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Em 10 de Julho de 2002, Vênus entra em Virgem

01/05/2002 00:00

“Eu não sou eu nem sou o outro

Sou qualquer coisa de intermédio

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim até o outro (...)”



Os versos do obscuro poeta português Mário Carneiro retratam uma realidade tanto comum como lamentável: o óbvio fato de que a maioria das relações afetivas fatalmente descamba para a mais penosa e tediosa das agonias. Depois de algum tempo, uma boa parte dos casais apenas “vai convivendo”, sem que isso traga qualquer coisa de significativo ou impactante para suas vidas.



A entrada do planeta Vênus - regente do amor e do afeto - no signo de Virgem é um convite do Cosmos para que você repense as formas possíveis de resgatar a pureza dos relacionamentos e revisitar os princípios que regem a sua forma de se relacionar.



Observe-se que, lingüisticamente falando, amar é um verbo. Ou seja, uma palavra que designa uma ação, não um sentimento. O amor, um sentimento, é fruto do verbo amar. As pessoas, carentes de significado em suas vidas, é que transformam o verbo amar em um sentimento e acabam sendo levadas por esses sentimentos e emocionalidades. O glamour hollywoodiano, a literatura e as novelas de TV nos ensinam que nós não somos realmente responsáveis, pois nosso comportamento é fruto de nossos sentimentos. Mas os roteiros cinematográficos não refletem a realidade. Se nossos sentimentos controlarem nossas ações, estaremos abdicando de nossas responsabilidades e transferindo aos sentimentos o comando de tudo.



As pessoas que amam de verdade fazem do amar um verbo, pois sabem que o amor é algo que se realiza e se cultiva: os sacrifícios feitos, o desprendimento, o colocar os interesses do outro no centro das suas atenções. Amar, portanto, é um bem, um ativo patrimonial na contabilidade, que se valoriza através de atos amorosos.



As pessoas que amam de verdade subordinam os sentimentos aos valores e aos princípios. Somente assim o amor, sentimento, poderá ser recapturado.



E como começamos com poesia, terminemos idem. Mas desta vez, para nos ajudar a refletir sobre o significado do amor em nossa vida, os versos do poeta pernambucano João Luís de Miranda Martins:




Acende uma luz na cabana da clareira

E sai a mulher com o brocado de flores,

Ainda em molhadas contas

Cantarolando canções do campo e desejando

Que seu homem fizesse um trabalho bom.



Não queria o ótimo

Queria tudo o que fosse simples

E para repartir o pão-da-mesa bastavam

Os olhos cheios de ternura um com o outro

O coração cheio de amor e a luz da vela

Brilhando as intenções de ambos.

(...)

O trabalho que os dois conspiram em criar

Sua casa arrumada por ela

E o jardim, bom amigo, por ele construído com amor

Sim, o mesmo amor de um beijo

Quando da vela não se apaga com um sopro,

Molha a mão dele na boca úmida dela e pega na chama

E ardem as emoções dos dois

Pois a luz chega ao fim de sua trajetória

Objetiva em iluminar,

Passando ao desafio objetivo em agora

Deixar, no escuro, que vivam um amor

Bem forte como o trabalho (e ...)

Cultivado como o jardim (...).





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