causados por tempestades costeiras que ocorrem quando a vegetação natural é removida".

Atualmente, a comunidade internacional investe cerca de US$ 24 bilhões por ano em áreas protegidas, de acordo com a CFN. A meta de 30% exige um investimento médio anual de cerca de US$ 140 bilhões até 2030.

Como Ervin, que está entre os autores do relatório, explicou em comunicado quarta-feira:

“O custo para proteger 30% do nosso planeta, variando de US$ 103 a US$ 178 bilhões, não é inconsequente. No entanto, a natureza fornece mais de US$ 125 trilhões em benefícios para a humanidade, o PIB global é de cerca de US$ 80 trilhões e o total de ativos globais sob administração é de cerca de US$ 125 trilhões. Nesse contexto, o custo de criar uma rede de segurança planetária resiliente para toda a vida na Terra mal tem a ordem de grandeza de um erro de arredondamento estatístico. Os benefícios para a humanidade são incalculáveis e o custo da inação é impensável.”

As novas descobertas econômicas reforçam os argumentos ecológicos e morais, muitas vezes no centro dos apelos ao aumento dos esforços de conservação. Como o coautor do relatório, Stephen Woodley, vice-presidente de ciência e biodiversidade da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da IUCN, colocou: "Expandir a área global de proteção para pelo menos 30% até 2030 é um requisito essencial para impedir a perda de espécies semelhantes em nosso planeta".

A Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Serviços de Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES) alertou em maio de 2019 que atividades humanas destrutivas levaram um milhão de espécies de plantas e animais à beira da extinção. Mais recentemente, a pandemia da Covid-19 direcionou mais atenção às consequências da destruição da natureza da humanidade, provocando preocupações sobre futuras doenças zoonóticas.

"Devemos dar espaço para a natureza. A análise liderada por Anthony Waldron mostra que podemos ganhar financeira e economicamente implementando essa política ", afirmou Woodley, observando que alguns governos já se comprometeram com a meta de 30%. "A proteção da natureza impede a perda de biodiversidade, ajuda a combater as mudanças climáticas e diminui a chance de futuras pandemias. Esta é uma política pública sólida, econômica, ecológica e moral ".

Waldron, um ecologista da Universidade de Cambridge, enviou uma mensagem semelhante.

"Nosso relatório mostra que a proteção na economia atual gera mais receita do que as alternativas e provavelmente adiciona receita à agricultura e à silvicultura, além de ajudar a evitar mudanças climáticas, crises hídricas, perda de biodiversidade e doenças", afirmou. "Aumentar a proteção da natureza é uma política sólida para os governos que lidam com múltiplos interesses. Você não pode colocar um preço na natureza - mas os números econômicos apontam para sua proteção".

O relatório vem antes da próxima reunião da Conferência das Partes (COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CBD), que deveria ocorrer em Kunming, China, em outubro deste ano, mas que foi adiada para o próximo ano devido à pandemia. Como a CFN observou na quarta-feira, a CDB incluiu a meta de 30% de área protegida em seu rascunho de estratégia de 10 anos, que deve ser finalizado na reunião do próximo ano.

*Publicado originalmente em 'Common Dreams' | Tradução de César Locatelli

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