Mídia

Exposição resgata história do interminável ano de 1968

17/09/2003 00:00

Agência Carta Maior

A exposição enfoca um dos prédios da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP – tomada pelos militares durante o regime militar e onde hoje funciona o MariAntonia –, que ficou abandonado até este ano e guardava rastros da época de 1968 e da ditadura.


Em março de 2002, os artistas recolheram objetos, partes do piso e das paredes com suas marcas de memória da história, agora transformadas em peças artísticas e de memória, e convidaram testemunhas daquela época para visitar o prédio abandonado e contar suas experiências de 1968 no lugar em que foram vividas, o que rendeu oito fitas de vídeo.


Cada um dos artistas do projeto focou um aspecto do prédio. Fulvia Molina (São Paulo) entrevistou testemunhas da época, Marcelo Brodsky (Buenos Aires) cuidou da documentação fotográfica, Andreas Knitz (Alemanha) desenvolveu a escultura das antigas janelas do prédio e Horst Hoheisel (Alemanha), a apresentação dos objetos.



As fotografias dos objetos transformados em arte retornarão posteriormente ao prédio reformado do MariAntonia, marcando exatamente o local de onde foram anteriormente retirados.
Num segundo espaço, Horst Hoheisel e Marcelo Brodsky mostram trabalhos individuais que, apesar de terem origem em outros lugares, pertencem ao mesmo contexto de arte e memória. O de Hoheisel faz referência aos conflitos de memória relacionados ao período nazista na Alemanha –tema recorrente dos trabalhos desenvolvidos por Hoheisel & Knitz–, e o de Brodsky mostra sua recente intervenção em um monumento fascista alemão dos anos 30, documentada com fotos. Brodsky apresenta também o ensaio "Condenados da Terra", sobre livros enterrados em razão do medo e da repressão durante o período da ditadura militar na Argentina.



Este núcleo de exposições é completado pela obra "Tempo Ausente, Presente", que Fulvia Molina instala no saguão de entrada do MariAntonia, com cinco cilindros transparentes contendo fotografias de assembléias estudantis e páginas de um livro de presença da Assembléia Geral Extraordinária dos Estudantes do Grêmio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP acontecida em 9 de agosto de 1966.


Arte-Memória na Maria Antonia:


18 de setembro a 19 de outubro

Vernissage: Quinta, 18 de setembro, às 20h

Centro Universitário Maria Antonia da USP

Rua Maria Antonia, 294 - Tel. 3255-7182


Segunda a sexta – 12h às 21h

Sábado e domingo – 10h às 18h

Realização: Ceuma e Instituto Goethe




Mesa-redonda


A mesa-redonda Arte-Memória na Maria Antonia reunirá artistas, estudiosos e protagonistas dos movimentos políticos de 1968, para um debate sobre a memória dos acontecimentos políticos e sociais daquele ano, seus desdobramentos e o papel da arte na sua conservação e presentificação:


André Villalobos, professor de Sociologia da Unicamp, presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia USP em 1965;

Carlos Tibúrcio, assessor especial da Presidência da República, líder estudantil em 1968, co-autor do livro Os Filhos deste Solo, sobre os mortos e desaparecidos durante a ditadura militar;

Fulvia Molina, artista plástica, realiza trabalhos sobre arte-memória;

Horst Hoheisel, artista plástico alemão, realiza trabalhos relacionados à memória política alemã, especialmente à do Holocausto;

Irene Cardoso, professora de Sociologia da USP, autora do livro Para uma Crítica do Presente, sobre a Maria Antonia;

João Ribeiro, educador, presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia USP em 1966;

Marcelo Brodsky, artista-fotógrafo argentino, realiza trabalhos relacionados principalmente à memória política de seu país;

Rafael de Falco Netto, empresário, presidente do DCE-Livre da USP em 1968 e da UEE-SP em 1969;

Samuel Iavelberg, fotógrafo, líder estundatil em 1968.


Serviço:


19 de setembro, 20h

Centro Universitário Maria Antonia da USP

Rua Maria Antonia, 294. Tel. 3255-7182




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