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Dois terços das geleiras dos Alpes 'vai ter derretido até 2100'

Se as emissões continuarem a crescer com a atual taxa, o gelo vai ter praticamente desaparecido dos vales alpinos europeus até o final do século

14/05/2019 10:37

A geleira Rhône era a maior dos Alpes europeus durante a era do gelo mais recente, aproximadamente 20 mil anos atrás. Desde então, ela se reduziu até se tornar uma típica geleira de vale (Matthias Huss/Cryosphere/EGU)

Créditos da foto: A geleira Rhône era a maior dos Alpes europeus durante a era do gelo mais recente, aproximadamente 20 mil anos atrás. Desde então, ela se reduziu até se tornar uma típica geleira de vale (Matthias Huss/Cryosphere/EGU)

 

Dois terços do gelo das geleiras dos Alpes está fadado a derreter até o final do século com o aumento da temperatura causado pela mudança climática, revelou um estudo.

Metade do gelo das 4 mil geleiras da cadeia montanhosa terão desaparecido até 2050 devido ao aquecimento global já causado por emissões passadas, mostra a pesquisa. Depois disso, mesmo se as emissões forem a zero, dois terços do gelo ainda assim terá derretido até 2100.

Se as emissões continuarem a crescer com a atual taxa, as línguas de gelo terão praticamente desaparecido dos vales alpinos até o final do século. Os pesquisadores disseram que a perda de geleiras teria um grande impacto na disponibilidade de água para o cultivo e a hidroeletricidade, especialmente durante períodos de seca, e afetaria a natureza e o turismo.

“As geleiras dos Alpes europeus e sua recente evolução são um dos indícios mais claros das progressivas mudanças no clima”, disse Daniel Farinotti, glaciólogo do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, que é parte da equipe de pesquisa.

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“No caso mais pessimista, os Alpes ficarão quase sem gelo até 2100, com somente trechos isolados de gelo restantes em altas elevações, representando 5% ou menos do atual volume de gelo”, disse Matthias Huss, pesquisador sênior do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.

Em fevereiro, um estudo descobriu que um terço dos enormes campos de gelo nas gigantescas cadeias montanhosas da Ásia também estava fadado a derreter por causa do aquecimento global, com sérias consequências para quase 2 bilhões de pessoas "rio abaixo".

Geleiras nas cordilheiras de Hindu Kush e do Himalaia estão em altitudes mais altas e frias, mas se as emissões globais de carbono não forem cortadas, dois terços de seu gelo derreterá até 2100.

Geleiras em derretimento contribuem para o aumento dos níveis do mar, mas quase três quartos desta água vêm da Groenlândia e da Antártida. Hindu Kush, do Himalaia, a Patagônia e a Islândia também são significativos. Os Alpes europeus, que passam pela França, Suíça, Itália, Áustria e Alemanha, contribuem com menos de 1%.


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Evolução da geleira de Pizol, no noroeste da Suíça, entre 2006 e 2018. (Matthias Huss/Cryosphere/União Europeia de Geociência)

A pesquisa mais recente, publicada no jornal The Cryosphere e apresentada na conferência da União Europeia de Geociências em Viena, Áustria, na terça-feira, juntou modelos computacionais com dados reais para prever o destino das geleiras. Ela usou 2017 como ponto de partida.

Diferentemente de trabalhos anteriores, os modelos explicitamente incluíram a forma como as geleiras se movem montanha abaixo. Isso levou a perdas de gelo previstas menores quando comparado com pesquisas anteriores. Aplicando-se essa abordagem a outras cordilheiras com geleiras poderia-se melhorar as previsões de perda de gelo nelas, disseram os pesquisadores.

Cortar as emissões da queima de combustíveis fósseis, do desmatamento e de outras atividades poluentes é o fator mais relevante na minimização do derretimento do gelo. Farinotti afirmou: “O futuro dessas geleiras está de fato em risco, mas ainda há possibilidade de limitar suas perdas futuras”.

*Publicado originalmente em The Guardian | Tradução: equipe Carta Maior

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