Mídia

30 anos sem Vlado

22/10/2005 00:00

Agência Carta Maior

Além do recém-lançado documentário de João Batista de Andrade mostrando em que circunstância aconteceu a morte do jornalista Vladimir Herzog ( leia crítica) e da reedição revista, atualizada e ampliada do Dossiê Herzog - Prisão, tortura e morte no Brasil. ( leia mais), mais marcos são lançados para pontuar os 30 anos da morte de uma das mais conhecidas vítimas dos desmandos da ditadura militar no Brasil.



Três eventos dignos de nota desafiam a memória daqueles dias de terror e revolvem emoções sempre vivas naqueles que, de alguma forma, guardam a justa lembrança daqueles fatos. Uma mostra artística que desafiou o sentimento dos artistas apresenta obras feitas em blocos de anotações de jornalistas e expostas nas celas do DEOPS. No Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, fotos inéditas, pois que censuradas na época, mostram cenas do velório e enterro do jornalista assassinado. Um coro de mil vozes - regido por um maestro brasileiro, com fama na capital mundial do canto lírico, Milão, e amigo de Vlado - substituirá o silêncio do dia 31 de outubro de 1975, quando 8 mil pessoas reuniram-se na Catedral da Sé, centro de São Paulo, num protesto silencioso contra a morte brutal do jornalista Vladimir Herzog.





Arte nos porões do terror

Será aberta neste sábado, dia 22, às 11 horas, a Exposição Caderno de Notas - Vlado, 30 anos, que se integra ao ciclo de eventos organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo em memória do jornalista Vladimir Herzog, no 30º aniversário de seu assassinato pelos agentes do regime militar. A exposição, que ficará em cartaz até 22 de novembro, acontece nas antigas celas do DEOPS (Departamento Estadual da Ordem Política e Social), hoje integradas à Estação Pinacoteca (Largo General Osório, 66 - Bairro da Luz - São Paulo).


Participam da mostra mais de 40 artistas plásticos, entre os quais Maria Bonomi, Cláudio Tozzi, Guto Lacaz, Lúcia Py, Dworeki, Cildo Oliveira, Luiz Castañon, Fernando Lemos e Gilberto Salvador. A curadoria é da jornalista e crítica de arte Radha Abramo.



Ao propor que as artes plásticas integrassem-se à série de eventos em homenagem a Herzog, os organizadores e apoiadores incorporaram a idéia proposta por Radha que lançou um desafio aos artistas: apropriarem-se do instrumento de trabalho mais simples do jornalista, seu bloco de anotações, para dar-lhe novo significado, transformando-o de suporte para a informação imparcial em manisfestações da subjetividade artística. O criador, à semelhança do repórter, também transmite uma idéia, mas, ao contrário deste, almeja a poesia, não a fria objetividade.



Na verdade, o tema proposto, uma visão sobre os 30 anos da morte de Vladimir Herzog e o local da exposição - as antigas celas do Deops - suscitaram nos artistas convidados sensações profundas e resultaram em obras politizadas com grande carga crítica.





Fotos inéditas do enterro de Herzog


Com fotos inéditas do velório e do enterro do jornalista, foi inaugurada nesta terça, dia 18, a exposição de fotografia que ficará em cartaz até 01 de novembro, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (rua Rego Freitas, 530 - sobreloja - Vila Buarque), das 10 às 18 horas (menos aos finais de semana).



Os trabalhos inéditos são de autoria da repórter-fotográfica Elvira Alegre, que à época da morte de Herzog trabalhava para o jornal alternativo Ex. Ela foi a única profissional de imagem a registrar o velório e o enterro do jornalista. As fotos não chegaram a ser publicadas, porque a redação do Ex foi invadida por agentes da ditadura, que impediram a circulação da edição. Por sorte, os negativos das fotos estavam com Elvira, que havia deixado a redação minutos antes da invasão.



A exposição traz também fotos cedidas pelas agências Estado e Folha, além de outras pertencentes ao arquivo do Sindicato.



Mil vozes na Sé


Neste domingo, 23 de outubro, às 16 horas, um coro de mil vozes do Fórum Coral Mundial fará apresentação do concerto Pax e Direitos Humanos na Catedral da Sé durante o ato inter-religioso em homenagem aos 30 anos de morte do Vlado. O regente, maestro Martinho Lutero, vem de Milão, na Itália, especialmente para reger este coro. Depois de Carlos Gomes, ele é o único brasileiro a receber o reconhecimento de cidadão de Milão. Foi também ganhador do prêmio Andrè Segovia, como regente. Lutero conheceu Vlado pessoalmente e conviveu com ele quando ainda morava no Brasil.








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