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Glifosato: Bayer enfrenta 18.400 processos judiciais só nos EUA

A Bayer já foi condenada três vezes nos Estados Unidos a indemnizar doentes com cancro. Em Portugal, o glifosato já é proibido em espaços públicos, mas a maioria das autarquias continua a utilizá-lo na limpeza das ruas. O Bloco propõe a sua interdição.

31/07/2019 13:27

Bloco defende: ''Aplicação do princípio da precaução do uso de fitofármacos, nomeadamente através da interdição do glifosato e de produtos especialmente danosos para as populações de abelhas''

Créditos da foto: Bloco defende: ''Aplicação do princípio da precaução do uso de fitofármacos, nomeadamente através da interdição do glifosato e de produtos especialmente danosos para as populações de abelhas''

 
Segundo a Bayer, os 18.400 processos judiciais foram apresentados até 11 de julho de 2019, sendo que 5.000 deram entrada nos tribunais nos três meses anteriores, desde o final de abril.

A Bayer já foi condenada três vezes em tribunais dos Estados Unidos, tendo a empresa conseguido, no entanto, baixar as indemnizações nos recursos: de 289 milhões de dólares para 78 milhões, num caso; de 80 milhões para 25 milhões, noutro; de mais de dois mil milhões para 69,3 milhões de dólares, no terceiro.

Segundo a Lusa, a empresa alemã que adquiriu em 2018 a Monsanto, produtora do glifosato, anunciou que vai continuar a recorrer, argumentando que nenhum regulador do mundo concluiu que o glifosato era perigoso, desde que foi introduzido no mercado em meados dos anos 1970. No caso da União Europeia (UE), já se sabe atualmente que a Comissão Europeia (CE) quis manipular a legislação sobre pesticidas e que o relatório europeu sobre os riscos do glifosato foi quase totalmente copiado das informações divulgadas pela Monsanto.

Maioria das Câmaras continua a usar o glifosato

Na passada quinta-feira, o “Diário de Notícias” noticiava que a Junta de Freguesia dos Olivais, em Lisboa, estava a pulverizar as ervas daninhas com Roundup, a versão comercial do glifosato. O site do jornal lembrava que a CE tinha autorizado o uso do glifosato até 2022 e esclarecia que dos 308 municípios portugueses, apenas 16 tinham deixado de o usar em zonas urbanas e que em Lisboa só quatro freguesias não o utilizam.

Em Portugal, a proposta de proibição do glifosato chumbou no parlamento pelos votos contrários de PSD, CDS-PP e PCP. O governo assumiu a proposta e proibiu, em 2017, o uso do glifosato nos "jardins infantis, jardins e parques urbanos de proximidade e nos parques de campismo" e também "nos hospitais e noutros locais de prestação de cuidados de saúde ou lares e residências para idosos".

Ao DN, Margarida Silva da Plataforma Transgénicos Fora explicou: "O glifosato é muito barato, é eficaz, não é preciso estar sempre a aplicar. O único problema é que é péssimo para a saúde e para o ambiente".

Alexandra Azevedo da Quercus e coordenadora da campanha Autarquias sem Glifosato/Herbicidas, lançada pela associação ambiental, disse ao DN que até agora apenas 16 Câmaras e 36 freguesias aderiram à campanha e passaram a usar métodos alternativos à utilização do glifosato - como a monda mecânica ou outros meios manuais. No entanto, há cada vez mais autarquias a aderir.

"Mafra foi o último município a aderir [em abril], mas temos a informação de que o município de Serpa também já não utiliza o glifosato, estamos só a aguardar que assine o manifesto. Outras duas freguesias também se irão juntar à lista", revelou Alexandra Azevedo ao jornal.

Em Lisboa, apenas as freguesias de Estrela, São Vicente, Carnide e Penha de França já deixaram de usar o glifosato.

Bloco propõe

No seu programa eleitoral, o Bloco de Esquerda propõe:

* Aplicação do princípio da precaução do uso de fitofármacos, nomeadamente através da interdição do glifosato e de produtos especialmente danosos para as populações de abelhas.

*Publicado originalmente em esquerda.net



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