Mídia

Cartas inéditas de Anchieta chegam a São Paulo

20/01/2004 00:00

Agência Carta Maior

Sob forte esquema de segurança, as inéditas cartas do Padre José de Anchieta relatando os detalhes da paisagem, dos costumes e pessoas da nascente cidade de São Paulo – então Vila de Piratininga – na segunda metade do século XVI, chegarão a São Paulo nesta quarta-feira (21/01). Em comemoração aos 450 anos da capital, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) traz, em conjunto com o Pateo do Collegio, 17 cartas de Anchieta, a primeira delas escrita em 1554.



Os documentos poderão ser vistos na exposição “Os Empreendedores: de Anchieta aos novos tempos” que começa dia 25 de janeiro no Pateo do Collegio. Os escritos fazem parte do volume “Epistolae Venerabilium” que contem mais de 300 cartas e estava guardado nos arquivos históricos da Companhia de Jesus, localizada no Vaticano.



Ao todo, estão no volume que está vindo para o Brasil 300 cartas de jesuítas que atuaram na América do Sul, escritas entre 1553 e 1601. Além dos relatórios do progresso da evangelização no continente à direção da Companhia, há também correspondência de cunho pessoal. A maioria dos documentos estão em latim e alguns em espanhol e português. A primeira carta de Anchieta, escrita em setembro de 1554 e endereçada a Santo Inácio de Loyola (seu superior hierárquico), fala da primeira missa realizada na região: uma verdadeira certidão de nascimento de São Paulo.



“Para sustento destes meninos, a farinha de pau trazida do interior, da distância de 30 milhas. Como era muito trabalhoso e difícil por causa da grande aspereza do caminho, ao nosso Padre (Nóbrega) pareceu melhor no Senhor mudarmo-nos para esta povoação de índios que se chama Piratininga. Isto por muitas razões: primeiro, por causa dos mantimentos; depois, porque se fazia nos portugueses menos fruto do que se devia... Por isso, alguns irmãos mandados para esta aldeia no ano do Senhor de 1554, chegamos a ela a 25 de janeiro e celebramos a primeira missa numa casa pobrezinha e muito pequena no dia da conversão de S. Paulo, e por isso dedicamos ao mesmo nome esta Casa.”



Acredita-se que a carta escrita dia 25 de janeiro de 1554 (aniversário da cidade) teria sido perdida em um naufrágio.



A exposição



As cartas vão ser expostas na cripta do Pateo do Collegio, no centro da cidade. Os documentos estarão acondicionados em um receptáculo em que temperatura e umidade serão controladas. As luzes também serão especiais ficando entre 40 e 50 lux de intensidade. “O estado de conservação do material é tão perfeito que pode-se ver as dobraduras feitas nas cartas para a envelopagem”, ressalta o curador da exposição Marcos Moraes.



Segundo ele a concepção da cenografia foi baseada na iluminação e na sonoplastia. “Queremos fazer com que os visitantes tenham uma experiência visual, corporal e sonora”, afirma o curador. Além das cartas, estarão à disposição do público dois terminais multimídia com reproduções dos materiais expostos e informações complementares. Compondo a ambientação da exposição, serão projetadas algumas cartas. Ao fundo, haverá a leitura do ator Paulo Goulart de alguns exemplares das correspondências.



Serviço


“Os Empreendedores: de Anchieta aos novos tempos”

A partir de 25 de janeiro

Em cartaz por 120 dias

Horários: de ter. a sex. das 9h às 17h00,
Sab. e dom. das 11h às 16h,
Seg. fecha

Pateo do Collegio




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