Mãe Terra

Especialistas debatem no Brasil futuro do planeta

18/03/2004 00:00


São Paulo – Mesmo com o crescimento dos recursos alternativos de energia renovável, o total de combustíveis fósseis que serão utilizados nos próximos 50 anos será o triplo da quantidade utilizada nas últimas cinco décadas. A menos que outros métodos para prevenir ou reciclar os gases responsáveis pelo efeito estufa sejam desenvolvidos, o movimento ambientalista poderá tentar fechar as indústrias de petróleo, assim como paralisou o crescimento da energia nuclear há 30 anos.

A diferença na inclusão digital entre os países industrializados e em desenvolvimento está diminuindo rapidamente. Era de 40 para 1 usuários da Internet em 1995 e, em 2003, tinha caído rapidamente para 4 para 1. A maior parte do mundo pode estar conectada dentro de 15 anos, fazendo com que o ciberespaço se torne um meio civilizatório sem precedentes. Está surgindo um mecanismo auto-organizador que poderá levar a aumentos drásticos na habilidade da humanidade de inventar seu próprio futuro.

Entender como o consumo de energia renovável se relaciona com o aumento de usuários na Internet – e também com o surgimento de novas doenças, com o crescimento da participação da mulher na sociedade ou com o terrorismo – na determinação do futuro da humanidade é um exercício que vem sendo feito há oito anos por uma rede global de pensadores. Eles formam o Projeto Milênio, criado em 1996 pelo Conselho Americano da Universidade das Nações Unidas e que reúne cerca de 1.500  acadêmicos, cientistas, dirigentes políticos e ativistas sociais de mais de 50 países.

Esses pensadores trabalham permanentemente para produzir informações sobre o futuro que ajudem políticos, executivos e chefes de Estado a identificar, avaliar e analisar as consequências das decisões de impacto global a serem tomadas. "Dando as ferramentas para que o mundo antecipe problemas a longo prazo, nos propomos a ser um recurso internacional de ajuda na definição de políticas públicas para a melhoria da vida na Terra", explica Jerome Glenn, diretor global do projeto.

Ao lado de nomes como Peter Bishop, diretor do Instituto de Estudos do Futuro da Universidade de Houston, e Miguel Gutierrez, fundador do Centro Latino-Americano de Prospectiva e Globalização, Jerome Glenn apresentou nesta quarta-feira (17), em São Paulo, as idéias do Projeto Milênio para um público de acadêmicos, lideranças empresariais e gestores do governo e da sociedade civil. Nos últimos dois dias, o comitê de planejamento da entidade esteve reunido no Brasil para atualizar seu plano de ação através dos núcleos presentes em mais de 60 países. É a primeira vez que uma reunião do grupo acontece fora dos Estados Unidos.

"O Brasil tem a sorte e a honra de receber um grupo tão importante de pessoas que trabalha na construção e planejamento do futuro", declarou Rosa Alegria, vice-presidente do Núcleo de Estudos do Futuro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, representante do projeto no país. "Estes célebres futuristas estão aqui para nos mostrar o que está acontecendo com o nosso planeta", explicou.

As informações apresentadas em São Paulo fazem parte do relatório "Estado do Futuro", atualizado anualmente e que avalia a situação internacional de 15 desafios globais estabelecidos pelos futuristas como os mais importantes para a melhoria da qualidade de vida da população do planeta. A última edição do "Estado do Futuro" foi publicada no final de 2003. O relatório é elaborado com base numa pesquisa feita com pessoas do mundo todo por meio de questionários, entrevistas, encontros e discussões online e oferece perspectivas para o futuro, sugerindo ações e procedimentos e identificando indicadores que possam medir o progresso de cada um deles. O próximo relatório do Projeto Milênio deve ser publicado em agosto deste ano.

Para ver a lista completa dos 15 desafios do milênio, clique aqui.

Para mais informações sobre o Projeto Milênio, visite os sites www.acunu.org e www.nef.org.br

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