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Lago Baikal, mais profunda concentração de água pura do mundo, está virando um pântano

Ecologistas afirmam que toneladas de lixo vindas de áreas turísticas e transportes hídricos estão sendo derramadas no lago protegido pela Unesco.

15/09/2014 00:00

Wikimedia Commons

Créditos da foto: Wikimedia Commons

A maior e mais velha concentração de água pura mundial, o Lago Baikal, está se tornando um pântano, alertam ecologistas russos. Dizem que toneladas de lixo vindas de áreas turísticas e transportes hídricos estão sendo derramadas no lago protegido pela Unesco.
 
Uma das maravilhas naturais e a pérola da Sibéria, o Lago Baikal recentemente se tornou fonte de notícias alarmantes em função do crescimento de plantas aquáticas estranhas à região, disseram os ecologistas numa mesa redonda que ocorreu na cidade de Irkutsk.
 
Uma expedição cientifica recente descobriu que 160 toneladas de lixo líquido são produzidos a cada temporada na baía de Chivyrkui, disse o chefe da Onda Ambiental de Baikal, uma das primeiras Ongs Russas, de acordo com a mídia SIA.
 
Moradores locais reclamaram aos ecologistas que o lixo facilmente escoa para o lago, relatou a SIA. O número crescente de áreas turísticas está contribuindo para a poluição. A reportagem diz que os campos turísticas passem o lixo para organizações especiais. No entanto, os caminhões de lixo não costumam chegar até as localidades e com isso depositam o lixo no Lago Baikal ou em rios que deságuam no lago.
 
Baikal é um lago em uma fenda localizado no sul da Sibéria que contêm quase 20% da superficie pura e congelada mundial – a maior do mundo em volume. Tem 1,642 metros de profundidade e figura entre os lagos mais cristalinos. Com 25 milhões de anos, é cotado como o lago mais velho do mundo.
 
Além disso, um fator que contribui para a contaminação do lago são os transportes hídricos. Barcos, navios, iates e outras embarcações produzem 25,000 toneladas de lixo liquido anualmente, mas somente 1,600 acabam no local adequado, de acordo com o chefe da Onda Ambiental de Baikal.
 
O lixo jogado no lago impulsionou o crescimento de plantas marinhas como a Spirogyra e a Elodea Canadensis, as quais nunca cresceram lá antes.
 
Pesquisas descobriram uma acumulação significativa de plantas marinhas e moluscos mortos na costa norte do lago Baikal, de acordo com o relatório. Eles monitoraram a costa desde a nascente do Rio Tia até a Baía Senogda, descobrindo plantas marinhas podres. Um nivel elevado de poluição também foi encontrado na Baía Listvenichesky.
 
Como um esforço para prevenir o encharcamento, ecologistas sugerem que equipem os veiculos de lixo com aparelhos de monitoramento via satélite para traçar exatamente onde o lixo é entregado. Do mais, novas tecnologias e programas educacionais devem ser introduzidos para reduzir a produção de lixo, apontaram os ecologistas. A ong também ofereceu apoio às iniciativas dos residentes assim como projetos ambientais locais.
 
Os novos problemas vêm depois de uma batalha de quase duas décadas para fechar um dos maiores poluidores do lago – a fábrica de papel e celulose de Baikal. Em dezembro de 2013, foi finalmente fechada após 47 anos jogando lixo no local.
 
Enquanto isso, autoridades russas lideraram discussões em Irkutsk semana passada se referindo ao aprimoramento da legislação sobre a proteção das fontes aquáticas, usando o Lago Baikal como exemplo.
 
O encerramento da fábrica afetou a economia da região, deixando quase 2,000 pessoas desempregadas, Oleg Kravchuk – o ministro dos recursos naturais e ecologia da região de Irkutsk – disse na reunião. O moinho era o único grande empregador da cidade e contava com 80% da renda. Moradores locais organizaram protestos para chamar a atenção para seus problemas econômicos.
 
Em resposta aos pedidos, o ministro propôs a criação de empresas ecossustentáveis. A legislação da região de Irkutsk sofreu uma emenda para a permissão da construção de plantas que poderiam engarrafar água assim como processar vegetais e frutas.
 
Membros da reunião também se referiram à poluição causada pelos transportes hídricos, descarte de lixo não tratado e lixo na beira das costas. Uma solução nova foi adiantar a construção do primeiro veículo ecossustentável, Trofim Yaskin, o qual seria introduzido para combater o encharcamento. Será equipado com aparelhos para reciclar o lixo em combustível, assim como recuperar o lixo sólido e eliminar a condensação. O navio será equipado com paineis solares e um gerador de vento. O custo do projeto foi estimado em 12 milhões de rublos.
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Tradução de Isabela Palhares. Para ler o original, clique aqui.



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