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Dilma diz que Rio+20 abre nova era e prega ambição

21/06/2012 00:00

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Créditos da foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Rio de Janeiro - A presidenta Dilma Rousseff abriu a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, na quarta-feira (20) , no Rio de Janeiro, classificando o encontro como um marco de mudanças para diferentes sociedades mundo afora. “Em nossas mãos estão as decisões políticas que certamente afetarão o crescimento econômico, a inclusão social e a defesa do meio ambiente. Nós temos a responsabilidade histórica de fazer da Rio+20 um marco onde firmemente estabeleceremos os compromissos para o futuro que nós queremos”, afirmou Dilma, paulatinamente deixando a retórica diplomática de lado e indicando caminhos para esses novos tempos.

“A tarefa que nos impõe a Rio+20 é desencadear um movimento de renovação de ideias e de processos para enfrentarmos os dias difíceis em que hoje vive ampla parte da humanidade. Com plena consciência do muito que temos pela frente, este país, o Brasil, que os recebe hoje, avança com soluções e identidade próprias. (...) Adotamos um programa de dez anos para a promoção de padrões sustentáveis de produção e consumo. (...) Reconhecemos a insuficiência do Produto Interno Bruto (PIB) como critério para medir o desenvolvimento”, discursou a petista.

Dilma lembrou que a avaliação da Rio+20 como um ponto de virada deve-se “a intensa mobilização e participação ativa da sociedade civil no encontro”, promovendo “o engajamento de todos nessa nova agenda”. “Desde já essa é a maior conferência das Nações Unidas em termos de participação da sociedade civil. Estamos no limiar de um novo momento”, disse ela.

No papel
Segundo Dilma, existe a possibilidade de o documento oficial da Rio+20, apesar de classificado como inerte por setores da sociedade civil e diversos governos, representar essa renovação. “Temos de ser ambiciosos. O texto aprovado pelas consultas pré-conferência representa antes de tudo uma decisão de não retroceder de nehuma forma nos compromissos que assumimos em 1992. Mas não basta manter as conquistas do passado. Temos que construir sobre este legado”, disse.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, falando logo depois da presidenta na cerimônia de abertura, fez coro para os chefes de estado evoluírem nas discussões que começariam logo em seguida. “Eu peço o compromisso de vocês. Nós tivemos grande progresso nesses últimos dias, agora é a hora de darmos o passo final. Vamos fazer da Rio+20 um ato de compromisso e ação, agora é a hora da ação. Não vamos deixar para as nossos filhos e nossos netos a responsabilidade de uma Rio+40, ou Rio+60. Não deixemos essa oportunidade passar, vamos fazer dela nosso legado”.

Responsabilidades
Apesar de anunciar o protagonismo do Brasil e dos países emergentes no futuro próximo, Dilma não deixou de cobrar a conta dos países desenvolvidos. “Políticas mais poluentes possibilitaram economias desenvolvidas alcançarem maior poder de produção e consumo, mas deixaram pesada carga e conta socioambiental para os países em desenvolvimento. A promessa de financiamento do mundo desenvolvido, para o mundo em desenvolvimento, ainda não se materializou nos níveis prometidos e necessários”, afirmou.

Dentro do tema, a presidente referiu-se ao polêmico parágrafo 15 do documento, que reafirma as responsabilidades dos países desenvolvidos nas formas de financiamento para a implementação dos programas para o desenvolvimento sustentável, sinalizando que o Brasil não aceitará um retrocesso durante as discussões nas quatro mesas redondas que os chefes de estado participarão até aprovarem o texto, na sexta-feira.

“O princípio fundamental das Responsabilidades Comuns Porém Diferenciadas, consagrado na Rio 92, tem sido muitas vezes recusado na prática. Sem ele, não há consenso possível na construção de um mundo mais justo e inclusivo”, disse ela.

Já a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante entrevista coletiva após o pronunciamento da presidenta Rousseff, alfinetou a recusa dos países desenvolvidos em assumir um maior comprometimento financeiro para programas de desenvolvimento sustentável. “Interessante a gente comparar a questão de países desenvolvidos na alocação de recursos e a África do Sul, agora mesmo, colocando US$ 2 milhões no FMI para ajudar os europeus. Essas contradições têm que ser expostas. Uma coisa é chegar e ‘vou colocar dinheiro’, outra coisa é dizer que precisava melhorar meios de implementação”.

Saindo da fleuma diplomática, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, chefe brasileiro nas negociações que resultaram no documento oficial, também atacou os países desenvolvidos. “Não se pode exigir ambição de ação, se não existe ambição de financiamento. Então quem exige ambição de ação e não põe dinheiro sobre a mesa, está sendo no mínimo incoerente”, afirmou o representante do Itamaraty.

"Investimentos sustentáveis"
Se durante a tarde de quarta-feira a retórica da presidente Dilma Rousseff durante a abertura oficial do encontro enalteceu a participação da sociedade civil como força motriz para fazer da Rio+20 um marco em novas práticas econômicas e sociais; pela manhã, a porta-voz da ONU, Pragati Pascale, informava que na sexta-feira Ban ki-moon e líderes empresariais anunciarão um total de quase 500 “compromissos” assumidos pelo setor privado durante o Fórum de Sustentabilidade do UN Global Compact na Rio+20.

A conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) também anunciou que as bolsas de valores de promoverão, a longo prazo, investimentos sustentáveis de mais de 4.600 empresas em seus mercados. As envolvidas são a Nasdaq e bolsas do Egito, Turquia e Brasil.

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