Mãe Terra

Sínodo: dom Erwin apresenta 10 desafios para Igreja na Amazônia

 

09/04/2019 14:02

(Reprodução/FAJE)

Créditos da foto: (Reprodução/FAJE)

 
“A Amazônia é nossa”. O mote governamental para justificar a chamada integração da região amazônica e a sua exploração a partir do discurso de desenvolvimento foi o fio condutor da exposição do bispo emérito da prelazia do Xingu/PA e coordenador da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil, dom Erwin Kräutler, na aula inaugural da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte/MG, no último mês de março. Na ocasião, falou da Amazônia como “um desafio para a Igreja e a humanidade” e elencou dez grandes desafios para a Igreja na Amazônia que ele espera que sejam debatidos na próxima Assembleia do Sínodo dos Bispos, entre os dias 6 e 27 de outubro.

Domo Erwin abordou a internacionalização da Amazônia, citando fatos históricos que estavam ou ainda estão justificados na fixação da região como elemento importante para a manutenção da soberania nacional, mas que vem, ao longo dos anos, gerando destruição e mortes à natureza e aos povos.

“Considero de certo modo até grotesco esse mote frente às empresas estrangeiras que se estabeleceram com o aval dos diversos governos brasileiros. Há muito tempo se sentem donas da Amazônia e exploram solo e subsolo e a mão-de-obra barata. A maior parte das atividades econômicas está voltada para interesses de países que têm legislação muitíssimo mais severa que a nossa em relação à preservação do meio ambiente”, disse dom Erwin.

Os processos de colonização, as grandes obras como construções de rodovias nunca terminadas, a exploração de recursos hídricos, energéticos e minerais e ausência de reforma agrária que afetam a vida dos povos originários e dos migrantes que saíram de outras regiões do país para recomeçar suas vidas na região da Amazônia Legal. São todos elementos analisados por dom Erwin para contextualizar as preocupações, aflições e dores dos habitantes e que motivam a atuação profética da Igreja na região.

Ao contrário da visão do agronegócio e de seus aliados de que nenhuma terra deve estar fora do mercado, a voz que ecoa de quem está ao lado dos povos amazônicos diz: “Toda a terra a favor da Vida e da Paz!”. Visualiza-se assim dois projetos em confronto: “um a favor da Terra para a Vida, o outro a favor da Terra para Negócio. Nossa luta há de se intensificar para que a Vida seja vitoriosa!”.

Dom Erwin também ressaltou a caminhada da Igreja na região que, a partir do primeiro encontro dos bispos da Amazônia, ainda em 1954, já se vislumbrava o que o papa hoje deseja com o Sínodo. “Medellín (1968) tentou latino-americanizar as constituições e decretos daquele evento histórico [Concílio Vaticano II], o Encontro dos Bispos da Amazônia em Santarém procurou amazonizar Medellín. Desde 1954 os bispos da Amazônia se reuniram periodicamente, mas o Documento de Santarém engendrou uma nova primavera para toda a Amazônia. Já aí os bispos falaram de ‘uma Igreja com rosto amazônico’. Deixaram-se inspirar pela palavra do Papa Paulo VI ‘Cristo aponta para a Amazônia’”.

Sobre o Sínodo para a Amazônia, cujo tema é “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, dom Erwin explicitou, para além de toda a contextualização presente no conteúdo da aula inaugural, alguns dos grandes desafios para a Igreja na Amazônia, os quais ele faz votos “de que sejam realmente discutidos em outubro deste ano na aula sinodal no Vaticano”:

*Publicado originalmente em repam.org.br





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