Mãe Terra

Grupo especial tratará de resoluções de conferência

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) anunciou neste domingo que será criado um grupo especial para trabalhar durante os próximos dois anos na implementação das prioridades definidas pelos participantes da 1ª Conferência Nacional do Meio Ambiente.

30/11/2003 00:00

Brasília - A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) anunciou, na
abertura da plenária final da 1ª Conferência Nacional do Meio Ambiente
(CNMA), neste domingo (30), que será criado um grupo especial para trabalhar
durante os próximos dois anos na implementação das prioridades definidas
pelos participantes do encontro, que teve início na sexta-feira (28).

Em discurso para os mais de 900 delegados e delegadas de todos os Estados do
país e do Distrito Federal que estiveram na UnB (Universidade de Brasília),
Marina informou que o grupo deve ser criado por "portaria ou decreto" e terá
composição mista, com membros da União, Estados e
Municípios e da sociedade civil. De acordo com a ministra, os escolhidos
receberão a missão de "implementar as prioridades (definidas na conferência
nacional) associadas às diretrizes do governo". "Essa responsabilidade não
pode ficar só na mão da sociedade civil. O poder público precisa fazer parte
porque é quem desenvolve as políticas", afirmou, destacando que o grupo
segue o modelo de fóruns internacionais sobre o meio ambiente.

Para ilustrar melhor o seu comprometimento com a causa ambiental, a ministra
fez alusão ao futebol. "Temos aqui uma seleção do time ambientalista do
país. E seleção não funciona sem torcida. São os 170 milhões de brasileiros
que nos impulsionam para frente", colocou Marina Silva, ex-seringueira e
senadora eleita ano passado pelo Acre que se afastou para assumir a pasta.
"Hoje eu posso estar no campo nesse time (do governo). No futebol é
diferente porque muitas vezes os jogadores trocam de time. Podem ter certeza
de que se a gente não estiver mais no time (do governo), estaremos na
torcida porque a torcida nunca muda de time."

Secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável, o ex-deputado
federal Gilney Viana disse à Agência Carta Maior que "o trabalho (do
ministério) será maior depois da realização dessa conferência". Para ele, o
documento da plenária final "será certamente muito complexo porque refletirá
uma leitura da sociedade representada no encontro sobre um determinado
tema". Ou seja, o grupo anunciado pela ministra, segundo os prognósticos de
Viana, terá um "papel difícil de mediar essa relação entre a sociedade e o
governo, organizando conflitos que já existiam muito antes da
conferência".

Secretário vê consolidação da vitória interna do MMA

"Foi um grande happening ambientalista." Esse foi o balanço geral de
Viana. "Foram performances, feiras e manifestações de partidos políticos.
Tudo isso prova que prevaleceu o ambiente de liberdade, de franqueza e de
disputa aberta de idéias."

O secretário do Ministério do Meio Ambiente (MMA) fez questão de destacar o
êxito do processo de construção da 1a CNMA. Como exemplos de resultados
diretos, ele apontou a formação de alianças locais em nível municipal, a
quebra da resistência das escolas em relação à importância do meio ambiente
e até a melhora do relacionamento do ministério com setores do
empresariado.

O ventilado descompasso entre o Palácio do Planalto, local de trabalho do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a ministra do Meio Ambiente foi
desmentido por Viana. A confirmação da homologação da Terra Indígena
Raposa/Serra do Sol (Roraima) em terras contínuas, feita pelo presidente na
abertura da conferência, seria uma das provas da sintonia com Marina.
"Ganhamos a batalha interna antes. E foi na questão dos transgênicos. Essa
conferência foi apenas uma consolidação da nossa vitória."





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