Mãe Terra

Economia verde emperra documento oficial da Rio+20

14/06/2012 00:00

Rodrigo Otávio

Rio de Janeiro - No segundo dia das reuniões preparatórias para a redação do documento oficial da conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a falta de uma definição do que é a economia verde manteve em ritmo lento a evolução do texto que os chefes de estado devem ratificar no próximo dia 22. Esta sexta-feira (15) é o terceiro é último dia de conversas para os diplomatas chegarem a um acordo nos encontros do Riocentro e apresentarem o texto. Caso o texto não seja apresentado, na teoria, os diplomatas seguem trabalhando para um documento ser oficializado pela ONU ainda no Brasil; na prática, como já se comenta pelos corredores do Riocentro, significa o fracasso da parte oficial do encontro.

“Eu quero ser muito claro, o Brasil não apresentará novos textos desde que exista o texto da negociação. É muito natural que em conferências desse porte surjam rumores de que o país sede tem um texto na manga e que na última hora apresentará. Não é o caso”, afirmou na quinta-feira o embaixador Luiz Figueiredo Machado, negociador-chefe do Brasil na conferência, aparentemente “esticando a corda” por uma definição entre os países.

Durante entrevista coletiva, Figueiredo reafirmou que o texto original é o objetivo, mas sinalizou que toda a diplomacia possível será utilizada para um consenso . “O Brasil trabalha com o texto que é o fruto das várias rodadas de negociação. Porém, é natural que em sua função de presidência o Brasil busque auxiliar a negociação em um sentido de sugerir para casos específicos, onde não haja acordo, opções de solução”, disse.

O diretor de Desenvolvimento Sustentável do departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU , Nikil Seth, supervisor das reuniões de quinta-feira, reconheceu que as diversas pendências em casos específicos são fruto de uma impossibilidade de comprensão comum do conceito de economia verde, que possibilite o marco institucional. “O que significa a economia verde para cada país? Para o Brasil é uma coisa, para os países árabes outra e para os países nórdicos uma terceira”, exemplificou.

Pobreza
Seth afirmou que “pela primeira vez a ONU vai negociar a redação do texto para direcionar a ideia de economia verde para o desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza. E este tema amplo será explicitado neste documento, porque a pobreza é muito maior do que chegar a um acordo”. Segundo observadores da negociação presentes à entrevista coletiva do diretor, nas entrelinhas da fala de Seth é possível a percepção de como anda a queda de braço entre países ricos, liderados pelos Estados Unidos, e o G77, do qual o Brasil faz parte, sobre a inclusão ou não da palavra “extrema” antes de pobreza na redação final do documento. Ao citar “explicitado”, o diretor teria sinalizado que os EUA, na quinta-feira, levavam vantagem.

Conta
Outra ponto que seguia controverso nas negociações de quinta-feira era a questão das responsabilidades comuns porém diferenciadas. O tema é fruto dos Princípios do Rio, quando durante a conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Eco-92, ficou acordado que todas as nações deveriam buscar novos paradigmas de desenvolvimento e preservação da natureza, porém, no custo desses novos paradigmas, as nações que aceleraram o padrão de produção e consumo a partir de maior degradação ambiental, notadamente os países ricos, deveriam contribuir com uma quantia maior. Com a atual crise econômica, os países ricos pleiteiam “novos tempos, partindo do zero”.

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