Mãe Terra

Trump para executivos da energia suja: 'vocês vão gostar muito de mim'

Donald Trump prometeu uma audiência de executivos do combustível fóssil que é, de fato, a agenda real que iria perseguir se eleito para a Casa Branca

26/09/2016 14:41

Gage Skidmore/flickr/cc

Créditos da foto: Gage Skidmore/flickr/cc

No mesmo dia que um novo relatório salientou a calamidade das emissões de carbono que acompanharia a nova extração de combustível fóssil, Donald Trump prometeu uma audiência de executivos do combustível fóssil que é a agenda real que iria perseguir se eleito para a Casa Branca.

“Ah, vocês vão gostar muito de mim”, disse o candidato Republicano à presidência em seu discurso na conferência do Shale Insight em Pittsburgh.

Ele prometeu suspender regulações, abrir mais terras para extração de combustível fóssil – incluindo carvão e fracking – e amenizar o caminho para novos projetos de infraestrutura de combustível fóssil incluindo oleodutos.

Trump disse que iria se livrar de “todas as regulações desnecessárias, e instalar uma moratória temporária sobre novas regulações não compelidas pelo Congresso ou segurança pública”. Ele também chamou as regulações anti-carvão de “injustas com o nosso povo e trabalhadores”.

Novos projetos de combustível fóssil que os executivos gostariam de avançar não encontrariam obstáculos em uma presidência Trump, ele disse. “Se eu for presidente, irão acontecer rapidamente. Vocês ficarão impressionados com a rapidez”, ele disse.

Reajindo contra a agenda de Trump, Rhea Suh, presidente do Conselho de Defesa de Recursos Naturais, chamou-a de “uma lista de desejos dos grandes poluidores” que “seria um pesadelo para nosso clima e nossas comunidades”.

Cassady Sharp, porta-voz do Greenpeace EUA, fez alguns apontamentos acerca do discurso, dizendo que “Trump provou novamente que não é um líder adequado com nenhuma compreensão da realidade” que louvou “o processo de extração de uma energia perigosa que ameaça a saúde e segurança de famílias e comunidades ao redor do país, e prometeu acabar com regulações críticas e com a Agência de Proteção Ambiental (EPA)”.

“Esse homem não tem responsabilidade para lidar com a política energética dos EUA, e ele seria um catalisador contundente de uma mudança climática catastrófica se for eleito presidente”, adicionou Sharp.

Dentre os que estão tentando formatar essa política energética está o bilionário do fracking, Harold Hamm, cuja presença na audiência foi apreciada por Trump.

Mark Floegel, diretor de pesquisa do Greenpeace EUA, descreve Hamm como um mentiroso em série que nega o clima, que fez seus bilhões às custas da Terra e do povo. Um bilionário genuíno, Hamm é o 13o filho de um meeiro de algodão que alcançou sucesso trabalhando no negócio de petróleo e cuja companhia – Continental Resources – agora controla boa parte do Bakken Formation, rico em carbono, na Dakota do Norte.

Em seu discurso, Trump também se gabou que seu plano energético tornaria “a América saudável novamente” incluindo o aumento do PIB em $100 bilhões e ajudar a criar tantos empregos que “todos os trabalhadores que serão postos para trabalhar, irão amar Donald Trump”. A CNBC, no entanto, contrariou suas afirmações, escrevendo que o lucro inesperado que Trump se gaba falha ao não levar em consideração a real razão pela qual a indústria do carvão está batalhando, e é originado de um relatório ligado a indústria cujas descobertas se baseiam em um modelo de prognóstico que frequentemente superestima os benefícios econômicos do drilling, de acordo com economistas que estudam o gás de xisto e o petróleo dos EUA”.

A Casa Branca divulgou semana passada sua agenda energética, que, como o Common Dreams já relatou, inclui “corte de taxas de impostos de empresas; regulações como a Waters of the U.S. Rule (pdf) e o Clean Power Plan; suspender restrições em todas as fontes de energia norte-americana, incluindo os depósitos mais sujos de combustíveis fóssil e offshore; e simplificar o processo de permissão para todos os projetos de infraestrutura energética, como oleodutos altamente controversos”.

O diretor político do Sierra Club, Khalid Pitts, denunciou as políticas como um “incêndio no lixão”, e chamou o ex-astro de TV de “o pior candidato para nosso clima e meio-ambiente na história”.



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