Mãe Terra

Google financia amplamente negacionistas das alterações climáticas

Apesar do gigante digital fazer apelos públicos para uma ação climática mais determinada, financia grupos conservadores que promovem a negação das alterações climáticas, segundo uma investigação do jornal The Guardian. A Google responde dizendo que não tem como aprovar toda a agenda das organizações que apoia

11/10/2019 15:08

Marcha pelo Clima. Washington. Abril de 2017. (Becker1999/Flickr)

Créditos da foto: Marcha pelo Clima. Washington. Abril de 2017. (Becker1999/Flickr)

 
O jornal britânico The Guardian lançou recentemente um projeto de investigação chamado The polluters project que, em colaboração com cientistas de referência e com ONGs ambientais pretende expor as empresas que “perpetuam a crise climática”, algumas das quais “aceleraram a sua extração de carvão, petróleo e gás”. Para além disso, os 20 jornalistas que trabalham há seis meses neste projeto procuram “mover o foco do debate das responsabilidades individuais para as estruturas de poder”. Por isso investigaram as estruturas financeiras e de lóbi que continuam a potenciar os problemas.

Foi no âmbito desta investigação que as “contribuições substanciais” da Google aos grupos conhecidos de negacionistas das alterações climáticas foram conhecidas. Para começar, não foi preciso ir longe. A lista de entidades beneficiárias deste apoios está publicada no site da Google. São centenas de organizações entre as quais se contam dezenas de organizações que fazem campanha aberta contra legislação sobre o clima ou questionam a própria ideia de alterações climáticas. Entre elas está o Competitive Enterprise Institute que trabalhou para que os EUA saíssem do acordo de Paris, o State Policy Network, conjunto de organizações que criou um site para defender que o “não há crise climática”, a American Conservative Union, o American Enterprise Institute e o Americans for Tax Reform entre várias outras organizações ultra-conservadoras com uma agenda anti-ambiental muito vincada.

A Google justifica-se dizendo que o seu apoio financeiro não quer dizer que sigam o conjunto das posições desses grupos e apresenta-se como uma empresa que opera como uma “companhia neutra em termos de emissões de carbono desde há dois anos seguidos e que alcançou um usos de energis renováveis de 100% nas nossas operações globais”. Para além disso, dizem, apoiam organizações de todos os pontos de vista políticos que defendam “políticas tecnológicas fortes”. E lembram que não são os únicos. Também a Amazon, por exemplo, apoiou uma gala do CEI. Em troca o CEI é conhecido por se opor à regulação da internet e à aplicação de leis anti-monopólio no setor e por defender a Google junto dos republicanos.

Os valores envolvidos não são claros, uma vez que a lista de apoios não indica quaisquer verbas e que a empresa não respondeu às questões dos jornalistas sobre isto. Apenas está indicado numa página dedicada à transparência da empresa que estes grupos receberam “contribuições substanciais”.

*Publicado originalmente em esquerda.net



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