Memória

Abril na História

Um mês de derrotas no Brasil, mas de grandes vitórias dos povos contra o imperialismo

23/04/2021 12:09

Ho Chi Minh (1890-1969), o dirigente da independência do Vietnã e de sua vitoriosa, imbatível resistência (Reprodução/bit.ly/32JN1cu)

Créditos da foto: Ho Chi Minh (1890-1969), o dirigente da independência do Vietnã e de sua vitoriosa, imbatível resistência (Reprodução/bit.ly/32JN1cu)

 
O mês de abril na História brasileira não tem sido um mês feliz.

A começar pela data mais infame do nosso país, o golpe militar de 1º de abril de 1964, que instalou a longa ditadura militar de 21 anos, cujas brutais consequências se fazem sentir até hoje.

Somos um país recordista em concentração de renda e injustiça social; com grande entrega de nossas riquezas nacionais; enorme saque e transferência de recursos da economia brasileira para o exterior; com um modelo econômico ultra-neoliberal cada vez mais gerador de desemprego, arrocho salarial, perda de direitos trabalhistas e previdenciários.

Se o Brasil em 1964 já era um país com graves problemas, necessitado de reformas estruturais como a reforma agrária e a limitação da remessa de lucros das multinacionais, a ditadura militar não só não fez tais reformas, como se empenhou numa contra-revolução que levou ao paroxismo a submissão ao grande capital nacional e internacional, e a precarização da situação do povo.

Pior, desenvolveu o capitalismo dependente, refém da especulação financeira, cujo círculo vicioso é a reprodução sempre mais ampliada da exclusão social e das piores mazelas: miséria, favelas, tráfico de drogas, compra de votos, neofascismo, obscurantismo, oligopólios privados da comunicação, violência urbana, população indefesa diante de epidemias, concentração fundiária, população negra e pobre tratada como cidadãos de segunda classe, milícias, etc.

17 DE ABRIL

O dia 17 de abril é também um dia infeliz no Brasil.

Dia do terrível massacre de Eldorado do Carajás, em 1996, onde foram assassinados a sangue frio 21 sem-terra, e outros 69 mutilados, inclusive crianças.

Massacre que chocou o mundo e se tornou o Dia Internacional da Luta Camponesa.

Há 5 anos, também num 17 de abril, em 2016, o país assistiu aquela patética sessão da Câmara dos Deputados que deu o passo decisivo para o golpe do "impeachment"contra uma presidenta sem crime de responsabilidade.

Sessão na qual corruptos notórios, comandados pelo ladrão nº 1 do país, o pastor Eduardo Cunha (MDB), mostraram sua própria indigência, apresentando-se como campeões da "luta contra a corrupção", da "moralidade", da "defesa da família", com votos de sim ao golpe de Estado dedicados "a minha esposa", "aos meus filhinhos", "contra o kit gay", "não esqueço aqui da titia", "aos lutadores de 1964", "a minha mãe ao meu pai que me formaram de maneira impoluta", "faço questão de não esquecer meus queridos sobrinhos", etc, etc.

E o voto mais sórdido de todos, do neofascista Jair Bolsonaro, então ainda no mais corrupto dos partidos, o PP, no qual passou 30 anos: o voto dedicado ao torturador assassino de cerca de 50 patriotas, responsável pelo desaparecimento de muitos democratas lutadores do povo, o ocultador de cadáveres, chefe da central terrorista do DOI-Codi de São Paulo, o criminoso contra a Humanidade, coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

VITÓRIAS DOS POVOS

Mas abril é também mês de vitórias dos povos.

Em 17 de abril de 1961, os Estados Unidos, numa operação idealizada e coordenada pela CIA, promoviam a invasão militar de Cuba, no intuito vão de destruir a Revolução Cubana.

Em pouco mais de 48 horas, os invasores foram completamente esmagados após o seu desembarque na Praia Giron.

Como disse Fidel Castro: "Em Giron o imperialismo sofreu sua primeira derrota militar na América Latina".

A vitória alcançada acentuou a irreversível libertação do povo cubano, o rumo socialista da Revolução de 1º de janeiro de 1959. Constitui estímulo permanente à luta dos povos, em particular dos povos da América Latina, nossa "Pátria Grande", como a chamou Simón Bolívar.

No mês de abril, no dia 25, em 1975, Portugal também se livrou do salazarismo fascista português, e pôs fim à tenebrosa ditadura de 48 anos de existência, na verdadeira primavera que foi a Revolução dos Cravos. Os capitães de abril, o povo nas ruas, dirigido pelo movimento popular organizado, aliados à luta dos movimentos de libertação das colônias, levaram á derrocada do ultra-colonialismo português.

Em abril, no dia 30, também do mesmo ano de 1975, marca a queda de Saigon, que passou a se chamar Cidade de Ho Chi Minh. Era o fim da Guerra do Vietnã, a vitória definitiva do heroico povo vietnamita, o desfecho da agressão militar do imperialismo americano durante 20 anos, causadora da morte de 2 milhões de vietnamitas.

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