Mãe Terra

Apesar da retórica por mudança climática, Fundação Gates investe U$ 1,4 bilhão em combustível fóssil

A maior fundação de caridade do mundo na mira mundial de apelos por desinvestimento.

23/03/2015 00:00

World Economic Forum/flickr/cc

Créditos da foto: World Economic Forum/flickr/cc

Mesmo com a posição da Fundação de Bill e Melinda Gates de que o aquecimento global representa uma ameaça imediata e séria, a instituição de caridade detém ao menos $1.4 bilhão de investimentos nas companhias de combustível fóssil que encabeçam a crise climática, estimulando acusações de hipocrisia por parte de ativistas ambientais.

Os dados foram divulgados quinta-feira por repórteres do Guardian, Damian Carrington e Karl Mathiesen, que analisaram as declarações de imposto mais recentes da organização em 2013.

A fundação investe em alguns dos maiores – e mais infames – gigantes do combustível fóssil no mundo, incluindo: BP, Anadarko Petróleo e Vale.

Maior fundação de caridade do mundo, a organização diz que seus investimentos são controlados por uma entidade separada, a Asset Trust. No entanto, ativistas responsabilizam a organização que, no passado, já cedeu à pressão publica para se alienar de companhias que não respeitam os direitos humanos, incluindo a contratante prisional Israelense G4S.

O Guardian lançou uma campanha na segunda-feira chamando a Fundação Bill e Melinda Gates, assim como o Welcome Trust, para “remover seus investimentos das 200 maiores companhias de combustível fóssil, de quaisquer fundos agregados que incluam títulos públicos de combustível fóssil e também laços corporativos dentro de cinco anos.”

O esforço já é apoiado por mais de cem mil pessoas, relata o veículo.

A campanha é parte de uma iniciativa global pelo desinvestimento em combustível fóssil, estratégia para deslegitimar o financiamento das indústrias que encabeçam o aquecimento global. Em resposta a tais esforços, mais de 200 instituições já se comprometeram com o desinvestimento, desde faculdades e universidades ao Conselho Mundial de Igrejas e a Associação Médica Britânica. Universidades da África do Sul à Nova Zelândia já aderiram à campanha.

“Esse desinvestimento significa alinhar nossas finanças com nossos valores e desafiar o poder político de uma indústria que ameaça indígenas, poluem nossa política e nos direciona a uma catástrofe climática,” disse Adam Zuckerman, ativista ambiental e de direitos humanos do Amazon Watch, ao Common Dreams.

Um estudo publicado ainda esse ano no jornal Nature em janeiro descobriu que, para combater o desastre climático, a maioria dos depósitos de combustíveis fóssil no planeta – incluindo 92% do carvão dos EUA, todo gás e petróleo do Ártico, e a maioria das areias asfálticas do Canadá – devem continuar “no solo”.
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Tradução de Isabela Palhares.



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