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Elizabeth Warren promete desmembrar Amazon, Facebook e Google se eleita presidenta

A candidata democrata manteria rédeas curtas na influência das gigantes de tecnologia e imporia regulações abrangentes no Vale do Silício

12/03/2019 20:21

E(rin Scott/Reuters)

Créditos da foto: E(rin Scott/Reuters)

 

A senadora Elizabeth Warren comprometeu-se a, se eleita presidenta no ano que vem, ter como meta desmembrar as grandes empresas de tecnologia Amazon, Facebook e Google porque elas têm controle excessivo sobre a vida dos estadunidenses.

Em seu plano para manter a rédia curta na influência das gigantes de tecnologia, Warren propõe uma legislação que tenha como alvo empresas com faturamento anual mundial de 25 bilhões de dólares ou mais e que imponha uma regulação abrangente ao Vale do Silício.

“As grandes empresas de tecnologia de hoje em dia têm poder demais — poder demais sobre nossa economia, nossa sociedade e nossa democracia”, disse a senadora de Massachusetts em uma postagem de blog. “Eles intimidaram seus competidores, usaram nossas informações privadas para obter lucro e distorceram o campo de jogo contra todos os outros.”

Warren, uma defensora antitruste que atacou os grandes bancos depois da crise financeira de 2007-2009, disse que selecionaria reguladores que pretendem desmembrar o que ela chamou de “fusões anticompetitivas” como a recente compra do Instagram pelo Facebook e a aquisição da Whole Foods pela Amazon.

 

Ela complementou: “Devemos ajudar os criadores de conteúdo dos EUA — de jornais locais e revistas nacionais a comediantes e músicos — a ficar com uma parte maior do valor que seu conteúdo gera, em vez de ver tudo sendo tomado por empresas como Google e Facebook.”

Warren expôs sua proposta antes de uma aparição em uma câmara municipal na sexta-feira, dia 8, no bairro de Nova York em relação ao qual a Amazon recentemente abandonou planos de abrir uma nova sede depois de intensas reações negativas de ativistas progressistas.

Ela é a primeira do disputado campo Democrata de 2020 a expor posições tão agressivas relativas a um assunto que pode definir o debate da eleição primária. Tem havido crescentes reações negativas em Washington à medida que as gigantes do Vale do Silício estendem sua influência, mas até o momento a União Europeia assumiu uma posição muito mais dura.

Um dos rivais de Warren para 2020, o senador Cory Booker, enfrentou críticas por sua proximidade passada com a indústria de tecnologia. Uma outra candidata, Amy Klobuchar, a Democrata principal do subcomitê judiciário do Senado sobre antitruste, declarou à entidade Centro pelo Progresso Estadunidense em Washington nesta semana: “Por muito tempo, todas as vezes que propusemos coisas do tipo, disseram: ‘Vocês estão tentando regular a internet. Buuuu!’ Contrariamente ao que se diz, essas são na verdade grandes empresas de mídia e suas informações são uma commodity. Esse é o ponto.”

Porém, o NetChoice, um grupo de negócios de comércio eletrônico cujos membros incluem o Facebook, advertiu que o plano de Warren levaria a maiores preços para os estadunidenses. Carl Szabo, seu vice-presidente e conselheiro geral, disse ao jornal Reuters: “Warren está errada em sua afirmação de que falta competição nos mercados de tecnologia. Nunca antes os consumidores e trabalhadores tiveram mais acesso a bens, serviços e oportunidades online.”

*Publicado originalmente em theguardian.com | Tradução: equipe Carta Maior

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