Mídia

''Fake news são uma ameaça à democracia''

É preciso que todos os partidos assumam ''com clareza'' que não vão divulgar informações falsas. É o que defende Catarina Martins sublinhando que o Bloco foi o único partido a ter apresentado um "Código de Conduta" para a sua atuação nas redes sociais que recusa a ''intoxicação do debate político''

24/02/2019 17:10

(Paula Nunes)

Créditos da foto: (Paula Nunes)

 

Começar por separar o trigo do joio. Em entrevista à Agência Lusa, Catarina Martins sublinha as diferenças entre notícias “produzidas por jornalistas e publicadas em órgãos de comunicação social e norteadas por regras deontológicas, com mecanismos regulatórios” por um lado e “campanhas de desinformação, que propositadamente difundem informação falsa e tantas vezes são criadas e alimentadas a partir das redes sociais”, por outro.

Estas segundas “baseiam-se na mentira e na manipulação”, procuram “intoxicar o debate político”, servem “quem faz do ódio a sua política” e são “uma ameaça à própria democracia”.

Para combater este fenómeno, agentes políticos e mediáticos devem tomar medidas. Daí que a coordenadora do Bloco proponha uma articulação de todos os meios de comunicação social. O partido, aliás, defendeu que o Parlamento assumisse o papel de mediador entre os diversos órgãos e grupos de media para trabalhar nesse sentido.

Do lado da política, Catarina Martins desafia “todos os partidos devem assumir com clareza o compromisso de não recorrer a campanhas de desinformação”. O Bloco foi pioneiro ao criar um Código de Conduta do partido para as redes sociais com regras claras e o compromisso de recusar divulgar deliberadamente “informação falsa e com a denúncia de qualquer método ilegal e antidemocrático que vise intoxicar o debate político”.

Para o Bloco, o caminho passa também pela “a promoção de uma comunicação social robusta, capaz de opor às campanhas de desinformação um jornalismo exigente e rigoroso”. Esse é o intuito da proposta do Bloco para taxar os gigantes digitais, que “acabam por ficar com boa parte da receita publicitária que os jornais perderam”. As verbas arrecadadas desta forma reverteriam para a criação de um fundo de apoio à imprensa que iria “garantir incentivos ao porte pago e disponibilizar assinaturas de um jornal ou revista para estudantes do 12.º ano e do ensino superior”.

*Publicado originalmente em esquerda.net

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