Mídia

Aproximação do Espírito Pop: 1963-1968

29/05/2003 00:00

Augusto Sampaio

Aproximação do Espírito Pop: 1963-1968 traz 78 trabalhos realizados por quatro expoentes da arte contemporânea brasileira: Waldemar Cordeiro, Antonio Dias, Wesley Duke Lee e Nelson Leirner. A pesquisadora responsável pela curadoria, Cacilda Teixeira da Costa, vem organizando esta exposição há dois anos, mas nos lembra que desde 1972, quando foi estagiária de Walter Zanini no MAC, já havia sido alertada para a importância de se preparar uma reflexão sobre os anos 60.





O título da mostra já nos revela a prudência adotada na organização da mesma, pois o contexto brasileiro desse perído (1963-68) é avesso ao momento que fomentou a arte Pop nos Estados Unidos ou o Nouveau Réalisme na França. No Brasil, estávamos na véspera do golpe militar que implantou longos anos de ditadura, e 1968 foi o ano da assinatura do Ato Institucional nº 5.



Assim, os trabalhos destes artistas apresentam, de maneiras distintas, apenas alguma convergência com a arte Pop. A tônica das artes plásticas na década antecedente foi a abstração, em suas múltiplas matrizes, como a geométrica e a informal. Nos anos 60, a figuração volta à cena. Mas, então, a linguagem renovou-se por um procedimento "chave" na construção plástica: a apropriação de referências do universo cotidiano. O artista dos 60 coletou materiais de uso corrente, capturou objetos do dia-a-dia, tomou emprestado procedimentos construtivos de outras atividades e apropriou-se de signos e tipografias utilizados em outros veículos, especialmente os empregados na comunicação em grande escala: jornais, revistas, publicidade, quadrinhos e sistemas convencionais de sinalização.



Ao longo da exposição predominam as construções tridimensionais com técnicas mistas. Muitas vezes o espectador é convidado a ter uma presença ativa, manipulando os trabalhos. Mas, 40 anos depois de realizados, estes trabalhos fragilizaram-se e hoje pertencem a colecionadores e instituições, portanto somos sempre advertidos para "não tocar nas obras". Eis aqui um outro ponto de inflexão: concebidas com irreverência, ironia e, não raro, como contestação do próprio estatuto de obra de arte, rapidamente estes trabalhos foram absorvidos pelo mercado e integrados à dinâmica de especulação de valor. O contraponto a essas transformações está nos depoimentos que os próprios artistas apresentam no vídeo que foi especialmente elaborado para esta exposição.



MAM Ibirapuera


Parque Ibirapuera, portão 3

Visitação: terça, quarta e sexta, das 12h às 18h

quinta, das 12h às 22h; sábado e domingo, das 10h às 18h

Até 22 de junho

site: www.mam.org.br



Créditos das imagens:


Leirner: "Que horas são Dona Candida?", Nelson Leirner, 1965

Cordeiro: "Auto-retrato probabilístico"; Waldemar Cordeiro, 1967

Dias: "O meu retrato"; Antonio Dias, 1967

Wesley: "O último vôo de L (Liberdade)"; Wesley Duke Lee, 1964



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