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Décadas de poluição atmosférica pesada podem aumentar número de mortes por COVID-19 em algumas áreas, diz estudo

 

08/04/2020 16:03

A Estação Geradora de Sherburne County (Sherco), uma usina a carvão pertencente à Xcel Energy e localizada em Becker, Minnesota, em 2016 (Tony Webster/Flickr/cc)

Créditos da foto: A Estação Geradora de Sherburne County (Sherco), uma usina a carvão pertencente à Xcel Energy e localizada em Becker, Minnesota, em 2016 (Tony Webster/Flickr/cc)

 
Décadas de crescente poluição atmosférica em muitas regiões dos EUA podem tornar a pandemia do coronavírus mais perigosa para pessoas que vivem nas regiões mais poluídas do país, de acordo com um novo estudo divulgado pela Universidade de Harvard na terça.

Pesquisadores da Escola Chan T. H. de Saúde Pública de Harvard examinaram dados sobre material particulado nocivo em 3.080 condados do país nos últimos 17 anos e compararam os níveis de poluição com as taxas de mortalidade da COVID-19, a doença respiratória causada pelo novo coronavírus, até agora.

Uma pessoa vivendo por muitos anos em um país com altos níveis de material particulado 2.5 – partículas pequenas que podem causar problemas de saúde quando inaladas – está 15% mais propensa a morrer se contrair a COVID-19, descobriu o estudo, em comparação com pessoas que vivem em áreas com menos poluição atmosférica.

Condados altamente poluídos “serão os condados com maiores números de hospitalizações, mortes, e onde boa parte dos recursos deve estar concentrada”, disse a Dr. Francesca Dominici, autora principal do estudo, que será publicado no Jornal de Medicina da Nova Inglaterra.

A correlação entre as mortes por coronavírus e a poluição foi vista mesmo quando havia um aumento sutil na quantidade de poluição atmosférica em um condado.

Uma pessoa vivendo em uma área com apenas uma unidade a menos de material particulado 2.5 estaria 15% menos propensa a morrer de COVID-19 se a contraísse, descobriu o estudo.

Altos níveis de poluição podem ser responsáveis por milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas com regulações mais rígidas sobre as emissões dos automóveis e usinas, que são responsáveis pela maioria do material particulado na atmosfera, de acordo com o relatório. Como reportou o New York Times:

“O estudo descobriu que se Manhattan tivesse diminuído o nível médio de material particulado em somente uma unidade, ou um micrograma por metro cúbico, nos últimos 20 anos, é provável que o povoado estivesse vendo 248 menos mortes por COVID-19 a essa altura do surto.”

Até a hora dessa publicação, mais de 3.400 pessoas na cidade de Nova Iorque já morreram por causa do coronavírus. A cidade é a 15ª mais poluída na nação, de acordo com análises estatísticas da EPA.

O estudo de Harvard foi divulgado uma semana depois de a administração Trump dizer que iria enfraquecer as restrições da era-Obama sobre emissões de escape de veículos. Mesmo como reconheceu a EPA, fazer isso levaria a mais mortes prematuras associadas com a poluição atmosférica.

“Temos que focar em lutar contra essa pandemia agora. Quando chegarmos no outro lado, precisamos ter uma conversa real e honesta sobre o fracasso em atacar a nociva poluição atmosférica”, tuitou Adriano. L. Martinez, advogado ambiental de Los Angeles.

*Publicado originalmente em 'Common Dreams' | Tradução de Isabela Palhares



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