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ABI, uma instituição que ameaça naufragar

Termos da nota em que "expressa profunda preocupação" com o ocorrido não são condizentes com a tradição de luta que caracterizou a Instituição

09/01/2019 10:53

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Se o presente da ABI já é preocupante, seu futuro inspira temor. A única coisa pior do que o silêncio dos últimos anos - em apoio ao Golpe de 2016 – e, nos últimos dias, sobre o gravíssimo episódio em que a jornalista Malu Franco se viu autora de um texto que não escreveu e que, em muito, poderia incriminá-la por botar em sua boca palavras e acusações que jamais fez, foi a Nota (clique aqui) em que se manifesta sobre o tratamento dado à imprensa pelo novo governo na posse do Presidente. 

Os termos da nota em que "expressa profunda preocupação" com o ocorrido não são condizentes com a tradição de luta que caracterizou a Instituição. Ela não tem que se preocupar, tem que se indignar. Tem que vir a público afirmar em alto e bom som que qualquer agressão a jornalistas é uma agressão à democracia e que fakenews a respeito de profissionais da imprensa não serão toleradas.

Ao chamar funcionários públicos que no exercício de suas funções, cumpriam ordens, de "criadagem" e "serviçais" parece ter se inspirado no discurso presidencial, feito no parlatório, onde Jair Bolsonaro promete libertar o povo do socialismo e do politicamente correto.

O ser politicamente correto nada mais é do que uma forma de não ofender os sentimentos alheios, mas a direção da ABI parece ter captado e aprovado bem o espírito do se liberar do mesmo e não se privou de utilizar o incorreto.Não é ridicularizando os demais nem nos omitindo diante de fakenews contra nossos colegas que poderemos cumprir nosso papel. Estaremos apenas sendo coniventes com o achincalhe e a mentira.

Mais do que nunca nossa democracia dependerá da imprensa cabendo a ela um papel importante em sua defesa. O novo governo não se vale de meias palavras ao declarar, desde a campanha que o levou à vitória eleitoral, seu ódio e desprezo ao que sabe ser o Quarto Poder.

Cabe à ABI defendê-la como fez Barbosa Lima Sobrinho e tantos outros que souberam honrar a presidência que ocuparam.

Esperamos que a Casa passe a desempenhar o papel que sempre lhe coube na história do país com mais respeito, independência e dignidade para não se ver tragada pelo tsnunami que nos ameaça.

Lygia Jobim é jornalista e advogada, ex-presidente do Conselho da ABI

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