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Greta Thunberg diz que plano de recuperação da UE falha em abordar crise climática

Ativista diz que fundo de 750 bilhões de libras mostra que os líderes não estão tratando o aquecimento global como uma emergência

22/07/2020 11:50

Greta Thunberg: 'Enquanto a crise climática não for tratada como uma crise, as mudanças necessárias não acontecerão'. (Johanna Geron/Reuters)

Créditos da foto: Greta Thunberg: 'Enquanto a crise climática não for tratada como uma crise, as mudanças necessárias não acontecerão'. (Johanna Geron/Reuters)

 

Greta Thunberg acusou os políticos da UE de fracassarem em reconhecer a escala da crise climática e disse que o plano de recuperação da covid-19 de 750 bilhões de libras não é o suficiente para abordar a questão.

A ativista climática disse que o pacote de medidas acordado por líderes da UE provou que políticos ainda não tratam a mudança climática como uma emergência.

“Eles ainda negam o fato e ignoram que estamos vivendo uma emergência climática, e a crise climática não foi nenhuma vez tratada como uma crise”, disse Thunberg ao Guardian. “Enquanto a crise climática não for tratada como uma crise, as mudanças necessárias não irão ocorrer.”

Líderes da União Europeia chegaram a um acordo sobre o fundo de recuperação e prometeram que 30% do pacote iria para políticas climáticas, mas poucos detalhes foram compartilhados.

Thunberg, 17, e outros líderes de movimentos escolares na Europa disseram que o pacote era inadequado.

Luisa Neubauer, 24, figura central do movimento escolar alemão, disse que os jovens estão ficando cada vez mais frustrados com os políticos.

“Estamos pedindo aos nossos líderes para cuidarem da coisa mais fundamental: a nossa proteção, a proteção das pessoas no mundo, a proteção dos nossos futuros”, disse Neubauer. “É preocupante em um nível democrático quando você tem que pedir por coisas tão substanciais, que parecem tão óbvias, e ainda assim vemos como os líderes as ignoram, ou não as consideram tão importante quanto as outras coisas.”

Outra líder escolar proeminente, Adélaïde Charlier, 19, da Bélgica, disse que os políticos que adotaram a linguagem da ação climática sem acompanhar as medidas políticas urgentes são piores que os negacionistas climáticos.

“Quando os líderes minimizam a crise climática, eu sinto que são mais perigosos do que os líderes que a negam explicitamente ... porque sentimos que podemos contar com eles e que estamos no caminho certo e isso é perigoso e errado.”

O grupo escreveu uma carta aberta aos líderes da UE exigindo que ajam imediatamente para evitar os piores efeitos da crise climática.

A carta, assinada por 80.000 pessoas incluindo alguns dos cientistas mais importantes do mundo, argumenta que a pandemia de covid-19 mostrou que a maioria dos líderes é capaz de agir rápida e decisivamente quando consideram necessário, mas que essa mesma urgência não tem aparecido na resposta à crise climática.

“Agora está mais claro que nunca que a crise climática nunca foi tratada como uma crise, nem pelos políticos, nem pela mídia, pela corporação e pelo mercado financeiro. E quanto mais continuarmos a fingir que estamos em um caminho confiável em direção à diminuição das emissões e que as ações exigidas para evitar um desastre climático estão disponíveis no sistema atual ... mais vamos perder tempo precioso”, diz a carta.

A carta diz que a emergência climática e ecológica só pode ser abordada através do combate “às injustiças sociais e raciais e à opressão que criaram os pilares do nosso mundo moderno”.

No início do ano, a UE divulgou suas novas propostas verdes, que, de acordo com seus líderes, visavam transformar o bloco em uma economia com pouco carbono sem reduzir a prosperidade e enquanto fornece qualidade de vida para as pessoas. Os ativistas climáticos descartaram a meta da UE de zero emissões até 2050 como perigosamente não ambiciosa.

Thunberg, que foi premiada essa semana com o prêmio de humanidade Gulbenkian de Portugal e que prometeu o valor de 1 milhão de euros para grupos que trabalham protegendo o meio ambiente e tentando conter a mudança climática, disse que é dever das pessoas comuns se posicionarem e exigirem que os políticos enfrentem o desafio.

“Eu vejo a esperança na democracia e nas pessoas”, ela disse. “Se as pessoas se conscientizarem do que está acontecendo podemos conquistar qualquer coisa, podemos pressionar as pessoas que estão no poder...se apenas decidirmos que já aguentamos o suficiente, então podemos mudar tudo.”

*Publicado originalmente em 'The Guardian' | Tradução de Isabela Palhares

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