Mídia

Aconteceu, Virou Boneco!

19/05/2002 00:00

Eu sou do tempo em que as pessoas estudavam e trabalhavam a vida inteira pra fazer um pé-de-meia. Hoje, pra ganhar um dinheiro extra, algumas pessoas viram bonecos, e você pode ler isso literalmente ou como metáfora, que em ambos os casos faz sentido.


As bonecas do meu tempo eram ficções. Tinha a Chorinho da Estrela, a Bat-Bat, que batia palminha, a Glut-Glut, que comia papinha, e não sei mais quantas e como se chamavam. A Susi foi uma das primeiras a ganhar nome e jeito de mulher. Em seguida, veio a Barbie, outra que parecia gente de verdade. Mas ainda eram reproduções de figuras humanas que não existiam. Nunca houve uma Susi apresentadora de tevê ou uma Barbie capa da Vip. Eram bonecas. Brinquedos. Frutos da imaginação de alguém.


Pois as coisas mudaram. Hoje os bonecos são fabricados primeiro na televisão, e uma vez testada sua viabilidade mercadológica, só então vão para as prateleiras: Supla, Bam Bam, Sandy, Xuxa, Angélica, Eliana, Carla Perez. Bonecos. Brinquedos. Frutos da imaginação de alguém.


Sei que eles estão apenas aproveitando a repercussão que têm junto ao público infantil para faturar um pouco mais. Crime não é. Só que de repente criança virou público-alvo pra tudo. Apareceu na tevê, pode empacotar que a garotada consome. Li na Internet que o lutador Vitor Belfort também vai virar boneco. Talvez comercializem logo o casal, ele e a Feiticeira, que aliás é um ótimo nome para boneca, assim como Syang, a boneca erótica. É possível que até o Natal lancem os bonecos gêmeos, assim como o boneco Marcos Mion, o boneco João Gordo e a boneca Leka, aquela que você aperta a barriguinha e ela vomita. Não duvido nada.


A moda tanto pegou que, na estréia do programa Saia Justa, do canal GNT, as quatro apresentadoras (Fernanda Young, Marisa Orth, Monica Waldvogel e Rita Lee) ganharam bonecas de si mesmas de presente da produção. Foi uma espécie de amuleto de boa sorte. Virar boneco passou a ser sinônimo de sucesso.


Anos atrás, havia uma revista famosa no Brasil cujo slogan era “aconteceu, virou Manchete”. Agora já não basta ser notícia. De Shakira a Bin Laden: aconteceu, virou boneco.


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