Mídia

A beleza clássica do ballet cubano

06/05/2006 00:00

Alicia Alonso

Créditos da foto: Alicia Alonso
A estréia da quarta turnê brasileira do Ballet Nacional de Cuba foi marcada por quatro apresentações, no Via Funchal, em São Paulo, no final de abril, do espetáculo "A Magia da Dança", concebido e dirigido pela diva do ballet mundial, Alicia Alonso (na foto). No palco, viu-se uma antologia de cenas culminantes de seis obras célebres do repertório do ballet tradicional, todas segundo as famosas versões coreográficas de Alicia: “Giselle”, “O Lago dos Cisnes”, “A Bela Adormecida”, “O Quebra Nozes”, “Coppélia” e “Don Quixote” (veja álbum de fotos).

A turnê teve continuidade no dia 1º de maio, quando a companhia cubana apresentou-se em Maceió. Mais sete capitais brasileiras poderão assistir ao espetáculo que encerra a turnê novamente em São Paulo: Recife, Aracaju, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. A prevista passagem pelo Rio de Janeiro foi cancelada na última hora.

Em Recife, o Ballete Nacional de Cuba poderá ser visto no Centro de Convenções da UFPE, nos dias 06 e 07 de maio. Em Aracajú, no Teatro Tobias Barreto, no dia 09 de maio. Em Brasília serão três apresentações no Teatro Cláudio Santoro, nos dias 11, 12 e 13 de maio. A capital catarinense assistirá ao ballet no Teatro do CIC, no dia 16 de maio e Porto Alegre, no Teatro Sesi Porto Alegre, nos dias 19 e 20 de maio. Em Curitiba, no Teatro Guaíra, no dia 22 de maio e em Belo Horizonte, no Grande Teatro do Palácio das Artes, no dia 26 de maio. São Paulo fecha a turnê com duas reapresentações no mesmo Via Funchal, nos dias 28 e 29 de maio.

UM GRANDE BALLET E UMA GRANDE COREÓGRAFA
Grande intérprete que foi de tantas obras emblemáticas da história da dança, Alicia resgatou ao longo de sua carreira de coreógrafa tudo o que se conserva das versões originais do século XIX, agregado à sua profunda sabedoria sobre os estilos, o domínio da linguagem técnica da dança clássica desde sua essência até seu desenvolvimento atual.

Alicia é realmente a pedra fundamental da companhia. Foi ela quem a fundou , em 1948, ao lado do seu então marido, Fernando Alonso. A partir de seu trabalho dedicado e detalhista é que se talhou o talento de todo o elenco ao longo destes 58 anos de existência da companhia. “Nos diferentes ballets apresentados em "A Magia da Dança", com trechos que a própria Alicia Alonso dançou na sua maravilhosa carreira artística, nada ficou sem os atributos dedicados a esta companhia, com seus elementos femininos e masculinos à altura da fama desta estrela máxima da dança que é Alicia Alonso” – afirmou Hugo Travers que é ex-bailarino do Ballet Nacional de Cuba e atual Maitre de Ballet e Assistente de Direção do Balé da Cidade de São Paulo.

O atual quadro de bailarinos do Ballet Nacional de Cuba apresenta profissionais todos de primeira grandeza, possuidores de domínio técnico e artístico fora do comum. Isso sem mencionar as reconhecidas qualidades do corpo de baile. É surpreendente a quantidade de primeiras figuras com que conta a Companhia e seria difícil encontrar no cenário contemporâneo outra que, em uma mesma apresentação, exiba tão generosa mostra de talentos individuais. Não é à toa que cenas de destaque de brandes ballets como “Giselle”, “O Lago dos Cisnes”, “A Bela Adormecida”, “O Quebra Nozes”, “Coppélia” e “Don Quixote” possam ser vistos em uma única noite, apresentados por uma mesma companhia.

Impossível destacar elogio a um ou outro destes brilhantes bailarinos sem o risco de ser injusto com os demais. Podemos, no entanto, registrar a precisão de Viengsay Valdés, dona de um domínio técnico incrível, que provocou muitos aplausos do público com seus espetaculares equilíbrios; a maturidade interpretativa de Bárbara García e a força técnica e a frescura interpretativa de Anette Delgado e Yolanda Correa.

A dança masculina cubana é um capítulo à parte, não só no corpo do Ballet Nacional de Cuba, mas em escala internacional. O país caribenho é uma potência como produto de excelentes bailarinos clássicos homens. Foi um impacto o grupo de jovens bailarinos que se viu, por exemplo, na cena dos dois toureiros no ballet Don Quixote. Uma mostra de estrelas como Joel Carreño, de fina linha clássica; Victor Gili, um maduro intérprete com notáveis condições histriônicas; e Miguelángel Blanco e Javier Torres, ambos de presença cênica marcante. Outros destaques couberam a Elier Bourzac, um elegante virtuoso na técnica, que se mostrou muito eficaz na dança com sua parceira de palco; e Taras Domitro, uma estrela ainda muito jovem, dono de elasticidade sem precedentes.

No encerramento, "A Magia da Dança" deixa os clássico um pouco de lado e brinda o público com uma simpática mostra da tradição clássica fundida com a graça e sensualidade dos bailes populares cubanos. Trata-se de uma alegre apresentação do ballet intitulado "Fiesta Crioulla" da Sinfonia de Gottschalk, com a qual se fecha este inesquecível espetáculo com toda a companhia reunida no palco. Na estréia brasileira, o Via Funchal encheu-se de aplausos que se converteram em calorosa ovação quando Alicia Alonso, aos 86 anos, mesmo com dificuldades para se locomover e enxergar, apareceu no palco para saudar o público entusiasmado, que agradeceu, desta forma, pelo exemplo de sua longa entrega à arte e pela beleza clássica que transmitiu aos jovens artistas que dirige.

ESPETÁCULOS QUE AINDA FALTAM NA TURNÊ BRASILEIRA
São Paulo – Via Funchal, nos dias 26, 27, 28 e 29 de abril;
Maceió - Teatro Gustavo Leite, no dia 1º de maio;
Recife – Centro de Convenções da UFPE, nos dias 06 e 07 de maio;
Aracajú - Teatro Tobias Barreto, no dia 09 de maio;
Brasília – Teatro Cláudio Santoro, nos dias 11, 12 e 13 de maio;
Florianópolis – Teatro do CIC, no dia 16 de maio;
Porto Alegre – Teatro Sesi Porto Alegre, nos dias 19 e 20 de maio;
Curitiba – Teatro Guaíra, no dia 22 de maio;
Belo Horizonte – Grande Teatro do Palácio das Artes, no dia 26 de maio;
São Paulo – Via Funchal, nos dias 28 e 29 de maio.


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