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França reafirma que vetará acordo comercial entre União Europeia e Mercosul se não houver garantias sobre proteção da Amazônia

O governo francês anunciou esperar também mudanças no tratado em relação às normas agroalimentares e fitossanitárias europeias e na luta contra a mudança climática. A Espanha negocia com o Brasil

13/05/2021 13:40

Incêndio na floresta amazônica, em agosto de 2020 (Greenpeace)

Créditos da foto: Incêndio na floresta amazônica, em agosto de 2020 (Greenpeace)

 
O governo francês reiterou que não assinará o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul caso ele não seja modificado a fim de oferecer garantias sobre a proteção da Amazônia, respeito às normas agroalimentares e fitossanitárias europeias e na luta contra o aquecimento global.

O secretário de Estado do Comércio Exterior da França, Franck Riester, sublinhou que seu país “não transigirá” e adiantou que a “França não está sozinha” dentro da UE em sua oposição ao acordo com o Mercosul, apontando que países como Bélgica, Holanda e Áustria compartilham a visão francesa.

Em entrevista à emissora Sud Radio, ele indicou que sua negativa em assinar o texto sem que haja mudanças é porque não é possível “aumentar os intercâmbios com esses países com consequências para a floresta, no momento em que a selva amazônica queima”.

Também porque isso se faria “em detrimento do clima, do aquecimento global e das normais sanitárias e fitossanitárias” europeias que os agricultores franceses são obrigados a cumprir.

Riester assegurou que por trás da negativa “não existe protecionismo” porque a França busca aumentar os intercâmbios comerciais. Mas “queremos que esta competição seja justa” e isso implica que a União Europeia deve levar a cabo “uma política comercial mais firme, menos ingênua”.

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul foi concluído em 2019 depois de cerca de 20 anos de negociações, mas sua aplicação tem de ser ratificada pelos dois lados, ou seja, receber a aprovação de todos os países membros de cada bloco.

Há meses a França tem advertido que não suspenderá seu veto enquanto não foram atendidas suas exigências, entre elas a entrada em vigor de uma iniciativa da Comissão Europeia visando evitar o que chamam de “desflorestamento importado”.

Também que seja dado andamento no Mercosul, com a colaboração da UE, de um sistema que permita rastrear a origem de produtos vegetais e animais, ou a aplicação aos produtos importados da região dos mesmos padrões vigentes na Europa em questão sanitária e de meio ambiente.

Espanha trabalha com o Brasil em busca da ratificação

A Espanha está disposta a ajudar o Brasil no trabalho pela ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Foi o que anunciou a ministra de Assuntos Exteriores da Espanha, Arancha González Laya, no início de uma visita de dois dias na semana passada a Brasília a fim de manter reuniões com o governo brasileiro e revisar a agenda bilateral.

Dos membros pleno do Mercosul - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai -, o Brasil, a maior economia da América Latina, é o que apresenta os maiores desafios à exigência europeia de garantias de proteção ambiental.

No início de uma de suas reuniões em Brasília com a ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina Correa, González Laya destacou que se deve concluir o acordo “para colocá-lo em vigor” e, para isso, é necessário “fecharmos algumas coisas que ainda estão muito em aberto”.

Na parte da reunião ao qual os jornalistas tiveram acesso, a ministra Tereza Correa disse a González que “alguns países europeus” têm feito declarações com as quais o governo de Jair Bolsonaro não está de acordo, sem que tenha havido explicações posteriores.

(Com informação da EFE)

*Publicado originalmente em 'Infobae' | Tradução de Carlos Alberto Pavam

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