Mãe Terra

Mais de 40% dos resíduos sólidos não têm tratamento adequado

15/06/2012 00:00

Caio Sarack

Rio de Janeiro - A Coppe/UFRJ, maior centro de estudos e pesquisa em engenharia da América Latina, promove de 13 a 24 de junho uma série de conferências e debates sobre os problemas que serão discutidos na Rio+20. O evento se divide em três eixos de discussão: “Clima, Energia, Oceanos”; “Cidades Sustentáveis”; e “Erradicação da Pobreza”. Acontece paralelamente no Parque dos Atletas, na Barra, no estande da Coppe lá erguido, e no Centro Tecnológico da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão.

As conferências têm a intenção de debater temas específicos sobre a tecnologia e inovação no contexto da justiça socioambiental. Economia verde, fontes de energia renováveis, pobreza e consumo são algum dos temas, e ainda serão expostas sugestões para melhora do cenário ambiental e social brasileiros.

Na mesa desta sexta-feira (15), o tema foi “Consumo, Resíduos e Reciclados: O Luxo e o Lixo”. A mesa contou com pesquisadores e professores do Centro Tecnológico da UFRJ e também com um representante da Associação de Catadores de Material Reciclável de Gramacho.

Mais de 40% dos resíduos sólidos são descartados de maneira inadequada, disse a professora Alessandra Magrini. A atenção dos últimos tempos para descarte resulta em um plano de gestão de resíduos ineficaz e que acaba culminando na manutenção do problema no Brasil. Para a especialista, o lixo deve ser encarado em seu ciclo completo. “Temos que pensar o resíduo da sua cadeia produtiva, do nascimento ao túmulo”, afirmou, alegando que a visão do processo desde a produção ao descarte faria com que a gestão tivesse capilaridade e atingisse da empresa até o consumidor.

Um destes passos, ela exemplifica, seriam os Parques Eco-Industriais, onde as indústrias se tornariam células capazes de intercambiar seus resíduos e energia, diminuindo o descarte e otimizando a utilização energética.
As políticas públicas frente ao problema do lixo são ainda iniciais. A lei nacional de Resíduos Sólidos de 2010 vai nesta direção, compartilha com todos os níveis da sociedade a responsabilidade de gestão do lixo.

Sebastião Santos, presidente da Associação de Catadores de Material Reciclado de Gramacho, destacou a importância da lei e do auxílio estatal nesta empreitada. Para a associação, exemplo particular que expressa um problema que toca a todos os catadores, são necessários mais investimentos em pólos de coleta e reciclagem, mas também, e tão prioritariamente quanto o pólo, o bairro de Gramacho tem que passar por um urbanização efetiva. “Construir escolas, creches, hospitais, moradia popular, pavimentação. A reciclagem, hoje, é ligada à população mais pobre. Investir em infraestrutura. Tem que construir o bairro de fato”, disse Sebastião Santos à Carta Maior.

Para ele, a lei de resíduos é um grande passo. “Depois da lei, a gestão de lixo vai ser responsabilidade de todos, com taxação e multa. Como o caso do cinto, antes não era obrigatório o carro vir com cinto-de-segurança, com a obrigatoriedade e as multas isso já faz parte da realidade de hoje”, disse.

Ele ainda se preocupa com o fato de a lei ser realmente validada e obrigatória somente em 2014. "Não se dependerá mais da consciência ou não ambiental do governante. Terão de apresentar planos de gestão integrada de resíduos obrigatoriamente, sem depender da sua tendência ecológica", concluiu Sebastião.


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