Memória

Sobre a ação política da classe operária

 

08/11/2020 13:09

(Reprodução/bit.ly/3n92OKh)

Créditos da foto: (Reprodução/bit.ly/3n92OKh)

 
Abstenção da política é impossível; todos os jornais abstencionistas também fazem política. O cerne da questão é apenas como eles fazem isso e que política fazem. De resto, a abstenção é impossível para nós. O Partido Trabalhista já existe como partido político na maioria dos países, e não seremos nós que o destruiremos pregando a abstenção. A experiência da vida atual, a opressão política a que os atuais governos sujeitam os trabalhadores, tanto para fins políticos como sociais, os obrigam a se dedicarem à política, gostem ou não. Pregar a abstenção a eles significaria jogá-los nos braços da política burguesa. A abstenção é completamente impossível, especialmente depois da Comuna de Paris, que colocou a ação política do proletariado na ordem do dia.

Queremos a abolição das classes. Quais são os meios para consegui-lo? A dominação política do proletariado. E quando todos concordam, nos é pedido que não nos envolvamos na política! Todos os abstencionistas se autodenominam revolucionários e até revolucionários por excelência. Mas a revolução é o ato supremo da política. Quem quiser, deve querer os meios, a ação política que o prepara, que dá aos trabalhadores a educação para a revolução e sem a qual os trabalhadores, no dia seguinte à luta, serão sempre enganados pelos Favre e pelos Pyat. Mas a política que ele deve seguir é a política dos trabalhadores. O Partido Trabalhista não deve se constituir como um apêndice de nenhum partido burguês, mas como um partido independente, que tem seu próprio objetivo, sua própria política.

Liberdades políticas, direito de reunião e associação e liberdade de imprensa: estas são as nossas armas. E devemos cruzar os braços e nos abster quando eles querem tirá-los? Diz-se que toda ação política implica o reconhecimento do estado de coisas existente. Mas quando esse estado de coisas nos dá os meios para lutar contra ele, recorrer a eles não significa reconhecer o estado de coisas existente.

Notas

Estas declarações de Engels foram escritas em função da Conferência da Primeira Internacional, realizada em Londres, entre 17 e 23 de setembro de 1871. Convocada em uma atmosfera de cruel repressão contra os membros da Internacional, após a derrota da Comuna de Paris, e teve uma representação relativamente pequena: participaram 22 delegados com voz e voto, e 10 com voz em seu trabalho. Os países que não puderam enviar delegados foram representados pelos respectivos secretários do Conselho Geral. Marx representou a Alemanha e Engels representou a Itália.

A Conferência de Londres marcou uma etapa importante na luta de Marx e Engels pela criação do Partido Trabalhista. A Conferência aprovou a resolução “Sobre a ação política da classe operária”, cuja parte fundamental foi incluída, por acordo do Congresso da Internacional, realizado em Haia, nos Estatutos Gerais da Associação Internacional de Trabalhadores. Em várias resoluções da Conferência, importantes princípios táticos e organizacionais do Partido Trabalhista foram formulados, desferindo um golpe no sectarismo e no reformismo. A Conferência de Londres desempenhou um grande papel na vitória dos princípios do partidarismo proletário sobre o oportunismo anarquista.

*Publicado originalmente em 'El Viejo Topo' | Tradução de Victor Farinelli



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