Mãe Terra

O Aquífero Guarani está sendo bem tratado?

Se a água é memória e por onde ela passa produz modificações, vamos sendo modificados juntos com ela nesse processo, mas não devemos jamais perder a esperança e muito menos a memória

12/11/2019 13:00

 

 
Recentemente, o Cineclube Cauim resgatou a edição do programa “Papo com Dr.”, veiculado pela TV Thathi de Ribeirão Preto, no dia 28 de fevereiro de 2007, onde o Doutor Sócrates me entrevistou e falamos quase uma hora sobre a importância do Aquífero Guarani para o município de Ribeirão Preto e toda sua área de influência.

Essa saudosa entrevista dada para o Doutor Sócrates pode ser vista aqui nessa direção https://www.youtube.com/watch?v=1jIWAkrWqWg

Passados mais de doze anos dessa entrevista, vendo e revendo a conversa descontraída que tivemos me pergunto: Será que mudou muita coisa? O Aquífero Guarani está sendo bem tratado?

Segundo o site http://portrasdoalimento.info/agrotoxico-na-agua/# no município de Ribeirão Preto, com uma população de 682.302 habitantes, 27 agrotóxicos foram detectados nas suas águas entre 2014 e 2017, sendo 11 deles associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

Será que o governo federal, seus associados e seus apoiadores, tem alguma preocupação com isso que ocorre no território municipal ou deixa para lá para a iniciativa privada um dia resolver?

Pelo que estamos acompanhando com que aconteceu nas queimadas na Amazônia e com o pouco caso para o derramamento de óleo no mar que atingiu os estados do nordeste brasileiro, já deu para perceber que vamos ficar ao Deus dará se dependermos das ações desse governo.

Lembremos que o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos do planeta se estende por outros sete estados brasileiros, além de áreas na Argentina, Paraguai e Uruguai, e sua água é, no geral, de boa qualidade, mas fica aqui um alerta, com essa frase de Guimarães Rosa: “A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba.”.

Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo - USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña - UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo - USP.



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